|
Getúlio Vargas (1883-1954) |
|
|
Getúlio Dornelles Vargas foi ditador e presidente eleito do Brasil. Nasceu em 19 de abril de 1883, em São Borja, RS. Formou-se em Direito e trabalhou como promotor público. Iniciou carreira política no legislativo gaúcho. Em 1922, foi eleito para o Congresso Nacional. Em 1926, tornou-se ministro das finanças. Em 1928, foi eleito presidente (cargo hoje correspondente governador) do Rio Grande do Sul, candidatando-se à presidência do Brasil em 1930, sendo, porém, derrotado nas urnas em eleições repletas de denúncias de fraude. O assassinato de João Pessoa, político da Paraíba candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio, serviu de pretexto para acusar as elites de Minas Gerais e de São Paulo de tentarem perpetuar-se no poder (a "política café-com-leite") - na verdade, o homicídio foi motivado por conflitos locais. Iniciou-se, então, um enorme movimento popular e militar que levaria pelas armas Getúlio Vargas à presidência, a chamada Revolução de 1930, e deporia Washington Luís. Getúlio passou a governar por decreto como presidente provisório até 1934, quando foi eleito indiretamente por uma Assembléia Nacional Constituinte. Em 1937, ele estabeleceu o Estado Novo, passando a governar como um ditador. Desde quando o Marechal Deodoro da Fonseca liderou com sucesso o golpe militar de 15 de novembro de 1889 que pôs fim ao Império - sendo um dos motivos desse golpe o desejo das elites escravistas de vingarem-se da família real pela assinatura da Lei Áurea - o poder fora descentralizado e as elites locais, os chamados "coronéis de barranco", passaram a governar suas localidades como pequenos feudos, onde impunham sua própria lei. Esse hábito autoritário foi uma herança do escravismo, os "coronéis", que eram grandes latifundiários, em sua maioria absoluta descendentes dos antigos senhores de escravos, continuaram a tratar o povo da mesma forma que antes tratavam os escravos negros e índios. O poder dessa elite branca recebia sua base ideológica de grupos conservadores, muitos deles ligados à maçonaria e à Igreja Católica. A chegada de Vargas ao poder simbolizava o aumento do peso político das elites urbanas em relação às antigas elites rurais. Vargas angariou simpatia entre as classes média e baixa, não só devido seu discurso populista (tipo "pai dos pobres"), mas por medidas objetivas como a criação de leis trabalhistas que favoreciam o operariado, p. ex., o salário-mínimo e o voto feminino - as mulheres até então estavam excluídas da democracia "café-com-leite" que Vargas derrubara. Vargas encontrou no Fascismo, em ascensão nos anos '30, a base ideológica para seu regime, aproximando-se dos integralistas, mas não aderiu formalmente à sua ideologia e mesmo teve de enfrentar uma tentativa de golpe por estes, liderados por Plínio Salgado, em 1937. Posteriormente lideranças integralistas como o jurista Miguel Reale colaboraram com seu regime. Getúlio elogiava a miscigenação racial e a explorava em seus discursos, mas suas medidas de governo não se afastaram do antigo projeto racista de branqueamento, assinando ele decretos neste sentido. Em 1937, extinguiu a Frente Negra Brasileira, fundada em 1931 por Arlindo Veiga dos Santos, Abdias Nascimento e outros. Estabeleceu o Dia da Raça, comemorado no primeiro domingo de setembro. Devido à preferência dos empregadores pelos trabalhadores imigrantes em relação à mão-de-obra brasileira (inclusive a branca), Vargas fez constar na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) cotas para brasileiros. Estas cotas também incluíam a área do jornalismo. Vargas também aprovou o estabelecimento do Dia do Índio no Brasil (sua origem é mexicana), possivelmente devido ao fato da data coincidir com a de seu aniversário. Outra medida sua foi a liberação da prática de capoeira, por muitos anos considerada ilícita. Se por um lado Vargas trabalhou contra o liberalismo oligárquico rural, por outro também reprimiu a esquerda, exilando líderes como Luís Carlos Prestes, do PCB. Em seu governo foi extraditada para a Alemanha (então sob governo nazista) a mulher deste, Olga Benário Prestes, judia de nacionalidade alemã. O casamento era um disfarce e ela uma agente infiltrada pela URSS, então sob o governo do ditador Josef Stalin, com a missão de acompanhar Prestes. Seu processo jurídico e condenação final ocorreu antes da instalação, em 10 de novembro de 1937, do Estado Novo e da ditadura de Vargas. Olga morreu num campo de concentração nazista, ironicamente um destino similar a de milhões de prisioneiros mortos em campos de trabalhos forçados do regime stalinista para o qual ela trabalhava. No governo de Vargas houve um grande incentivo à industrialização nacional, foi fundada a Petrobrás e o governo passou a competir com a iniciativa privada. Com o fim da II Guerra Mundial, em 1945, Vargas foi deposto, mas retornou à presidência em 31 de janeiro de 1951 via eleição direta. Seu mandato foi marcado por crise econômica, escândalos de corrupção e pela oposição da velha oligarquia branca rural, com forte presença nas elitistas academias militares. Uma tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, cuja investigação indicou ter sido engendrada por pessoas ligadas diretamente a Getúlio, deu ensejo aos conservadores em exigir a renúncia de Getúlio Vargas. Este preferiu suicidar-se em 24 de agosto de 1954, no Rio de Janeiro, deixando uma carta explicando sua motivação e lançando a opinião pública contra seus opositores. O gesto de Vargas pode ter adiado por dez anos a tomada do poder pelos militares, o que se daria em 31 de março de 1964. Entre os legados dos governos de Getúlio Vargas estão a criação do Correio Aéreo Nacional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, da Fábrica Nacional de Motores e da Usina de Volta Redonda; foi também o primeiro presidente a instituir um ministério do Trabalho, da Educação e da Saúde. |
|
|
Leia também: |
|