Energia Renovável: Gestão de Resíduos

    Por biomassa entende-se toda a matéria de origem de vegetal, seja ela a floresta nativa ou plantada, as culturas agrícolas e seus resíduos, como bagaço de cana, casca de arroz ou de café, galhos de árvores, óleos vegetais, ou de espécies plantadas, além do lixo urbano e do esterco de animais. O Brasil é um país naturalmente rico em biomassa. Os processos de transformação desses recursos em energia, combustíveis e produtos como alimentos e materiais são inúmeros. A pirólise, também chamada de carbonização, pertence a um grupo de processos denominado: Conversão Termoquímica (Destilação Destrutiva). O processo pode produzir energia e produtos sólidos (Carvão vegetal), líquidos (Bioóleo ou Alcatrão) e gases (Gases Pobres).

     

    Justificativas

    A produção de energia elétrica em larga escala a partir da biomassa é um tema que vem sendo estudado, no últimos anos, com grande interesse em vários países do Mundo. Esse interesse deve ser creditado à conjunção de vários fatores (PATTERSON, 1994 e BRIDGWATER, 1994):

     (i) A produção de eletricidade a partir da biomassa têm um ciclo de Carbono praticamente fechado, as emissões de SOx são muito pequenas - ou nulas -, têm-se menos cinza residual de quando do uso de carvão mineral, por exemplo.

    (ii) alguns analistas acreditam que é no uso energético de resíduos que vai ser definido o maior mercado, nos países desenvolvidos, dessas novas tecnologias de conversão da biomassa. Esta tendência será tanto mais forte quanto maior for a pressão da sociedade;

     (iii) à conveniência da redução da dependência de alguns países com relação aos combustíveis fósseis e, em especial, aos derivados de petróleo, tópico que é sempre lembrado em associação à uma visão geopolítica estratégica, muito embora o abastecimento e os preços internacionais do petróleo estejam estáveis há muitos anos. 

    Em associação aos pontos acima listados, o DOE (1996) identifica um certo número de oportunidades de curto e médio prazo que podem facilitar o maior uso da biomassa na geração de energia elétrica. São eles: 

    (i) algumas termoelétricas e várias caldeiras industriais que hoje queimam carvão mineral deverão ser substituídas ou reformadas nos próximos anos, o que define uma janela de oportunidade para a conversão parcial dessas instalações para a queima conjunta da biomassa; 

    (ii) especialistas do setor elétrico consideram que sistemas híbridos de produção de eletricidade, que façam queima conjunta, por exemplo, de biomassa e gás natural, oferecem baixíssimo risco;

     (iii) em alguns segmentos industriais que fazem uso intensivo da biomassa enquanto matéria prima e energia, existe um grande potencial para a produção de eletricidade a partir, por exemplo, de resíduos do processo; 

     

    1. Pirólise

     O termo pirólise é utilizado para caracterizar a decomposição térmica de materiais contendo carbono, na ausência de oxigênio. Assim, madeira, resíduos agrícolas, ou outro qualquer tipo de material orgânico se decompõe, dando origem a três fases: uma sólida, o carvão vegetal; outra gasosa e finalmente, outra líquida, comumente designada de fração pirolenhosa (extrato ou bioóleo). A proporção relativa das fases varia como função da temperatura, do processo e do tipo de equipamento empregado. Geralmente a temperatura situa-se na faixa de 400ºC a 1000°C. A presença de oxigênio é variável pelo tipo de matéria orgânica empregada no processo, sendo que a introdução de oxigênio permite a continuidade do processo de pirólise com aumento de rendimentos. Observa-se um melhor rendimento na recuperação de subprodutos, baixo impacto ambiental, e aplicabilidade do biooleo em escala industrial. E interessante ressaltar que a definição dada para o processo de pirólise exclui a presença de oxigênio, embora na prática muitos processos de pirólise sejam conduzidos com alimentação de ar. Isto se justifica pelo fato de que sendo o processo como um todo endotérmico, calor e requerido para o seu pleno desenvolvimento. Nada mais lógico portanto, que tentar conduzir o processo de tal forma que o oxigênio adicionado possibilite a combustão de parte dos produtos combustíveis formados, gerando portanto o calor necessário ao processo. A grande aplicação do processo de pirólise tem sido na produção de carvão vegetal, cujo rendimento pode chegar ate 40% em peso, em relação à matéria-prima. O bioóleo, principal sub-produto e composto basicamente de alcatrões solúveis e insolúveis e ácido pirolenhoso que contem produtos químicos valiosos como o ácido acético, metanol e acetona. Na grande maioria dos processos pirolíticos a fase gasosa é utilizada como fonte de energia suplementar ao processo e o seu rendimento pode variar desde 5% a 20% em peso, dependendo da temperatura em que o processo se realiza. 

