DIREITO INTERNACIONAL
COMUNITÁRIO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Professora Dra. Julie Schmied Zapata
Sumário:
I – Tema
II – Ementa
III – Programa
IV – Bibliografia recomendada
V – Metodologia e avaliação
I – Tema:
“O direito comunitário europeu e as relações internacionais”
II – Ementa:
O curso visa à familiarização com o Direito Internacional
Comunitário e o processo de integração europeu, abrangendo desde
suas primeiras Comunidades até a União Européia (UE), como a conhecemos
atualmente e como ela se projeta ao futuro.
A União Européia trata-se da organização mais avançada
do planeta em termos de integração multi-setorial, vocacionada
e dotada de estrutura institucional para atuar nos domínios políticos,
legais, econômicos, sociais e das relações internacionais, assim
como no âmbito dos direitos dos cidadãos dos seus atuais 15 e,
proximamente, 25 Estados-Membros, cerca de 450 milhões de europeus.
Considerando que, nos dias de hoje, os diferentes elementos da
política internacional encontram-se relacionados entre si, e cada
vez mais fundamentados no Direito, a complexidade da construção
européia, fruto de estratificações sucessivas, de avanços parciais
e de fortes compromissos, reflete efetivamente este quadro, resultando
na difícil compreensão de seu “edifício” jurídico, que ainda se
encontra longe de uma construção acabada. Assentados seus mais
importantes pilares, a atenção atual na UE está voltada ao “futuro
da Europa”: seu aprofundamento político; seu aperfeiçoamento institucional;
seu alargamento para o leste e Mediterrâneo; sua presença mais
ativa no mundo; sua personalidade jurídica em implantação; a clareza
e o entendimento de sua base legal pelos cidadãos; entre outros
temas de seu novo Tratado Constitucional.
A disciplina está dividida em quatro partes, apresentada
em quatorze sessões ou temas, de 3 horas cada uma (um). Na primeira
parte, são debatidos temas introdutórios da integração européia,
como: suas fundações histórias, suas fases evolutivas, seus processos,
suas políticas e dinâmica particular. A parte seguinte abrange
as competências da União, as suas instituições e o funcionamento
da arquitetura institucional comunitário da UE, com particular
ênfase no Tribunal de Justiça das Comunidades Européias e Tribunal
de Primeira Instância (futuros Tribunal de Justiça Europeu, Tribunal
de Grande Instância e tribunais especializados), e no Tribunal
de Contas. Também inclui os órgão de assessoramento ou consultivos
e as diversas agências especializadas. Como terceira parte, são
apresentados: o ordenamento jurídico comunitário, com os direitos:
originário, derivado e complementar; as relações do ordenamento
jurídico comunitário com os ordenamentos internos dos Estados-membros;
as liberdades comunitárias fundamentais; a Carta dos Direitos
Fundamentais dos Cidadãos Europeus. Finalmente, na quarta parte,
são analisadas as relações exteriores e a cooperação política
externa européia, compreendendo: a personalidade jurídica internacional
da União, em implantação; a conclusão de Tratados e Acordos Internacionais,
incluído o caso particular do atual debate da Associação UE –
Mercosul; a evolução da união política européia; A Política Externa
e de Segurança Comum (PESC) e a Política Européia de Segurança
e Defesa (PESD); a voz e a participação da UE no mundo; e o futuro
da Europa, com ênfase nos efeitos da Europa dos 25 e no Tratado
Constitucional, atualmente em elaboração.
