![]() |
![]()
Teve início em Silves, no dia 1 de Novembro, a Feira de Todos-os-Santos, uma das mais antigas feiras do Sul do país, cuja origem remonta a 1266, no reinado de Afonso III.
Ao longo de todos estes séculos, esta feira anual tem sido ocasião de encontro entre as gentes do concelho, de promoção dos seus produtos típicos e de desenvolvimento da sua economia. Mais ainda: tem marcado a cidade e a sua vida, alterando por alguns dias o quotidiano dos silvenses.
Todos os habitantes de Silves ou do concelho que tenham mais de 30 anos recordam a chegada da Feira de Todos-os-Santos como um acontecimento ímpar. Na semana antes do início oficial, já as pessoas se entretinham a espreitar diariamente o que de novo surgia no recinto e os jovens, mais que todos os outros, experimentavam as atracções com uma curiosidade sempre igual. Essa era a altura do ano lectivo em que, normalmente, se registava nos estabelecimentos de ensino da cidade um maior absentismo dos alunos. Todos corriam para a Feira para andarem nos "carrinhos de choque" e na semana a seguir ao encerramento oficial da feira, a cena repetia-se, como nos contou João Mourinho Gomes, Director Executivo da Escola Secundária de Silves. Hoje em dia, a situação já não é a mesma. �Nos últimos anos fez-se uma interrupação das actividades lectivas que coincide com o período da Feira. Esta pausa veio minimizar os efeitos da Feira e as faltas�, diz João Gomes, mas salienta: �Se não existisse a pausa, certamente haveria faltas�. Actualmente, os alunos estão mais preocupados em transformar este evento numa ocasião para ganhar algum dinheiro, que depois utilizam nas viagens de finalistas. �Todos os anos, os miúdos pedem a exploração dos Parques de estacionamento à Câmara Municipal de Silves (CMS) e pedem à escola para explorarem o estacionamento de que dispomos�, revela-nos este professor. Este ano, por exemplo, há três turmas do 12° ano que vão dividir a exploração dessas zonas, para poderem obter o máximo rendimento para os seus "mialheiros de viagem". Mas não se ficam por aqui: pedem, também à CMS, autorização para a utilização e exploração de pequenas barracas montadas no recinto, onde vendem "comes e bebes" e sorteiam rifas. �Temos tido alguns aborrecimentos com as barracas�, conta João Gomes. �Os miúdos fazem rifas e os feirantes começam a exigir que lhes entreguem os prémios, acusando-os, muitas vezes, de não o fazerem, o que gera problemas�, explica o Director da Escola Secundária de Silves e conta, mesmo, que no ano passado as barracas dos alunos foram assaltadas e eles ficaram sem nada.
Este problema da segurança nos dias da Feira é, aliás, um dos que mais preocupa as pessoas de Silves. Nos dias que antecedem o evento começam a surgir algumas tentativas de furtos ou mesmo furtos, nomeadamente na cidade e nas zonas habitacionais mais afastadas do centro da cidade, este ano o bar da Sociedade Filarmónica Silvense também foi assaltado (Ver caixa, ao fundo da página). Os próprios comerciantes tomam as suas percauções e alguns, sobretudo ligados à restauração, fecham nesta ocasião, como é o caso do Nosso Bar, propriedade do Sr. Pedro Nuno, que há 10 anos, pelo menos, aproveita para fazer remodelações ou renovar a decoração. Outros preferem, apenas, alterar o seu horário de funcionamento. �Fecho mais cedo, à meia noite, por causa de problemas que possa aqui ter com os feirantes, para me precaver�, diz Eduardo Luz. Estes roubos, algumas vezes associados a vandalismo não são, regra geral, praticados pelos feirantes, mas por pessoas que aproveitam a ocasião para que as culpas caiam sobre os comerciantes. Esta situação é do conhecimento da população. Em alguns pontos, todos estão de acordo quanto à Feira: em primeiro lugar, há mais agitação, mais barulho e mais trânsito nos dias em que as barracas, os feirantes e os compradores invadem a cidade. Embora com a mudança do local, a avenida marginal e a baixa da cidade tivesse perdido o colorido e a movimentação que era invulgar e característico. Em segundo lugar, esta Feira já não tem a dimensão de há anos atrás e a cada ano que passa tem vindo a perder notoriedade e os comerciantes sentem isso nas suas vendas. �Eu acho que o movimento é mais ou menos igual; tanto faz haver Feira, como não haver. Actualmente, em termos de facturação, é mais ou menos o mesmo que nos dias normais. Em relação a tempos idos, há 20 anos atrás, é diferente, porque as pessoas aproveitavam a vinda à cidade para fazerem as suas compras. Era totalmente diferente�, comenta Fernando Raposo. A feira continua a ser benéfica para a cidade, mas já não é ela que lhe dá um rosto verdadeiramente outonal, com perfume a castanhas assadas e o colorido de carroceis e vendedores apregoando mantas e bugigangas.
Sandra Moreira
|
ONDA DE ASSALTOS VARRE SILVESA Sociedade Filarmónica Silvense foi assaltada na madrugada de 20 para 21 de Outubro passada. Os assaltantes entraram pela porta da sala de teatro (na Rua Diogo Manuel), tentando depois entrar no bar, mas como a porta que dá acesso a esse espaço tem uma barra metálica de protecção, acabaram por partir um pequeno vidro para poderem passar. O reduzido espaço por onde entraram levou já algumas pessoas a levantar a hipótese de os assaltantes serem pessoas muito jovens, pois só alguém de pequena estatura ali caberia. Tabaco, chocolates e 30 mil escudos em dinheiro foi tudo o que levaram, ignorando os instrumentos, extremamente caros, que estavam bem perto e que são pertença da Banda Filarmónica. Mas este não foi o único assalto que se deu em Silves nos últimos dias. A sede da Zona Agrária de Silves, que fica no bairro do Enxerim, viu as suas instalações arrombadas na noite de 26 para 27 de Outubro. Os assaltantes usaram um pé de cabra para abrir a porta da cozinha e passearam por todo o edifício, vendo gavetas e prateleiras. Acabaram por levar consigo uma soma avultada, sendo este, certamente, o assalto com maiores prejuízos que se verificou. O bar Canivete, também no Enxerim, foi vítima de um furto algo mais elaborado na madrugada do dia 24. Nesse caso, os assaltantes cerraram as grades de ferro que protegem a entrada do estabelecimento, levando sobretudo pacotes de tabaco e moedas. Estes três casos foram já entregues à Polícia Judiciária, que está a fazer investigações. Sandra Moreira e Margarida Bôto
|