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Decorreu na Fissul, em Silves, a IV Exposição de Aves Canoras e Ornamentais, entre 14 e 19 de Novembro. O GRÉS esteve presente e após o seu encerramento chegou à conversa com dois dos organizadores, Amílcar Sequeira e José Manuel Neto, respectivamente Presidente e Tesoureiro do Clube Ornitológico de Silves (COS), para falarmos um pouco da avaliação que fazem da Feira e da própria actividade do clube.
Clube Ornitológico de Silves - Foi mais uma exposição que teve um grande êxito a nível de visitantes. A nível de participantes, de sócios, em termos de expositores, em quantidade de aves, de variedade e classes de aves foi a maior exposição que já tivémos, já lá vão seis anos. Penso que é devido ao trabalho da direcção do clube que tem vindo a desenvolver da melhor maneira e as pessoas tem colaborado com os seus passarinhos e a sua presença. Cometemos alguns erros que procuraremos rectificar no próximo ano. Existem algumas falhas no apoio aos visitantes que nos fazem muitas perguntas e por vezes não há tempo para responder e esclarecê-los devidamente. G - Que apoio tiveram para a sua realização? COS - Bom, em 1° lugar tenho de dirigir o meu agradecimento a todos os patrocinadores e às entidades oficiais como a Câmara Municipal de Silves, a Junta de Freguesia de Silves, o Governo Civil de Faro. Muito especialmente a todos aqueles que estão mais perto de nós, os ornitófilos que sem o seu trabalho esta exposição não teria lugar. Eles são os grandes obreiros deste certame, para eles continuará a ser dirigido o nosso esforço e saber. G - Quantas aves quantas estiveram expostas? COS - Estiveram expostas cerca de 1500 aves nos dois tipos de exposição. As aves a concurso, que foram julgadas pelos juízes e tivémos todas as outras aves, como os galináceos, as de columbofilia, como os pombos de fantasia, os palmitos, aves de fantasia, que as pessoas trazem para ornamentar e que têm uma vertente comercial. G - Aproveitando a sua deixa quanto à vertente comercial. Quais as impressões dos expositores em termos de vendas? COS - Ficaram satisfeitos e prometeram voltar. Há um grande expositor de Portalegre, e outro de Vidigueira que são de longe e que prometeram voltar e isso não é por acaso. A Sul do tejo não há nada parecido em termos de espaço e condições. Sempre são 2500 m2 de área coberta. Acima disto, só Santarém, mas essa está mesmo virada para este tipo de exposições. G - Em termos de visitantes, quantos estimam que terão passado pela Fissul? COS - Mais ou menos, pensamos que terão havido para cima de duas mil pessoas contabilizadas em termos de entradas, o que dará à volta das 4 mil pessoas no total. G - Falando agora um pouco do Clube ornitológico de Silves. Como surgiu a ideia de o criar aqui em Silves? COS - O Clube vai fazer quatro anos no próximo mês de Dezembro e surgiu devido a duas exposições que fizémos aqui. Na altura éramos uma comissão administrativa do clube de Olhão que nos pediu para fazermos uma exposição, pois não tinham pavilhão nem sítio para a organizar. Fizémos a 1� que foi um sucesso como já disse, as instalações e as condições não havia nada igual e que mesmo hoje ninguém fez. Voltámos a repetir, a 2� foi novamente um êxito e nessa altura, o José Viola e o vereador do pelouro da cultura, Dr. Francisco Martins, pediram-nos continuássemos aquele trabalho. Mas não havia condições para isso pois existiam mais interessados em fazer a sua exposição através do clube de Olhão. A fundação de um clube surgiu como a única hipótese de continuar a fazer a exposição em Silves. Nessa altura a Câmara fez um esforço que foi notório pois cederam-nos as instalações actuais e algum material. A partir daí temos vindo a crescer, de tal forma, que temos a casa cheia de material e neste momento à volta de 1400 gaiolas já nossas. G - Quantos sócios conta já o clube? COS - Neste momento faltam muito pouco para os duzentos, do Algarve e alguns do Alentejo. Temos muitos sócios jovens pois não existe idade para se gostar dos passarinhos. Estas exposições estimulam as pessoas a participar. Para se associarem as pessoas pagam uma jóia de 500$00 e 150$00 de quota mensal. G - Concretamente em relação aos sócios, que actividades desenvolvem e que benefícios oferecem aos sócios? COS - Temos toda a alimentação a um preço mais competitivo que as casa comerciais. pois é um preço simbólico e o objectivo não é o negócio. Desde papas, sementes, tudo única e exclusivamente vendido aos sócios. Outro apoio são as anilhas para os pássaros poderem ser classificados, que nós pedimos anualmente à federação, para os criadores anilharem os passarinhos quando nascem. Só assim os podem apresentar numa exposição. G - Em relação à produção deste tipo de aves, pensa que é uma actividade económicamente viável? COS - É essencialmente um hobby pois ninguém se dedica de alma e coração a fazer só isto. Todas as pessoas que pensarem entrar na criação de aves, a pensar que vão ter rentabilidade é melhor nem começarem. É um hobby muito caro, porque a alimentação é cara, os tratamentos, a medicação são muito caros. G - Aproveitava as suas palavras para lhe perguntar o que diria a alguém que queira começar com esta actividade? COS - Diria que hoje podem começar com facilidade pois hoje há uma abertura muito diferente dos criadores mais velhos. Se não tiver alguém que o aconselhe a continuar e a estimular e ensinar, é um hobby difícil. Há 25 anos, quando eu comecei não havia literatura disponível, não existiam clubes. As pessoas que tinham canários não ensinavam a ninguém. Aparecia um pássaro doente e acabava por morrer pois não sabia como o salvar. Carlos Albano
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