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  • O que � transplante?
    Transplante � um procedimento cir�rgico que consiste na reposi��o de um �rg�o ou tecido de uma pessoa doente (RECEPTOR) por outro �rg�o normal de um DOADOR, em geral morto. Existem, tamb�m, transplantes entre pessoas vivas, no caso de �rg�os duplos.

    Transplante � cura?
    N�o. � um tratamento que pode prolongar a vida com melhor qualidade. O transplantado exige cuidados m�dicos constantes e usa uma s�rie de medicamentos pelo resto da vida. � uma forma de substituir um problema de sa�de incontrol�vel por outro sob o qual se tem controle

    Quando os m�dicos indicam um transplante?
    Os transplantes apenas s�o indicados quando todas as outras terapias foram consideradas ou exclu�das. Nesses casos, em geral, os transplantes constituem-se na �nica alternativa de sobreviv�ncia e/ou de melhoria da qualidade de vida.

    O que � doa��o de �rg�os e tecidos?
    A doa��o de �rg�os � um ato pelo qual manifestamos a vontade de que, a partir do momento de nossa morte, uma ou mais partes do nosso corpo (�rg�os ou tecidos), em condi��es de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

    Quem pode ser doador?
    Todos n�s podemos ser doadores de �rg�os desde que n�o sejamos portadores de doen�as transmiss�veis (AIDS, por exemplo), de infec��es graves e de c�ncer generalizado.

    "Hoje, s� n�o � doador de �rg�os quem n�o quer. Mas quem n�o quer ajudar a salvar a vida de algu�m que precisa de uma doa��o? Caso seja voc�, n�o precisa se sentir constrangido. Se um dia voc� precisar receber um cora��o, milhares de brasileiros v�o estar dispostos a lhe doar um que seja bom. Fa�a tamb�m como eles. N�o deixe de ser doador de �rg�os" (De uma pe�a publicit�ria da Ampla Comunica��o)

    Quen n�o pode ser doador?
    N�o podem ser doadores, como explicitado na respostas anterior, as pessoas com doen�as infecciosas incur�veis e c�ncer generalizado, ou ainda as pessoas com doen�as, que pela sua evolu��o tenham comprometido o estado dos �rg�os e tamb�m pessoas sem identidade ou menores de 21 anos sem a autoriza��o dos respons�veis.

    S� � poss�vel doar ap�s a morte?
    � poss�vel tamb�m a doa��o entre vivos (parentes pr�ximos) no caso de �rg�os duplos (rim, por exemplo). No caso do F�gado e do Pulm�o, tamb�m � poss�vel o transplante entre vivos. Neste caso, apenas partes dos �rg�os dos doadores s�o transplantadas para os receptores.

    Por que � dif�cil doar �rg�os?
    N�o � dif�cil, mas alguns de n�s tem medo da morte. N�o queremos preocupa��es com este tema em vida. � muito mais c�modo n�o pensarmos sobre isso. Seja porque "n�o acontece comigo ou com a minha fam�lia". Quanto ao pensamento: "Isso s� acontece com o vizinho ou com os outros" lembre-se de que o vizinho e os outros tamb�m pensam assim.

    Quais (e quantas) as partes do corpo que podem ser doadas para transplante?
    O mais freq�ente: 2 Rins, 2 Pulm�es, Cora��o e F�gado, 2 C�rneas, 2 V�lvulas card�acas, ou 10 partes. Menos freq�ente: Rim e P�ncreas juntos. Fora do Brasil, tamb�m s�o utilizados Est�mago e Intestino. Sem contar pele e ossos e at� mesmo uma parte completa (m�o).

    �RG�OS: Cora��o, Pulm�es, Rins, P�ncreas, Intestino, M�o

    TECIDOS: Medula �ssea, V�lvulas card�acas, C�rneas, Pele, Dura mater, Ossos do ouvido interno, Cartilagem costal, Crista il�aca, Cabe�a do f�mur, Tend�o da patela, Pele, Ossos longos, Fascia lata, Veia safena,

    Posso doar um dos �rg�os duplos (rim, por exemplo) para quem eu quiser?
    Pode, em termos. No caso da doa��o entre vivos, ela pode ser dirigida para um parente at� quarto grau.

