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Questão primeira: Para que queremos nós os políticos?

Todos sabemos, desde que Aristóteles erigiu a POLÍTICA a ciência, que há verdadeiros políticos e outros que não o são, assim como todos sabemos que o dito Filósofo logo distinguiu que havia democracias e democracias. A esta hora rebola-se no túmulo. Todos sabemos desde Rousseau que, a propósito do Estado de Direito e da Soberania popular, a vontade das maiorias regra geral está certa e tende sempre a considerar o bem e a utilidade pública. A esta hora rebola-se no túmulo. Todos sabemos, também, desde as experiências constitucionais e da prática do governo representativo da vontade e da soberania populares, desde o século XVIII e durante o longo século XIX, com reminiscências no curto século XX, que os governos e os políticos que nós elegemos, nunca por nunca, jamais nos representarão conforme a nossa vontade nem, nunca por nunca, serão os nossos emissários e os campeões das nossas causas. Apenas governam para si próprios, saciam-se no ritual político e governam (?) na esperança que o juízo popular, no fim do mandato, lhe seja favorável e, muitas vezes, apesar da nossa ira, apesar de terem hipotecado todas as promessas que os levaram à nobre condição de representantes dos nossos desejos e necessidades, acabam por ser recambiados para os mesmos "tachos", apesar de toda a nossa indignação e mais, da nossa profunda estupefacção, porque votamos nos partidos como apoiamos cegamente o nosso clube de futebol. O sistema representativo tem elementos perversos que possibilitam a ingerência de factores oligárquicos no regime do Estado de Direito. A esta hora todos os nossos antepassados se rebolam nos túmulos e nós, de desespero, nas nossas camas.

Mas a culpa é nossa, não se esqueçam. Porque nós gozamos à brava com a boca que o Portas mandou ao Guterres, com a forma como o Barroso enterrou o Carvalhas ou vice versa, a ordem dos políticos e dos respectivos partidos é totalmente arbitrária. Porque o que o pagode quer é pão e circo! Se o Vale e Azevedo disser que o sistema é a razão pela qual o Porto ganha os campeonatos os lampiões ficam em êxtase e fazem tudo para se auto-convencerem de que é verdade embora o Benfica continue a passear a sua desgraça pelos estádios do país. A sociologia explica a nobre arte de fecharmos os olhos às evidências consolando-nos com o espalhafato do circo. Não se iludam, somos nós que permitimos que os senhores políticos sejam ignorantes e mintam com quantos dentes têm na boca (Clara Pinto Correia dixit), continuando arrogante e despudoradamente a discutir coisas de "lana-caprina" nas câmaras, no parlamento e no governo, tentando convencer os seus representados, NÓS TODOS, OS QUE DETEMOS A SOBERANIA, que estão muito actualizados e nós é que não percebemos o alcance do seu trabalho. Por exemplo, já não se aguenta o discurso politicamente correcto do desenvolvimento do Turismo no Algarve e do magno problema das acessibilidades à mistura com as preocupações ecológicas quando todos sabemos que o Turismo não arranca no Algarve porque não há massa crítica (quantidade e qualidade) de quadros preparados para fazer o "take-off", porque o problema das estradas já é uma questão da primeira metade do nosso século e ainda ninguém o quis resolver (não há falta de verba há é má gestão!) e, finalmente, todos sabemos que os nossos políticos falam no ambiente mas estão-se nas reais tintas para ele! A verdadeira raiva surda e cobarde que existe pela zona protegida do sudoeste e Costa Vicentina é quase geral, odeiam visceralmente "a reserva de índios", o POOC e mais umas tantas preocupações verdes mas todos falam no impacte ambiental porque está na moda aqui em Portugal. É chique! A Luisa Schmidt é que os topa bem! Todos sabemos que a política hoje é algo mais sério do que nunca e não se compadece dos políticos que temos. Hoje as coisas tratam-se em termos científicos, em termos de coesão de sistemas, em termos de energia, em termos de informação, em termos de sistémica, em termos de árvores de decisão e da teoria da decisão. A pergunta que ocorre é, ressalvando naturalmente honrosas excepções, como um António Barreto, um Pacheco Pereira, um João Carlos Espada, um José de Magalhães, um José Vitorino e outros: o que sabem os nossos políticos comuns disto tudo? Sim, o que sabem os aprendizes fugazes das teorias de Toffler, do Morin e de outros tantos teóricos avulso? Leram-nos mal e porcamente, se é que alguma vez os leram, tendo errado os objectivos imprescindíveis nas suas leituras. Não são citações de algibeira de leituras de terceira mão que fazem um político até porque o tempo que levam nas bisbilhotices da classe não lhes dá tempo para lerem, pensarem e assimilarem. Os políticos que nos representam fazem-me lembrar a "Bola Semiótica" que embasbacava os alunos da faculdade com citações pouco imaginativas do malogrado Barthes e com meia dúzia de bengalas psicanalíticas freudianas mais que estafadas; fazem-me lembrar aqueles professores que leram um manual para tirarem um curso e depois continuam, pela vida fora, a impingi-lo aos seus alunos. Não se admirem, é que já houve abaixo-assinados em distintas Faculdades deste país em que os alunos pediram que lhes dessem bibliografia posterior a 1943! Como demonstrou o meu amigo Fernando de Carvalho Rodrigues, pai do satélite português, os males do mundo post-moderno são fruto da IGNORÂNCIA e da ausência da INOVAÇÃO CRIATIVA. Sem mais.

