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Livro do Mês

Mar Meu

Xanana Gusmão
GRANITO, Editores e Livreiros
Preço: 2680$00

�Timor
onde as pessoas
nascem para morrer
pela esperança
em rasgos de dor
em rasgos de carne
em rasgos de sangue
em rasgos de vida
em rasgos de alma
em rasgos
da própria liberdade
que se alcança...
com a morte!�

Há um ano atrás comprei este livro e li-o entre lágrimas. Ainda hoje, quando lhe pego, olho a sua capa azul, da cor profunda do mar de Timor e sinto um nó na garganta. Penso nos dias conturbados que se seguiram ao referendo de 30 de Agosto de 1999, nas imagens difusas, captadas por câmaras de infravermelhos, de uma família que fugia de noite, para o abrigo da mata, carregando as crianças de colo, a quem nem o choro era permitido, pois podia custar a vida de todos. Penso nos que morreram e nunca saberemos quem foram. Penso nos que fugiram e continuam a sofrer do outro lado da ilha, sob os olhos cruéis dos Indonésios e das milícias. Penso nos que ainda matam para defender um poder obscuro, errado, incerto. Penso na esperança e na coragem que todos têm.

E sinto-me mais perto da "pátria", pois cada vez mais faz sentido a frase de Fernando Pessoa, a minha língua é a minha pátria. Sinto-me perto de todos - timorenses, angolanos, moçambicanos, guineenses, brasileiros... - os que ainda pedem Liberdade, Segurança, Dignidade... em português. Sinto, como Mia Couto, o grande escritor moçambicano que faz o prefácio deste livro, que �(...) afinal, há alma para sustentar causas, erguer a voz, recusar alheamentos. Uma nação distante se reassume como nosso lar, nossa razão, nosso empenho. O sangue que se perde em Timor escorre de nossas próprias veias. As vidas que se perdem em Timor pesam sobre a nossa própria vida�.

As palavras simples de Xanana Gusmão ferem, tanto como as cores fortes dos seus quadros ingénuos (também reproduzidos nesta obra) nos fazem perceber o homem bonito que ele é. Não há grandes teorias para proferir, nem grandes análises para fazer. Basta abrir o coração e navegar ao ritmo das palavras, carregando a esperança de um futuro feliz, sempre POR TIMOR, para sempre COM TIMOR.

Sandra Moreira


BIOGRAFIA

Rala Xanana Gusmão, nasceu a 20 de Junho de 1946 em Laieia (Manatuto). Estudou no seminário de Dare e depois no liceu de Dili.
Em princípios dos anos 70, casou-se com Emília Gusmão e teve dois filhos: Zenilda e Eugénio Paulo Gusmão.
Depois do 25 de Abril, Xanana tornou-se militante da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente).
De Agosto de 1975 até à invasão Indonésia, a 7 de Dezembro de 1975, a Fretilin assume a administração de Timor-Leste. Xanana trabalha, então, no departamento de informação deste partido.
Após a morte de Nicolau Lobato, presidente da Fretilin, a 31 de Dezembro de 1978, Xanana Gusmão assume, em condições de extrema fragilidade, a luta armada de Timor-Leste.
Em Março de 1981 é criado o Conselho Nacional de Resistência de Timor do qual Xanana é eleito presidente, ao mesmo tempo que é nomeado comandante em chefe das Falintil, as forças armadas de libertação nacional de Timor Leste.
Em 20 de Novembro de 1992, Xanana é capturado nos arredores de Dili e no dia 19 de Maio de 1993 foi condenado a prisão perpétua, tendo a pena sido comutada, mais tarde, para 20 anos, pelo presidente Suharto.
Em Abril de 98, na primeira convenção de Timor-Leste, Xanana é aclamado presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT).
A 10 de Fevereiro de 1999, Xanana abandona a prisão de Cipinang, para passar a viver numa casa-prisão, em Salemba, no centro de Jacarta.
Viu o dia da sua libertação chegar a 7 de Setembro de 1999 e regressou a Timor nesse mesmo ano.
Actualmente, é o lider incontestado do povo maubere, que o vê já como o seu primiro presidente enquanto nação livre e independente.
Casou, no início do Verão, com Kristy Sword, uma jornalista australiana e vai ser novamente pai no final deste ano.

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