    Existe limite de idade para ser doador ou receptor?
    O que determina o uso de partes do corpo para transplante � o seu estado. Em geral, aceita-se os seguintes limites, em anos: Rim (75), F�gado (70), Cora��o e Pulm�o (55), P�ncreas (50), V�lvulas card�acas (65), C�rneas (sem limite), pele e ossos (65).

    Quantas pessoas necessitam de transplante por ano no Brasil?
    Mais de 42.000 pessoas est�o em lista de espera por um transplante. Este n�mero tende a aumentar porque cerca de 30% morre antes de conseguir um doador e menos de 10% recebe um �rg�o doado, a cada ano.

    Eu quero ser doador(a). Que devo fazer?
    A atitude mais importante � dizer para a fam�lia e para os amigos que somos doadores, pois pela legisla��o atual todos n�s somos doadores, desde que a fam�lia autorize a retirada dos �rg�os. Por isso, � muito importante que os amigos e os familiares saibam da sua op��o de doar. Use um s�mbolo (um selo de doador, por exemplo) que indique claramente esta op��o em seu documento de identidade.

    Transplante � a melhor escolha de tratamento para mim?
    Depende do tipo de transplante que voc� precisa. Se voc� � um candidato a um Rim � poss�vel que possa optar em continuar fazendo di�lise pelo resto da vida. Se � candidato a um Cora��o, Pulm�o ou F�gado infelizmente n�o existe tratamento alternativo.

    Qual a chance de sucesso dos transplantes?
    � alta. Mas muita coisa depende de particularidades pessoais, o que n�o permite uma resposta gen�rica. Existe no Brasil pessoas que fizeram transplante de Rim, por exemplo, h� mais de 25 anos, tiveram filhos e levam uma vida ativa normal.

    Como sei se um familiar ou amigo podem doar para mim?
    Se voc� precisa de um Rim, medula �ssea ou parte do F�gado, um familiar ou amigo podem ser doadores. Eles devem ser submetidos a uma bateria de exames de compatibilidade, sempre sob a orienta��o de m�dicos, para determinar esta possibilidade.

    Quais s�o os riscos para um familiar ou amigo se eles doam?
    Existe o risco associado a uma cirurgia de grande porte. Quanto ao risco de preju�zo � sa�de ap�s o transplante, � muito dif�cil de ser avaliado da mesma forma como n�o era poss�vel avaliar a possibilidade de voc� tornar-se um candidato a um transplante, quando a sua sa�de era perfeita.

    Como sou colocado em uma lista de espera?
    Os m�dicos, o candidato e sua fam�lia levam em conta os seguintes aspectos para colocar algu�m em uma lista de espera por um transplante:
    • todas as outras terapias poss�veis j� foram consideradas?
    • o paciente n�o sobreviver� sem o transplante?
    • o candidato n�o tem outros problemas, inclusive psicol�gicos, que inviabilizem o transplante?
    • O candidato tem condi��es para assumir um estilo de vida que inclui o uso cont�nuo de medicamentos e freq�entes exames laboratoriais e hospitalares ap�s o transplante?

    Ap�s ser avaliado se os demais �rg�os n�o est�o comprometidos, se tem condi��es psicol�gicas de, ap�s o transplante, seguir estritamente as recomenda��es m�dicas pelo resto da vida. Voc� estar� recebendo um �rg�o que � um presente de vida.

    Onde posso falar com outras pessoas que est�o passando pela experi�ncia de uma lista de espera?
    Isso � muito importante. Em geral, os m�dicos que lhe indicaram o transplante sabem quem pode lhe orientar. Procure uma associa��o de transplantados ou outra que se disp�e a ajudar pessoas nessa situa��o.

    Quando podemos doar?
    Como j� foi dito a doa��o de �rg�os como Rim, parte do F�gado e da Medula �ssea podem ser feita em vida. Mas em geral nos tornamos doadores quando ocorre a MORTE ENCEF�LICA. Tipicamente s�o pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabe�a (acidente com carro, moto, quedas, etc.).

    O que � morte encef�lica?
    Morte encef�lica � a morte da pessoa, causada por uma les�o do enc�falo ap�s traumatismo craniano, tumor ou derrame. � a interrup��o irrevers�vel das atividades cerebrais. Como o c�rebro comanda as atividades do corpo, quando morre, os demais �rg�os e tecidos tamb�m morrem.

