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"Arte de Silves"

No passado dia 3 de Setembro, Feriado Municipal, inaugurou-se na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Arqueologia de Silves uma mostra que reúne autores naturais ou com fortes ligações à cidade, nomes sonantes do âmbito nacional e internacional das Artes. A "Arte de Silves", assim se denomina a Exposição. Presentes estão obras de Bernardo Marques, Fernando Conduto, Mário Rita, Rocha de Sousa, Teresa Vasconcellos, Samora Barros e Maria Keil.

Bernardo Marques (1898-1962), desenhava tão facilmente uma caricatura social, como a ilustração de um livro, observava com rigor as paisagens citadinas e campestres, manifestou ainda um enorme talento gráfico. Este grande desenhador tinha um estilo inconfundível e um traço admirável. Ficará, sem dúvida, na história da Arte em Portugal.
Numa pequena sala apresentam-se treze desenhos deste admirável artista, desde os seus desenhos a tinta da china de representações sociais (bailes, feiras), demonstrando influências do expressionismo alemão e da obra de G.Grosz em particular, até às paisagens melancólicas.

Na entrada da grande sala, podem admirar-se duas peças de Fernando Conduto, pintor abstracto, escultor e ceramista. Nasce em Silves em 1937 e cultiva um gosto especial pela Pop-Arte. "Glicinia Quartim", uma obra sua de 1961, uma cabeça em bronze que nos solicita uma observação cuidada.

O mais jovem, Mário Rita, nascido em Silves em 1958, está representado com três obras de grandes dimensões em técnica mista sobre papel. O seu lado neofigurativo não nos deixa indiferentes, proporcionando várias leituras.

Nascido vinte anos antes, também em Silves, Rocha de Sousa pelo seu vasto e rico curriculum, dispensa apresentações. Ocupa a parede frontal da exposição, com quatro colagens de montagens fotográficas de 1997 e uma de 1998 expõe ainda duas muito interessantes composições, onde se inserem imagens figurativas muito fortes, cheias de simbolismo e de sátira social. (Veja-se a gravura à esquerda)

De "passagem", Teresa Vasconcellos, apresenta-nos uma instalação, para reflectir sobre a importância das memórias e tradições.
...
� Para não nos esquecermos que existimos, fechamos dentro de caixas as nossas marcas; fotografias amarelecidas pelo desgaste dos dedos, rascunhos de textos imperceptíveis que perderam o nome e o significado, mas que permanecem no tempo e na memória.
Durante o percurso tentamos, como as árvores, fixar-nos pretendendo alcançar as profundezas da terra.
Mas estamos só de passagem.�

Samora Barros (1887-1972), embora não tenha nascido em Silves, foi professor na actual Escola Secundária de Silves durante 36 anos. Foi discípulo do Mestre Veloso Salgado na Escola de Belas Artes de Lisboa. Pintou o Algarve com uma luz muito própria, a óleo, pastel e aguada. Desenvolveu, ainda, grandes potencialidades como retratista. Os trabalhos expostos no âmbito da temática paisagista recordam Silves e o Algarve. Estas obras mereciam um restauro.

A terminar a nossa ronda, uma grande Senhora, Maria Keil, nascida em Silves, em 1914.
Pintora Moderna, tem a sua originalidade e talento representado no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa.
As suas imagens femininas, como o retrato a pastel que está exposto, são envolventes e graciosos.
Na obra intitulada "O fotógrafo"
(gravura à direita), alia com muita mestria o seu poder de simplificação ao movimento congelado característico da fotografia. Em "Estudo das Árvores", exercício de desenho à pena e aguada, como a própria autora descreve, mostra o preciosismo do seu traço e o rigor da forma e da cor.

Muito respeitável e deveras interessante, esta apresentação de artistas de Silves. Ainda que se tenha de destacar e dar atenção a outros artistas não tão conhecidos.
Estará presente até ao próximo dia 8 de Outubro.
A não perder.

Margarida Bôto

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