    Os trabalhos de P&D em pirólise, ao contrário da gaseificação - que já atingiu a fase de desenvolvimento de sistemas de maior porte - ainda está na etapa de teste de pequenas unidades. Ainda existem incertezas quanto à essa rota, mesmo porque têm sido identificados problemas de contaminação com álcalis e de instabilidade química dos óleos por efeito da temperatura (BRIDGWATER, 1995). 

     

    2. Bioóleo

    O bioóleo (líquido de fumaça) é conhecido no meio científico por extrato pirolenhoso, trata-se de uma solução orgânica originada da carbonização da madeira. No extrato pirolenhoso são encontradas algumas substâncias como ácidos, cetonas, compostos fenólicos, etc. No extrato pirolenhoso há uma alta exposição de grupos fenólicos e carboxílicos de baixo peso molecular. O bioóleo é obtido a partir de um processo denominado pirólise rápida - a queima (degradação térmica) de resíduos agrícolas de pequeno tamanho como bagaço de cana, casca de arroz, capim, casca de café e serragem.

     

    Hoje!

    A necessidade crescente em diversificar a matriz energética e buscar soluções concretas para a questão dos resíduos sólidos faz com que paises em desenvolvimento saiam na frente nestas pesquisas. Diversos centros tem trabalhado em cooperação para em conjunto trazer solução simples 

     

    Ontem?

    Diversos sistemas em grande escala estão em desenvolvimento em todo o mundo, porem requer grandes investimentos. Plantas de gaseificação, pirólise, etc., são desenvolvidas por todo o mundo entretanto projetos em pequena escala estão ainda longe de ser contemplados.

     

    O processo

     

    Reator de pirólise.

     

    Pirólise é um dos processos de Destinação Final de resíduos Sólidos mais eficiente que já foi descoberto pelo homem, porém face ao processo ser ainda custoso no que tange à sua manutenção, necessita de maior aprimoramento tecnológico. 

    O reator pirolítico possui três zonas específicas a saber: 

    - zona de secagem: os resíduos que irão alimentar o reator, nesta zona as temperaturas estão na ordem dos 100º a 150º C (vale lembrar que esta etapa é de suma importância, pois a umidade pode interagir negativamente com os resultados do processo). 

     - zona de pirólise: ocorrerá as reações propriamente ditas, sendo elas a volatização, oxidação e a fusão, as temperaturas nesta fase variam de 150º a 450º C, é onde são coletados os produtos (alcoóis, óleo combustível, alcatrão, etc);   

    - zona de resfriamento: nesta fase os resíduos gerados pelo processo são coletados no final do processo, cerca de (char, cinzas e bioóleo).

    Estão mostradas a seguir algumas das reações pertinentes:

     · Reações de biomassa 

    1. Biomassa + energia ? CO + H2 + CH4 + líquido + char 

    2. Biomassa + O2 ? CO + H2 + CO2 + energia 

    3. Biomassa + energia ? bioóleo + char + gás 

    · Reações do bioóleo 

    1. Bioóleo + H2O ? CO + H2 

    · Reações de gases (com catalisador) 

    1. CO + H2O ? H2 + CO2 

    2. CO + 3 H2 ? CH4 + H2O .

    3. CO2 + 4 H2 ? CH4 + 2 H2O 

    4. n CO + (2n + 1) H2 ? CnH2n+2 + n H2O 

    5. 2 CH4(g) + O2 ? 2 CO + 4 

     