    Ap�s a morte encef�lica todos os �rg�os morrem?
    Sim. Alguns resistem mais tempo, como as c�rneas e a pele. Outros, como o Cora��o, Pulm�o, Rim e F�gado sobrevivem por muito pouco tempo.

    Como as partes do corpo pode ser aproveitadas ap�s a morte encef�lica?
    Por algum tempo, as condi��es de circula��o sang��nea e de respira��o poder�o ser mantidas por meios artificiais (medicamentos que aumentam a press�o arterial, respiradouros, etc..), at� que seja viabilizada a remo��o dos �rg�os para transplante.

    Quando uma pessoa entra em coma, torna-se um potencial doador?
    N�o. Coma � um processo revers�vel. Morte encef�lica, como o pr�prio nome sugere, n�o. Uma pessoa somente torna-se potencial doadora ap�s o correto diagn�stico de morte encef�lica e a autoriza��o da fam�lia para a retirada dos �rg�os.

    Qualquer m�dico pode fazer o diagn�stico de morte encef�lica de um prov�vel doador?
    N�o. Pelo menos um deve ser neurologista. Nenhum deles pode fazer parte da equipe que faz transplante.

    A morte encef�lica pode ser diagnosticada em qualquer hospital?
    Em princ�pio sim, porque o diagn�stico b�sico � cl�nico. Contudo, alguns hospitiais n�o t�m condi��es de complementar esse diagn�stico com um exame laboratorial como a lei exige. Entretanto, desde que haja necessidade, uma equipe m�dica e equipamentos podem ser deslocados de um hospital para outro.

    H� chance de os m�dicos errarem no diagn�stico de morte encef�lica?
    N�o. Se for seguido o protocolo, que est� muito bem documentado, a chance de erro n�o existe.

    � poss�vel o diagn�stico de morte encef�lica apenas com um exame cl�nico?
    Sim, o diagn�stico � cl�nico, mas pela legisla��o brasileira este diagn�stico deve ser confirmado com outro m�todo de an�lise: eletroencefalograma, angiografia cerebral, entre outros. Em alguns pa�ses essa exig�ncia n�o existe.

    Os �rg�os retirados podem ser guardados para posterior transplante?
    Em termos. Ap�s a retirada os �rg�os suportam muito pouco tempo sem circula��o sang��nea: No m�ximo: pulm�o e cora��o (4-6h), F�gado (12-24h), P�ncreas (12-24h), Rim (24-48h), c�rneas (at� 7 dias).

    Quem retira os �rg�os de um doador?
    Desde que haja um receptor compat�vel, a retirada dos �rg�os para transplante � realizada em um centro cir�rgico, por uma equipe de cirurgi�es com treinamento espec�fico para este tipo de procedimento. Ap�s, o corpo � devidamente recomposto e liberado para os familiares.

    Existe algum conflito de interesses entre os atos de salvar a vida de um potencial doador e a retirada dos �rg�os para transplante?
    Absolutamente n�o. A retirada dos �rg�os para doa��o e transplante somente � considerada quando todos os esfor�os para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados.

    Se eu doar os meus �rg�os, ap�s a minha morte o meu corpo vai ser utilizado para estudo em escolas de medicina?
    N�o. Mas se voc� quiser doar todo o seu corpo para estudo voc� pode. Pode acontecer que um cora��o doado n�o seja integralmente transplantado e sim partes (v�lvulas) dele.

    Como funciona o sistema de capta��o de �rg�os?
    Se existe um doador em potencial (v�tima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc., com autoriza��o da fam�lia para que ocorra a retirada dos �rg�os.) a fun��o vital dos �rg�os deve ser mantida. � realizado o diagn�stico de morte encef�lica. Seguem-se ent�o as seguinte a��es:

    (1) Hospital notifica a Central de Transplantes sobre um paciente com morte encef�lica (potencial doador);

    (2) A Central de Transplantes pede confirma��o do diagn�stico de morte encef�lica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compat�vel, a decis�o de quem receber� o �rg�o, passa por crit�rios tais como tempo de espera e urg�ncia do procedimento.

