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As Festas de Verão em Armação de Pêra, Pêra e Alcantarilha

A tradição já não é o que era

Chegou o Verão e com ele as tradicionais festas e arraiais em honra de Nossa Senhora.
Na freguesia de Armação de Pêra realiza-se a festa em honra de N. Sra. dos Navegantes, nos dias 12, 13 e 14 de Agosto.
Já em Pêra celebra-se a N. Sra. das Dores (nos dias 18, 19 e 20 de Agosto) e em Alcantarilha, a N. Sra. do Carmo (dias 7, 8, 9 e 10 de Setembro).
Armação de Pêra ainda festeja a N. Sra. dos Aflitos no final da época balnear (nos dias 23 e 24 de Setembro).

A devoção a Nossa Senhora levou a população destas freguesias a homenageá-la ao longo dos anos, enchendo os seus andores com as mais belas flores, carregando-os aos ombros com orgulho, oferecendo-lhe orações, velas, azeite como pagamento de promessas feitas em momentos de dor e aflição.

Em Armação de Pêra , faziam-se anualmente duas grandes festas religiosas: uma em honra da Rainha Santa Isabel (a 4 de Julho) e a outra, no penúltimo Domingo de Setembro, em honra de Nossa Senhora dos Aflitos. Por volta dos anos 60, começou a celebrar-se, em Agosto, a festa em honra da Nossa Senhora dos Navegantes.

A primeira - da Rainha Santa - era organizada pelas pessoas da "terra", que criavam uma comissão de festas. Desde o peditório para a quermesse, feito pelos jovens, até ao requinte com que a mesma era enfeitada (com chitas emprestadas pela D. Maria do Eugénio e folhas de palmeira adquiridas nos chalés que havia antigamente nesta localidade ), tudo era devidamente preparado. O ponto alto da festa era a procissão que percorria as ruas e acabava na Fortaleza, onde o prior, depois do sermão, rezava o terço. À noite, o arraial começava com um concerto da Banda Filarmónica, que actuava num Coreto armado na praia e terminava com fogo de artifício lançado a partir do areal e do mar. Associa-se a esta festa a tradição do "banho santo". O povo que vivia nos campos em redor de Armação de Pêra vinha até à praia tomar banho, neste dia, porque acreditava que esse banho o abençoaria e livraria de muitos males. Como a tradição já não é o que era, a festa em honra da Rainha Santa Isabel já não se realiza.

As festividades de Nossa Senhora dos Navegantes são mais vividas pelos pescadores e têm por tradição, a procissão pelo mar. Durante muitos anos, os pescadores engalanaram as suas lanchas, prepararam os seus archotes e, em cortejo, acompanharam pelo mar, a Santa da sua devoção. Mas ... como a tradição já não é o que era, a procissão já não se faz pelo mar, mas sim pela praia.

A festa da Nossa Senhora dos Aflitos decorria da mesma forma que a da Rainha Santa, mas era organizada por um grupo de senhoras que vinham, todos os anos, passar as suas férias nesta praia. Nesta procissão saíam todas as imagens dos Santos existentes na Ermida e as pessoas até pagavam para poderem levar os andores.

Hoje, esta festa é organizada pelos armacenenses e é muito participada pelos habitantes das redondezas que têm muita devoção a N. Sra. dos Aflitos. Tanto esta festa como a de N. Sra. dos Navegantes têm o seu ponto alto na missa solene e na procissão. A música, a quermesse, o polvo assado, as filhoses fazem parte do arraial realizado na Fortaleza e que termina com um belo fogo de artifício.

Pêra: Santos e Petiscos nos altares da tradição

A festa de Nossa senhora das Dores, em Pêra, é muito antiga. A imagem da Santa pertence à igreja matriz, que remonta ao final do séc. XVII e, embora a paróquia tenha como padroeiro o "Espírito Santo", a sua festa principal é a da Sr.a Das Dores.

Antigamente, esta festa tinha a duração de dois dias. No Sábado, realizava-se a procissão com a imagem e, no Domingo, celebrava-se a missa e o povo pagava as suas promessas. A seguir à missa, havia o arraial onde se incluía o mercado - a venda de cestos, louça de barro, fruta, etc. . Em meados dos anos 80, este ritual foi alterado, passando a festejar-se, no Sábado, o "Dia do Emigrante", havendo no Domingo a missa, seguida da procissão e, à noite, o arraial.

Hoje, para além da festa em honra de Nossa Senhora, a paróquia de Pêra organiza, também, o "Arraial do Petisco", que reúne toda a população e muitos turistas em torno da música popular e dos afamados petiscos e doces da região, dos quais podemos salientar as papas de milho, os caracóis, os carapaus alimados, as Bolas de Ovo e os Dom Rodrigo.

Alcantarilha: a religiosidade do Povo

A festa de Nossa Senhora do Carmo, em Alcantarilha, é também muito antiga.

Há mais ou menos 40 anos, foi solicitado às localidades pertencentes à freguesia que preparassem um estandarte para participar na procissão. Ficou na memória dos mais antigos, o estandarte de Vale de Loisas, que apareceu forrado de notas. Era uma festa muito importante e muito participada pelos habitantes das freguesias vizinhas. Celebrava-se missa campal, no adro da igreja, seguida da procissão. À noite havia o arraial com música, fados, comes e bebes e muita alegria.

Hoje, é uma festa que mantém a tradição e reflecte a grande religiosidade deste povo.

Ana Cristina Santos

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