Porque é que foi aprovado um estabelecimento superior em Coimbra, a Escola Superior Universitária Vasco da Gama (que apropriado que cai aqui o nome do Vice-Rei, que tem tudo a ver com a Beira, com Coimbra e com as áreas da saúde - terá sido pelos habitantes do Índico terem ensinado aos navegadores portugueses como se curava o escorbuto? -, salta à vista, e que falta de imaginação), no passado dia 12 de Outubro, supostamente "para colmatar a lacuna que existe em Portugal do ensino nas áreas da saúde", cito o genial pró-reitor Carlos Santos, o Governo do país aprova as licenciaturas em Medicina Veterinária (suspeita-se a finalidade), em Silvicultura, em Arquitectura Paisagística (com mensalidades que variam entre 55 e 100 contos, e isto para uma instituição sem fins lucrativos! Claro!) e onde se ministram cursos não homologados de desenho e Pintura I e II e brevemente o curso de Azulejaria. Pergunto-me: onde está a saúde nisto tudo? A título de curiosidade, o artigo que anuncia a instituição diz que nasceu mais uma Universidade Privada "na mais antiga cidade universitária": não é por nada, mas todos sabemos, que, em Portugal, a Universidade apareceu, pelo menos a 1 de Março de 1290, senão antes, em Lisboa, na rua das Escolas Gerais, cuja toponímia e ruínas hoje estão lá desde o tempo do D. Diniz! Mas em que país estamos nós!

E o Governo não aprova o Complexo de Ensino Superior do Algarve Jean Piaget porque, de facto, nós temos uma experiência de 22 anos de ensino qualificado e de qualidade e porque realmente temos uma Escola de Saúde onde formaremos Enfermeiros, Fisioterapeutas, Analistas, Radiologistas, etc., etc., a mensalidades máximas de 45 contos? Porque será? Porque não sabemos colmatar lacunas na saúde ensinando veterinária, silvicultura, arquitectura, arquitectura paisagística, desenho e pintura I e II e azulejaria? Ou será que a saúde é uma coutada reservada para a Universidade do Algarve, para o Sotavento ou para Faro, tão só? E porque será que a Sr.� Deputada pelo Algarve, Jovita Ladeira, interpelada pelo também Sr. Deputado pelo Algarve, Dr. Carlos Martins, sobre o Instituto Piaget em Silves, teve a ignorância ou fingiu que não sabia (não sei o que será pior), de responder que "não se constróem as escolas e só depois se pede a homologação dos cursos"? A nossa política algarvia não sabe que o pedido de homologação de cursos tem que prever ou indicar instalações no mesmo documento de pedido? A homologação dos cursos foi pedida primeiro e só começadas as obras depois! Aguardo o desmentido formal da Sr.� Deputada.

Porque será? Aos Algarvios, ao Concelho interior de Silves, ao renomado Instituto Piaget, não lhes falta nada, como faltava ao poderoso Imperador Filipe II de Espanha a não ser um fecho éclair ...? Faltam-nos fechos éclair, falta-nos padrinhos ou faltam-nos POLÍTICOS?

JOÃO ROCHA PINTO
Presidente do Instituto Piaget de Silves

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