    Pesquisas Realizadas

    Foram realizados levantamentos bibliográficos sobre o estudo da arte atual a respeito de diversos processos, produtos e matérias-primas onde todas estas informações foram compiladas em um banco de dados; Foi realizadas visitas técnicas; Foram desenvolvidos fluxogramas (entradas e saídas); Definição de modelos; Foram feitas a analise e síntese do projeto integrado de aproveitamento de biomassa residual; Estudo de viabilidade técnico-econômica; Valorização da biomassa residual e “bioprodutos”; Avaliação tanto dos custos como do impacto ambiental de sistema de integrado; Desenho inovador de equipamentos como: reator de pirólise de baixo custo, defumador de alimentos, sistema de recuperação de energia térmica, recuperador de bioóleo(unidade planta piloto); Análise e apresentação de resultados do estudo de casos (projeto preliminar).

     

    Pesquisas em Andamento 

    Descrição do sistema destilação destrutiva de resíduos sólidos de baixo custo para produção de energia térmica, bioóleo e adubo; Estudo de simulação econômica;  Análise global dos resultados e otimização do projeto visando maximizar o retorno e minimizar os custos;  Desenvolvimento de Relatórios técnico-econômico.

    Projeto de Desenho Inovador

    Através do desenvolvimento de fluxogramas de processo referentes à gestão de resíduos pode-se elaborar um desenho inovador no aproveitamento da biomassa. A operação de queima, da biomassa, em reator de pirólise de baixo custo se processa a uma temperatura de cerca de 450 0C, onde a matéria orgânica e fracionada dando origem a frações líquida, gasosa e sólida. As proporções estão para o tempo de residência do material no reator devendo ser observados temperatura, oxigênio em excesso, água, etc. estes são determinantes para o desenvolvimento do processo. Em geral, a queima da biomassa em reator de pirólise, o fator mais crítico é a manutenção da temperatura que requer um controle maior na operação, evitando assim a queima incompleta e/ou a geração de produtos indesejáveis conseqüentemente perdas para isso a queima de parte da biomassa em forno (queimador) garante uma temperatura constante. Alem disto essa queima traduz esta biomassa enfornada em carvão. O sistema de recuperação de calor é realizado tanto no queimador com no reator de pirólise fazendo uso desta energia térmica (caloria), trata-se de um método de termosifão, sem a utilização de bombas, utilizando-se da água para armazenagem da energia térmica desprendida dos equipamentos. Estas operações envolvem sistemas auxiliares para armazenagem de água. A recuperação do bioóleo (líquido de fumaça) baseia-se em sistema de ciclonegem (sistema de recuperação) havendo o resfriamento dos gases condensáveis (GC). Os gases não-condensáveis (GNC), por sua vez são recuperados em sistema de combustão sendo seu aproveitamento no secador.

     

    Manual de Construção 

    Foi desenvolvido manual técnico para implementação de sistema de aproveitamento de biomassa residual, em pequena escala e de baixo custo visa atender problemas referentes a energia, usando o processo de pirólise, ou seja, destilação destrutiva (queima) da biomassa. O projeto alia uma tecnologia limpa (T + L) com o uso de resíduos sólidos (cascas, bagaço, sementes, etc) os quais são convertidos em carvão, bioóleo e gás. O carvão tem um papel secundário; o gás de gerado é utilizado no processo de secagem de frutas, verduras, grãos, sementes; já o bioóleo pode ser utilizado não só como combustível e biofertilizante mas comercializado com industrias químicas ou petroquímicas; 

    O manual técnico de defumador foi desenvolvido com finalidade de conservação e desenvolvimento de aroma no alimento(carnes em geral). É de fácil construção e de baixo custo, com capacidade de processar cerca de 30Kg por dia. Pode-se fazer uma adaptação de um fogão a lenha doméstico, conduzindo a fumaça obtida e fazendo com que ela passe pelos alimentos dependurados acima do orifício de saída do fogo. A tendência da fumaça é subir às partes mais altas; a fumaça circula porque é puxada pela chaminé nos defumadores artesanais. Após 6 horas de queima, os alimentos já apresentam bom sabor de defumado e impregnação de fumaça suficiente para sua conservação por aproximadamente 48 horas ao ambiente ou uma semana sob refrigeração. O mesmo pode ser feito com o uso de tambores metálicos se houver necessidade, a câmara pode ser ampliada, ou podem ser construídas outras unidades iguais ao módulo original. Seu tamanho reduzido foi projetado e desenvolvido para não ocupar muito espaço, facilitando a colocação em residências, sítios, chácaras, ranchos, etc.