III – Programa:
Parte I – INTEGRAÇÃO EUROPÉIA: HISTÓRIA, PROCESSOS
E DINÂMICA
1 – HISTÓRIA E NATUREZA
DAS COMUNIDADES EUROPÉIAS
1.1 – Gênese da integração européia - os movimentos europeus e
o papel dos líderes
1.2 – O Tratado de Paris (1951) - a Comunidade Européia do Carvão
e do Aço (CECA)
1.3 – Os Tratados de Roma (1957) - a Comunidade Econômica Européia
e a EURATOM
1.4 – O Tratado de Bruxelas (1967) - a fusão das instituições
1.5 - O Ato Único Europeu (1986) - o espaço único e o reforço
das instituições
2 – CONFORMAÇÃO E EVOLUÇÃO DA UNIÃO
EUROPÉIA
2.1 – O Tratado de Maastricht ou da União Européia (1993) - o
Mercado Comum e os pilares da União
2.2 – O Tratado de Amsterdã (1997) - ordenando a União Econômica
e Monetária (Euro)
2.3 – O Tratado de Nice (2001) - o alargamento da União para o
leste e o Mediterrâneo
2.4 – A Convenção Européia (2003), a Conferência Intergovernamental
de Roma e a Constituição
3 - INTEGRAÇÃO EUROPÉIA
E SUA NATUREZA
3.1 – As naturezas política e jurídica da integração. Evolução
da personalidade jurídica da União
3.2 – Definições e Objetivos da União
3.3 – A qualidade de membro da União - “acquis comunautaire”,
adesão e saída voluntária
3.4 – O espaço europeu de liberdade, segurança e justiça
Parte II - AS COMPETÊNCIAS
DA UNIÃO, SUAS INSTITUIÇÕES E O FUNCIONAMENTO DA ARQUITETURA INSTITUCIONAL
COMUNITÁRIA
4 – AS COMPETÊNCIAS
DA UNIÃO E SUAS INSTITUIÇÕES
4.1 – As competências da União – exclusivas, partilhadas e ações
de apoio, de coordenação ou de complemento
4.2 – O Parlamento Europeu e o Provedor de Justiça Europeu (Ombudsman)
4.3 – O Conselho Europeu e o seu futuro Presidente
4.4 – O Conselho de Ministros e o Comitê de Representantes Permanentes
4.5 – A Comissão Européia e o futuro Ministro de Negócios Estrangeiros
da União
4.6 – A tomada de decisão na UE
5 – AS INSTITUIÇÕES
JURÍDICAS DA UE
5.1 – O Tribunal de Justiça das Comunidades Européias
5.2 - O Tribunal de Primeira Instância
5.3 – O Tribunal de Contas Europeu e o orçamento comunitário
5.4 - O futuro Tribunal de Justiça na Europa dos 25
6 – DEMAIS INSTITUIÇÕES,
ÓRGÃOS E AGÊNCIAS ESPECIALIZADAS
6.1 – O Comitê de Regiões
6.2 – O Comitê Econômico e Social
6.3 – O Banco Central Europeu e o Sistema Europeu de Bancos Centrais
6.4 – O Banco Europeu de Investimentos
6.5 – As agências especializadas
6.6 – Debate: “O caso Isoglucose (caso 138/79) e o poder das Instituições”
7 – AS POLÍTICAS COMUNITÁRIAS
E O FUNCIONAMENTO DA UNIÃO
7.1 – O Mercado Interno e as quatro liberdades fundamentais da
União
7.2 – A coesão econômica, a social e a territorial
7.3 – As demais políticas em domínios específicos
7.4 – Debate: “O caso Van Duyn (caso 41/74) e a liberdade de movimento
de trabalhadores”
Parte III – O ORDENAMENTO
JURÍDICO COMUNITÁRIO
8 – AS FONTES DO ORDENAMENTO
JURÍDICO COMUNITÁRIO
8.1 – O Direito Comunitário europeu
8.2 – O direito originário
8.3 – O direito derivado
8.4 – O direito complementar
8.5 – Debate: “O caso Van Gend em Loos (Caso 29/62) e o princípio
do efeito direto”
9 – CARACTERÍSTICAS
DO ORDENAMENTO JURÍDICO COMUNITÁRIO
9.1 – As relações entre o direito comunitário e os ordenamentos
nacionais
9.2 – O efeito direto das normas do direito comunitário
9.3 – Debate: “O caso Costa versus ENEL (Caso 6/64) e a supremacia
do direito comunitário”
10 – OS DIREITOS FUNDAMENTAIS
DO CIDADÃO EUROPEU
10.1 – Os direitos fundamentais e os regimes internacionais
10.2 – A Carta dos Direitos Fundamentais