    (3) A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada �rg�o e comunica aos hospitais (Equipes de Transplante) onde eles s�o atendidos.

    (4) As Equipes de Transplante, junto com a Central de Transplante adotam as medidas necess�rias para viabilisar a retirada dos �rg�os (meio de transporte, cirurgi�es, pessoal de apoio, etc.)

    (5) Os �rg�os s�o retirados e o transplantes realizados.

    Quem s�o beneficiados com os transplantes?
    Milhares de pessoas, inclusive crian�as, contraem doen�as cujo �nico tratamento � um transplante. A espera por um doador, que as vezes n�o aparece, � dram�tica. A lista de espera por um pulm�o, por exemplo, � renovada a cada ano porque a maioria morre sem conseguir um doador.

    Como ser doador no momento do �bito de um familiar?
    Um dos membros da fam�lia pode manifestar o desejo de doar os �rg�os ao m�dico que atendeu o familiar, ou � administra��o do hospital, ou ainda, entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomar� as provid�ncias necess�rias. Se a sua fam�lia quer mesmo adotar esta atitude de doa��o, aconselha-se que insista com a equipe m�dica do hospital para que as provid�ncias sejam tomadas.

    Se for tomada a decis�o de doar os �rg�os de um familiar, quanto isso vai custar?
    A fam�lia de um potencial doador n�o paga pelos procedimentos de manuten��o de sua manuten��o. Existe coberturas do SUS para este procedimento.

    Na distribui��o de um �rg�o doado para transplante � considerada a ra�a do doador ou do receptor?
    N�o. Quando um �rg�o � captado por uma Central de Transplante, a ra�a do doador � uma informa��o considerada como registro estat�stico apenas. N�o tem nenhum efeito sobre a distribui��o para receptores.

    Tenho um familiar em lista de espera por um transplante. Sou compat�vel com ele. Se eu morrer posso ser o seu doador?
    N�o. Os seus familiares n�o podem escolher o receptor. O receptor ser� sempre indicado pela Central de Transplantes com base apenas em crit�rios de compatibilidade e de urg�ncia do procedimento.

    Que crit�rios de compatibilidade entre doador e receptor s�o considerados?
    Compatibilidade sang��nea; histocompatibilidade (de tecidos); peso e tamanho do �rg�o. Se existe mais de um paciente com o mesmo perfil para receber o �rg�o, ser� escolhido aquele em estado mais grave. Este poder� ser (ou n�o) um seu familiar.

    Tenho receio de que meus �rg�os sejam comercializados. � poss�vel?
    Isso � um rumor. Tem tantas vari�veis envolvidas, que as chances de comercializa��o s�o desprez�veis. O fato tr�gico e triste � que muitas pessoas acreditam em rumores deste tipo o que contribui para a diminui��o do n�mero de doa��es. Uma coisa � certa: at� hoje, em nenhum lugar do mundo foi comprovado o rumor de que existe um "mercado negro" de �rg�os para transplante. O fato tr�gico e triste � que muitas pessoas acreditam em rumores deste tipo e isso pode contribuir para a diminui��o do n�mero de doa��es. Em pa�ses como a �ndia s�o vendidos �rg�os como rins. Mas l�, essa � uma opera��o legal. N�o � um mercado negro. S�o pessoas pobres que voluntariamente "doam" rins em troca de alguma compensa��o.

    Em meus documentos existe a frase: n�o doador de �rg�os e tecidos. Se, por acaso, eu precisar um transplante no futuro posso ser um receptor?
    Sim. Com toda a certeza. Por isso, voc� n�o vai ser discriminado. Mas lembre-se de que se voc� � doador voc� pode contribuir para a sobreviv�ncia de muitos outros no futuro. A prop�sito, desde janeiro de 2001, n�o existe mais a necessidade de se fazer essa op��o nos documentos de identifica��o.

    Se uma pessoa � doadora e quando chega ao hospital n�o encontraram os seus documentos nem os seus familiares. Os �rg�os ser�o retirados para transplantes?
    N�o. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos sem autoriza��o dos respons�veis, n�o s�o consideradas doadoras.

    Quero ser doador(a), a minha religi�o permite?
    Todas as religi�es encorajam a doa��o de �rg�os e tecidos como uma atitude de preserva��o da vida, um ato caridoso de amor ao pr�ximo e de decis�o individual de seus seguidores.

