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Neste tempo, em que palavras como globalização e massificação povoam o nosso vocabulário e os nossos pensamentos, levando a uma cada vez maior uniformização dos gostos e a um desaparecimento das especificidades, sentimos falta por vezes da nossa identidade. Neste livro em jeito de conversa, Agostinho da Silva fala-nos da nossa identidade portuguesa, lembra-nos os traços marcantes da nossa história, as conquistas mas também os erros deste país que se cumprirá porque segundo ele " a vontade de um homem ou de um grupo de homens pode modelar o futuro". Para além da nossa história, a nossa personalidade, que a partir da epopeia das descobertas foi decisivamente influenciada pela diferença de carácter entre os que ficaram e os que partiram, sem deixar de reconhecer a grande afinidade do sentir entre a grande comunidade de língua portuguesa. O elogio do nosso jeito malandro, porque segundo o filósofo, "o homem foi feito para o lazer, pois só assim poderá pensar". Singular este homem, admirador de Fernando Pessoa e D. Dinis, e que admira o povo mais simples como portador da "nova mensagem". Nem profeta, nem filósofo, mas aconselhando os homens a arranjarem sempre várias explicações para cada facto, e a seguir eliminando-as de forma lógica e coerente. Também ele as procura, sugerindo novas formas de organização social e de entendimento entre os homens, buscando sempre na história das nações de língua portuguesa, exemplos concretos para uma melhor vivência no mundo. Sente-se ainda em Agostinho, apesar da idade na altura desta entrevista, a curiosidade, o olhar limpo e um optimismo a toda a prova. Entretanto, Agostinho faleceu. Ficam as suas páginas para alegria de quem como eu um dia teve a sorte de deparar com um dos seus livros e folheá-lo. Jorge Raposo
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BIOGRAFIA
13-02-1906 - Nasce no Porto.
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