10.3 – Debate: “O caso Chernobyl (Caso 70/88), o Parlamento versus
Conselho”
Parte IV – A AÇÃO
EXTERNA DA UNIÃO EUROPÉIA
11 – A POLÍTICA EXTERNA
DA UE
11.1 – A Política Externa e de Segurança Comum (PESC)
11.2 – As relações com as Organizações Internacionais
11.3 – Os acordos internacionais e as relações com países terceiros
11.4 - Debate: “O caso dos Verdes (caso 294/83), o Partido Ecologista
versus Parlamento”
12 – A POLÍTICA DE
DEFESA DA UE
12.1 – A OTAN e a União Européia Ocidental (UEO)
12.2 – A Política Européia de Segurança e Defesa (PESD)
12.3 – As novas estruturas políticas e militares permanentes
12.4 – Debate: “O caso Comitologia (caso 302/87), o Parlamento
versus Comissão”
13 – AS RELAÇÕES COMERCIAIS,
ASSOCIAÇÂO E AJUDA HUMANITÁRIA
13.1 – A Política Comercial Comum
13.2 – As relações com os países ACP
13.3 – As relações com o Brasil e a Associação UE - MERCOSUL
13-4 – Debate: “O caso Cassis de Dijon (caso 120/78) e os obstáculos
tradicionais ao comércio”
14 – CONCLUSÃO – O
SIGNIFICADO DA UE E O FUTURO DA EUROPA
14.1 – Debate: “O caso Francovich (caso 6 e 9/90), os direitos
dos trabalhadores e o efeito direto”
14.2 – Debate: “O caso Factortame (caso 221/89) e a política de
pesca”
IV – Bibliografia
Recomendada
Os sítios oficiais da União Européia na internet compreendem a
mais ampla e atualizada fonte de consulta; observa-se que, em
grande parte, seus textos apresentam proteção autoral, à exceção
de tratados e documentos oficiais. Como início, devem ser consultados
os seguintes:
- http://europa.eu.int – A União Européia em linha;
- http://www.delbra.cec.eu.int – Delegação da União Européia no
Brasil;
- http://ue.eu.int – Conselho da UE; e
- http://www.weu.int – UEO.
Em decorrência da constante evolução do tema, a bibliografia tende
a tornar-se obsoleta ou ultrapassada, razão por que se exige especial
atenção a este aspecto. No mercado brasileiro, apresentam-se livros
gerais sobre Direito Internacional Público, que brindam capítulos
sobre o Direito Internacional Comunitário, com diferentes graus
de profundidade. A biblioteca da Instituição apresenta prateleira
dedicada ao tema em estágio de formação.
É indicada esta bibliografia básica a título de orientação, mas
é o mestrando o interessado pela procura e pesquisa.
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Río de Janeiro: Renovar, 1996.
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BARBE, Esther (coord.): Política Exterior Europea.
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Europeia, os Tratados comunitários e os actos fundamentais do
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TEXTOS LEGAIS BÁSICOS: * Especial atenção aos TRATADOS DA UNIÃO
EUROPÉIA
Tratado de Roma, de 25 de março de 1957;
Tratado da União Européia, de 1° de novembro de 1993;
Tratado de Amsterdã, de 1° de maio de 1999;
Tratado de Nice de 1° maio 2001
Projeto de Constituição Européia
V – Metodologia de ensino e avaliação
A disciplina será desenvolvida em 45 (quarenta e cinco) horas
de preleção sobre os temas da ementa e da apresentação e a intervenção
no debate de destacados casos do Tribunal de Justiça das Comunidades
Européias.
A avaliação compreenderá a elaboração de um trabalho individual
escrito (monografia de 7 a 10 páginas de texto original, sem contar
capa, sumário, anexos, apêndices, adendos ou outras partes) e
a sua apresentação e defesa em debate, além da avaliação da participação
nos debates a que for designado.