    As pessoas t�m vida normal ap�s um transplante?
    Os receptores tomam diversas drogas para evitar a rejei��o. Essas drogas, usados pelo resto da vida, podem causar efeitos indesej�veis os quais exigem o uso de outras drogas. Mas as estat�sticas mundiais mostra que mais de 80% do transplantados retornam � vida normal.

    Qual o risco dos transplantes?
    Existe os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte em si. Ap�s o transplante, o principal problema � a REJEI��O. Para prevenir este efeito a pessoa usa medicamentos que debilitam o sistema imunol�gico. Por esta raz�o, est�o mais sujeitos a infec��es e a outras doen�as "oportunistas".

    O que significa rejei��o?
    As c�lulas do nosso sistema imunol�gico percorrem cada parte de nosso corpo procurando e conferindo se algo difere do que elas est�o acostumadas a encontrar. Estas c�lulas identificam um �rg�o transplantado como sendo algo diferente do resto do corpo e amea�am destru�-lo. Isso � rejei��o.

    N�o existe controle para a rejei��o?
    Existe. Em 1983, a barreira da REJEI��O foi parcialmente superada com o advento de uma poderosa droga - a Ciclosporina - que, combinada com outras, inibe as c�lulas do sistema imunol�gico na sua tentativa de destruir o �rg�o transplantado.

    Ocorre rejei��o em todos os transplantes?
    Sim. A rejei��o, potencialmente, existe em todos os transplantes. Quanto maior o grau de compatibilidade gen�tica entre doador e receptor mais f�cil o controle. N�o existe rejei��o somente nos casos de g�meos id�nticos.

    O que acontece se ap�s o transplante ocorrer rejei��o?
    No caso do rim, o paciente retorna para o tratamento de di�lise e entra novamente na lista de espera para um novo transplante. Se o �rg�o implantado for cora��o, pulm�o ou f�gado, um novo transplante tem que ser feito imediatamente, sem o que ocorre a morte.

    Quem faz transplante no Brasil?
    Segundo a ABTO, existem no Brasil cerca de 400 equipes m�dicas cadastradas para realizar transplantes de �rg�os: Rim, Rim/P�ncreas, F�gado, Cora��o, Pulm�o, Medula �ssea, C�rneas, etc. Parte dessa lista est� indicada aqui.

    Posso candidatar-me para um transplante em outro pa�s?
    Pode. Nos EUA, por exemplo, pacientes estrangeiros com indica��o de transplante podem ser inscritos em uma lista de espera. Uma vez aceito, o paciente estrangeiro pode receber um �rg�o com base nos mesmos crit�rios estabelecidos para um cidad�o americano.

    Quem paga a conta dos transplantes?
    Em geral, os transplantes s�o pagos pelo Servi�o �nico de Sa�de (SUS). A maioria dos planos privados de sa�de n�o cobre este tipo de atendimento.

    O que � compatibilidade sang��nea?
    (1) Doador e receptor devem ser compat�veis com respeito ao tipo de sangue. Existem quatro tipos b�sicos de sangue em um sistema de classifica��o conhecido com Sistema ABO. Na ordem de freq��ncia de ocorr�ncia na popula��o, do mais comum ao mais raro s�o: O, A, B, e AB.

    (2) O tipo de sangue de um indiv�duo � determinado geneticamente pelos "alelos" herdados dos pais. Alelos s�o formas poss�veis de um gene, que ocupa determinado l�cus no cromossomo. No caso do tipo sang��neo existe tr�s alelos: A, B e O os quais permitem seis combina��es;

    3) A e B s�o alelos codominantes e o tipo O � chamado de recessivo. Para que o tipo recessivo se expresse em um indiv�duo ele tem que herdar os dois alelos dos pais. Em outras palavras, para ser do grupo sang��neo O ele tem que herdar um alelo O do pai e um alelo O da m�e;

    4) Indiv�duos que herdam um alelo A de um dos pais e outro O � do tipo A; os que herdam um alelo B e outro O s�o do tipo B; se herdam um alelo A e outro B, s�o do tipo AB. Para que se seja do tipo O tem que herdar os dois alelos O, um do pai e outro da m�e;