     

    Equipe de Trabalho de Biocombustivel sólidos

    Brunno Henrique de Souza Santiago

    Pesquisador responsável para coordenação

    Carlos Eduardo B. Lopes

    Roberto Mdeiros Dantas

    Prof.  P.V. Pannir Selvam

    Publicações

    1. "Projeto de Engenharia e Simulação Usando Materiais de Baixo Custo para Construção de Biodigestores e Geração de Energia em Pequena Escala", sob forma de pôster no 15º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciências dos Materiais, Natal-RN. 

    2. "Estudo Comparativo do Compósito da Fibra de Coco e da Fibra de Vidro na Construção de Biodigestores", sob forma de pôster no 15º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciências dos Materiais, Natal-RN. 

    3. "Conservação e Cogeração de Energia com Produção de Biocombustíveis Derivados da Lenha", sob forma oral durante o 4º Encontro de Energia no Meio Rural - AGRENER/2002, Campinas-SP. 

    4. "Produção de Energia, Carvão e Adubo Líquido a Partir de Resíduos Sólidos do Coco", sob forma oral durante o 13º Congresso de Iniciação Científica da UFRN, Natal-RN. 

    5. "Utilização de Biodigestores para Produção de Adubo Líquido a partir de Reaproveitamento de Resíduos Orgânicos", sob forma oral durante o 13º Congresso de Iniciação Científica da UFRN, Natal-RN. 

    6. "Utilização de Gás Natural em Sistema Integrado Acoplado com Secador e Defumador para Beneficiamento de Industrias de Processamento de Alimentos", sob forma de pôster durante o 2º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás, Rio de Janeiro-RJ. 

    7. "Estudo Técnico-Comparativo de Estações de Tratamento de Efluentes de Refinaria de Petróleo", sob forma de pôster 2º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás, Rio de Janeiro-RJ.

    8.  "Síntese e Análise Econômica de Produção de Biodiesel a partir de Matérias-Primas Regionais", sob forma de pôster no 2º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás, Rio de Janeiro-RJ.

    9.  "Projeto de Secagem do Coco Via Cogeração de Energia de Biogás", sob forma de pôster no FRUTAL/2002, Fortaleza-CE. "Produção de Energia Elétrica Descentralizada com uso de Biodiesel junto com Co-Produtos de Biomassa de Mamona", sob forma de pôster no 1° Congresso Internacional de Biodiesel - Rede Brasileira de Biodiesel - São Paulo-SP. 

    10. "Estudo da Viabilidade da Produção de Biodiesel Usando Óleo de Mamona na Região Nordeste do Brasil", sob forma de pôster no 1° Congresso Internacional de Biodiesel - Rede Brasileira de Biodiesel - São Paulo-SP.

     

    Referências Bibliográficas

    SORAES J. E.; Confederação Nacional da Industria. Biomassa: Coadjuvante na Oferta Total de Energia. Coleção, Vol. 3, 1982. 

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    CARIOCA, J.O.B., Pannir Selvam, P.V. et al. “Energy from Biomass”. Impact of Sciences on Society, 148. p. 305, 1988.

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    MCGOWIN, C.R., "Biomass for Electric Power in the 21st Century". Biomass and Bioenergy, Vol. 10, numbers 2-3, pp. 69-70, 1996. 

    VAN DEN BROEK, R., Faalj, A. and Van Wuk, A., "Biomass Combustion for Power Generation",. Biomass and Bioenergy, Vol. 11, number 4, pp. 271-281, 1996.

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