M�NIMO, QUASE NADA
(Noveletas, Cacos, Ciscos e Nem Isso)
(A seguir, um miniconto da parte da obra intitulada "Cacos" e outros da parte intitulada, "Ciscos". H� no livro um certo tom ing�nuo e nost�lgico.)
T�tulo deste Miniconto

CINE ORLY
  Ia passar no cinema um filme de beijo na boca. Aquele cartaz na porta mostrava quase tudo: o mocinho e a mocinha bem pertinhos, quase um s�.
   Paramos e ficamos olhando na v� esperan�a de que o fato se consumasse, mas nada.
   Dia seguinte, Neco disse que os dois j� estavam mais juntinhos. Fui ver. Eu e o Gomes. Ele achou que estavam mesmo um pouquinho sim, mais grudadinhos. Concordei, o Gomes era de confian�a. Encontramos o Neco e confirmamos suas suspeitas - at� domingo o casal estaria no bem-bom.
   O Neco disse que essa noite pegaria sua lanterna e ficaria escondido atr�s da �rvore, focando o facho direto neles. Queria ver o momento exato em que se aproximariam mais alguns mil�metros. "Coisas assim s� acontecem de madrugada", acrescentou, esfregando as m�os.
   Eu e o Gomes duvidamos que ele era macho para isso. O Neco sempre foi papudo. Al�m do mais, dona Janete era en�rgica, capaz de esfol�-lo vivo se ele tentasse sair depois das nove.
   Dia seguinte o cartaz n�o estava mais l�. No lugar dele havia outro em que o Oscarito com quepe de marujo batia contin�ncia. Lamentamos. O Gomes disse que se lembrava bem das figuras e iria desenh�-las para a gente ficar olhando. Coitado, sempre foi melhor em matem�tica. Rasgou tr�s folhas e acabou desistindo.
   � tardinha encontramos o Neco e fomos logo questionando. Ele sorriu, "Vi tudo", disse, e, depois, com cara de privilegiado completou: "Aconteceu. Dei flagrante. Joguei a luz na horinha exata. Ficaram com tanta vergonha que sa�ram em disparada. Podem ir l� ver. Fugiram no duro!".
   Nunca mais vimos o Neco. Talvez ainda bata o mundo perseguindo o tal casalzinho t�mido.
-o0o-
Os Ciscos
  No caramujo morava o barulho do mar. Engra�ado isso juntinho do ouvido. Mas, perverso. Se soubesse antes n�o teria emudecido as �guas, silenciado as ondas. Pediu para voltar de novo domingo e devolver a voz do oceano. Coitado.


   O corpo de uma mulher lhe pareceu gelatinoso. Incontrol�vel. De uma estranha geometria arredondada que afundava � menor press�o. T�o diferente de uma bola oficial.


   De caquinho em caquinho surgiu o lindo mosaico. Colorido, transl�cido, sacramental.
   O sol entrava, espalhando pelo ch�o m�ltiplas geometrias de gemas rebeldes.
   Dava gosto ir � missa das oito. Foi truque do padre!


   � noite faria um teatrinho de sombras para as crian�as.
   Deu temporal. Faltou luz. Ficou tudo uma sombra s�.
Sinopses das Obras Di�rio das Tormentas
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