    5) A ocorr�ncia percentual aproximada dos tipos sang��neos na popula��o brasileira � a seguinte: 49% do tipo O, 25% do tipo A; 22% do tipo B e 4% do tipo AB

    O que � histocompatibilidade?
    (1) Em alguns transplantes, como o de rim, o doador e o receptor, al�m de serem compat�veis para o sistema ABO, ou seja, para o grupo sang��neo, deve ser tamb�m compat�veis em termos de tecidos, isto � histocompat�veis;

    (2) A medida da histocompatibilidade � expressa em termos da Compatibilidade HLA (abreviatura da express�o inglesa "Human Leukocyte Antigens ou Ant�geno Leucocit�rio Humano). Por sua vez, Ant�geno � qualquer subst�ncia capaz de provocar a forma��o de Anticorpos;

    (3) Anticorpos e s�o subst�ncias formadas como resposta a um est�mulo imunog�nico e capaz de interagir com Ant�genos que promoveu a sua s�ntese ou com outro relacionado com ele;

    (4) Quando duas pessoas compartilham os mesmos ant�genos do sistema HLA elas s�o compat�veis, isto �, os seus tecidos s�o imunologicamente compat�veis. Existem v�rios grupos de HLA. Os mais importantes no caso dos transplantes s�o: HLA-A, HLA-B e HLA-DR;

    (5) O tipo HLA de um indiv�duo � herdado dos seus pais; um grupo HLA do pai e outro da m�e. Cada um desses grupos � conhecido como haplotipo. Cada indiv�duo tem, portanto, dois haplotipos de HLA distintos. Os filhos de dois indiv�duos quaisquer da popula��o herdam um haplotipo do pai e outro haplotipo da m�e;

    (6) Cada indiv�duo tem 25% de chance de herdar 2 haplotipos iguais aos de um irm�o; 25% de nenhum dos haplotipos dos seus irm�os e 50% de chance de compartilhar pelo menos um haplotipo com seus irm�os. Logo, cada indiv�duo tem uma chance em quatro (25%)de ter um irm�o compat�vel.

    (7) Entre n�o irm�os, a chance de encontrar-se dois indiv�duos histocompat�veis varia entre 1 para cada 10000 e 1 para cada 100000.

    Quem precisa de um transplante?

    N�o � o prop�sito dessa p�gina descrever as doen�as que levam a uma indica��o de transplante, mas algumas indica��es s�o necess�rias. Os transplantes s�o indicados para resolver os problemas de mal funcionamento de um �rg�o, cuja causa, em geral, tem como base as doen�as a seguir indicadas.

    Cora��o
    Tipicamente, quem precisa de um transplante de cora��o s�o pessoas, em geral entre 15 e 50 anos de idade, com insufici�ncia card�aca grave, que n�o respondem ao tratamento m�dico-cir�rgico convencional. Depois do c�ncer, a causa de morte mais comum, em muitos pa�ses, � a doen�a coronariana, que � uma importante causa de insufici�ncia card�aca e, portanto, uma indica��o freq�ente de transplante.

    A miocardiopatia dilatada idiop�tica � uma outra condi��o que resulta em insufici�ncia card�aca grave. No Brasil, uma causa importante de miocardiopatia dilatada � a doen�a de Chagas.

    As pessoas com insufici�ncia card�aca grave apresentam-se cansadas, com falta de ar ao menor esfor�o ou mesmo em repouso e, em geral, com incha�o (edema) nas pernas e nos tornozelos.

    Rim
    A Insufici�ncia Renal Cr�nica Terminal causada por Glomerulonefrite, Pielonefrite, Doen�a c�stica, Nefropatia diab�tica, Doen�a vascular renal ou Hipertens�o arterial � a causa b�sica de indica��o de transplante renal. O transplante de rim � indicado na insufici�ncia renal terminal, quando a fun��o dos rins � inferior a 10% da sua capacidade de funcionamento.

    O transplante de rim n�o � a �nica maneira de se lidar com a insufici�ncia renal cr�nica terminal. Existe a alternativa da di�lise, que substitui artificialmente a fun��o excretora dos rins. Na Hemodi�lise, o sistema circulat�rio da pessoa � conectado a uma m�quina de di�lise onde o excesso de ur�ia e outros res�duos passam do sangue para um l�quido apropriado. Em geral, esse processo leva de tr�s a cinco horas e tem que ser repetido tr�s vezes por semana, geralmente em um hospital ou cl�nica especializada.

