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Tatuagens: sim ou não?!
Embora
a tatuagem tenha sido estigmatizada como um
símbolo de marginalidade, muitos cristãos têm
marcado seus corpos. Seria esta atitude errada?
Qual é a visão do cristianismo sobre o uso de
tatuagens?
O que leva uma pessoa a fazer uma
tatuagem? A resposta para esta questão é há anos
motivo de estudo de psicólogos, sociólogos,
psiquiatras e outros profissionais que analisam
o comportamento humano.
Em muitos casos a tatuagem
funciona como uma marca de identificação,
servindo como uma bandeira que simboliza a
adesão a um determinado grupo social. Por
exemplo, os chamados metaleiros, skin heads,
entre outros, têm como marca registrada inúmeras
tatuagens espalhadas pelo corpo. A marca também
é usada como uma forma de expressar rebeldia e
inconformismo e pode servir como um grito de
protesto contra o sistema.
A questão é que embora a tatuagem
tenha sido estigmatizada como um símbolo de
marginalidade; de bandido, drogado, subversivo,
há um número cada vez maior de pessoas que estão
se tatuando por pura vaidade ou pela admiração a
este trabalho, considerado por muitos como uma
expressão artística. Contudo, surge no meio
cristão a dúvida: é pecado ou não se tatuar?
Isso agrada ou não a Deus? O que há por trás de
marcas aparentemente inocentes?
A tatuagem sob o ponto de vista
cristão
Não há como ignorar que este
assunto é um tanto polêmico, pois envolve
diversas questões como por exemplo: a intenção
do tatuado, o simbolismo da figura escolhida, a
visão perante a sociedade, o agir no mundo
espiritual, entre outros.
Para refletir sobre o uso dessas
marcas, um exemplo notório é o que acontece nos
presídios brasileiros, onde a tatugem funciona
como um código entre os detentos, e dependendo
do desenho, os outros presidiários podem saber
se a pessoa é perigosa, digna de confiança ou
homossexual, além de indicar que crime cometeu.
Na maioria das vezes essas tatuagens são feitas
à força, principalmente naqueles que são
condenados por estupro, que na cela passam a ser
tratados pelos outros como homossexuais de forma
passiva. Se o detento possui uma sereia, flores
ou borboleta, significa que é homossexual. O
desenho de um punhal cravado no cérebro, três
sepulturas, a imagem de Nossa Senhora Aparecida
e a Cruz do Calvário significam que o preso é
confiável, e que não delata um companheiro sob
tortura. Há desenhos também que designam os
detentos de alta periculosidade, como
assaltantes a mão armada e assasssinos. Por
exemplo, o desenho de uma cobra tatuada
significa que o detento é um homicida.
Justamente pelo número de
questões que o tema envolve, esta matéria está
sendo baseada na opinião de diversos pastores,
de denominações diferentes. Quando perguntados
sobre o uso da tatugem, todos foram
categóricamente contra.
A bíblia revela que Deus planejou
o corpo do homem para ser templo do Espírito
Santo (I Co 6:19) e também deu instrução à
respeito de como o corpo deve ser usado. Segundo
o Pr. Riva Martins (Igreja Batista do Calvário),
a bíblia diz em Levítico 19:28, que ninguém deve
fazer marca nos seus corpos em homenagem a nada.
Nem a mortos, divindades ou qualquer outra
coisa. Diante disso é inevitável o
questionamento: E as pessoas que desejam se
tatuar sem intenção alguma de prestar homenagem
a quem quer que seja, apenas por achar bonito?!
Para responder a pergunta, o Pr. Jorge Abeche
(Igreja Assembléia de Deus Nova Vida) afirma que
as coisas no mundo espiritual são diferentes.
Segundo ele, o mundo espiritual é envolto de
simbolismos, registrados através de pactos, e o
inimigo não está interessado se a pessoa tem
consciência ou não, ele entra aonde existe
brecha, não importando se a pessoa deu ou não
permissão. E já que a tatugem sempre esteve
envolta em misticismo e idolatria, a pessoa
inocentemente acaba marcando o seu corpo e de
alguma forma consentindo com todo este histórico
da tatuagem. “Há várias figuras que foram
consagradas ao inimigo e que podem trazer
maldiçào à vida da pessoa. Jesus disse: ‘Eis que
estou à, e porta e bato. Se alguém ouvir a minha
voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e
com ele cearei, e ele comigo’ (Apoc. 3:21).
Jesus para entrar na vida de alguém, pede
permissão, não invade, já o diabo não age assim,
se ele encontra brecha, toma posse como se fosse
propriedade sua”, ressalta.
Para o Pr. Eduardo Alves (Igreja
Brasileira Missionaria), as únicas marcas que os
cristãos devem ter são as marcas de Cristo, como
relata o apóstolo Paulo na bíblia. O Pr.
Leidimar Lopes (Comunidade Nova Alianca) afirma
que há muitos jovens cristãos que usam
tatuagens, piercings, e suas aparências se
confundem com as pessoas do mundo, e que isso
mostra que estão simplesmente se acomodando ao
sistema deste mundo. “Não devemos imitar o
mundo, este sim é que deve nos imitar,
complementa o Pr. José Carlos da Silva
(Ministério Internacional Resgate). Segundo o
Apóstolo Paulo, em II Coríntios 6:03, não se
deve dar nenhum motivo de escândalo em coisa
alguma, para que o ministerio de cada um não
seja censurado. O mesmo é enfatizado em I
Coríntios 8:13: “Pelo que, se a comida
escandalizar o meu irmão, nunca mais comerei
carne para que meu irmão não se escandalize”.
Quanto aos que ja têm suas
tatuagens, nem tudo está perdido. Os pastores
entrevistados afirmam que há muitos novos
convertidos que trazem uma bagagem da vida que
tinham no mundo, e que neste caso o fato de ter
uma tatuagem não deve ser um empecilho para
estar na presença de Deus. Mas há um alerta,
segundo o Pr Eduardo Alves: “Quando um tatuado
se converte e entende que Jesus é o Senhor,
temos que orar e anular no mundo espiritual todo
pacto que está oculto nas tatuagens. Assim
também a pessoa revela espiritualmente que
aquelas marcas nada tem a ver com a nova vida
com Jesus”.
História da tatuagem
Não
se sabe ao certo quem fez e quando foi feita a
1ª tatuagem no mundo. Pode ser que em algum
espaço no tempo alguém teve um ferimento pequeno
e neste, por qualquer motivo, foi depositado
algum tipo de fuligem e após cicatrizar resultou
em uma marca permanente.
Com o passar do tempo a tatuagem
passou a ser feita intencionalmente e com
objetivos específicos. Ela era praticada entre
várias nações antigas, muitas vezes ligada à
pratica de idolatria ou a determinados valores
simbólicos. O único cadáver com mais de 5 mil
anos totalmente preservado, descoberto nos Alpes
italianos em 1991, apresentava marcas na pele,
que teoricamente seriam tatuagens feitas por
motivos religiosos.
Na idade média, a igreja
católica, através da Inquisição, baniu a
tatuagem da Europa por acreditar que a marca era
demoníaca, como sendo moradia de Satanás.
Por
Kaísa Abeche
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