    Outra forma de di�lise � a peritonial ambulatorial cont�nua (DPAC ou CAPD), na qual um cateter fica permanentemente fixo ao abd�men. A pr�pria pessoa introduz o l�quido da di�lise para a cavidade abdominal e a difus�o dos res�duos (ur�ia e outros) se desenvolve no perit�nio. A cada seis horas o l�quido � trocado por um novo, processo que dura de 30 a 40 minutos. Nos intervalos a pessoa exerce as suas atividades normais. A principal complica��o dessa modalidade de di�lise � a infec��o peritonial que pode ocorrer, em geral, como conseq��ncia de contamina��o durante o manuseio do material utilizado.

    F�gado
    Os transplantes hep�ticos tornam-se necess�rios quando a insufici�ncia do �rg�o atinge um grau incompat�vel com a vida. Essa situa��o pode ser resultado de diversas condi��es, sendo a principal delas a cirrose que �, por sua vez, causada, na maior parte dos casos, por alguns tipos de hepatite ou uso abusivo do �lcool. O c�ncer hep�tico prim�rio � considerado uma indica��o para trans-plante de f�gado, embora a malignidade apresente tend�ncia a produzir met�stases. C�ncer hep�tico secund�rio, ou seja, provenien-tes de outras partes do corpo, n�o � indica��o para transplante.

    Pulm�o
    As pessoas portadoras de quaisquer uma das se-guintes doen�as s�o potenciais candidatos a um transplante pulmonar: unilateral (Fibrose pulmonar idiom�tica ou secund�ria, Enfisema pulmonar, Hipertens�o pulmonar prim�ria ou secund�ria) ou bilateral (Bronquiectasias, Doen�a bronco-pulmonar obstrutiva cr�nica - DBPOC - e Fibrose c�stica).

    P�ncreas
    O transplante de p�ncreas tem sido utilizado em tr�s situa��es em pacientes diab�ticos do tipo 1:
    • Pacientes diab�ticos que j� receberam um transplante renal pr�vio, neste caso j� est�o utilizando a imunossupress�o: transplante de p�ncreas ap�s o transplante de rim;
    • Pacientes diab�ticos com doen�a renal grave, em di�lise, necessitando de transplante renal: transplante simult�neo de rim e p�ncreas;
    • Pacientes diab�ticos sem insufici�ncia renal e com diabete de dif�cil controle: transplante isolado de p�ncreas.
    C�rneas
    A Ceratocone, uma deformidade da c�rnea que forma um cone, � uma das principais causas de indica��o de trans-plante de c�rneas. Em geral, n�o ocorre rejei��o.

    Medula �ssea
    O transplante de medula �ssea (TMO) � uma terapia de muita efic�cia para muitas doen�as e n�o s� para leucemia, como costumamos imaginar. Outras doen�as como c�ncer �sseo, a-nemias heredit�rias como a falciforme e a defici�ncia cong�nita do sistema imunol�gico s�o algumas entre v�rias outras tratadas com o TMO.

    A indica��o para um transplante � feita com muito crit�rio. Embora os portadores das doen�as acima mencionadas sejam potenciais candidatos a um transplante, nem todos preenchem os requisitos para serem inclu�dos em uma lista de espera. Al�m de v�rios aspectos m�dicos, s�o ainda levados em considera��o poss�veis problemas que eventualmente possam ter influ�ncia nos resultados em longo prazo, dependentes das condi��es de vida. O m�dico, o candidato e os seus familiares devem levar em considera��o pelo menos quatro quest�es principais:
    • Todas as outras terapias foram tentadas ou descartadas?
    • A pessoa n�o sobreviver� sem o transplante?
    • Excluindo o �rg�o doente, � bom o seu estado geral de sa�de?
    • A pessoa est� psicologicamente preparada para, ap�s o transplante, uma mudan�a do estilo de vida que inclui o uso regular de medicamentos com paraefeitos dr�sticos e visitas freq�entes a um hospital para exames de controle?



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