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Amor e dedicação à obra
missionária
Um missionário há 44 anos na
tribo dos índios Xerentes, no Tocantins, conta
como tem evangelizado este povo. Ele aprendeu a
língua dos índios, os ensinou a escrever em sua
própria língua e ainda traduziu a bíblia para a
língua da tribo.
“Ide por todo o mundo, e pregai o
evangelho a toda criatura”. (Mc. 16:15). Jesus
foi claro ao ordenar aos discípulos que
espalhassem as boas novas a todos os povos e
nações, ordem esta que se estende a todos os
cristãos.
Hoje, quase 2 mil anos depois,
ainda há milhões de pessoas que ainda não
ouviram falar de Jesus Cristo. Você sabia que há
mais de mil povos e tribos que nunca ouviram
falar do evangelho e nem ao menos sabem a
escrita de sua própria língua? Quem faz esta
afirmação é o Pr. Guenther Carlos Krieger, um
missionário que vive há 44 anos na tribo dos
índios Xerentes, localizada na Bacia Amazônica,
no norte de Tocantins, a 80 quilômetros da
capital do estado. Pr. Krieger em entrevista ao
Flórida Gospel BR conta como tem sido este
trabalho de evangelização, em que teve que
aprender a língua dos índios, ensiná-los a
escrever em sua própria língua e ainda traduzir
a bíblia para a linguagem dos Xerentes.
1. Como foi o chamado para este
trabalho missionário?
Quando me converti queria muito
ser útil para Deus. Na época, eu morava em São
Paulo, e logo pensei em voltar para a minha
terra, em Blumenau, Santa Catarina, para
evangelizar o povo de lá, quando um missionario
me chamou a atenção para o fato de que havia
muitos lugares dentro do próprio Brasil, onde as
pessoas nem sabiam o que era uma bíblia, onde
não existiam igrejas. Desta forma Deus começou a
trabalhar comigo e senti que a vontade Dele era
que eu me dedicasse a uma obra em um lugar como
este.
2. Como o senhor chegou até a
aldeia dos Xerentes?
Um missionário que eu conhecia,
havia feito contato com algumas aldeias, e na
ocasião, o cacique da tribo dos Xerentes pediu a
ele que arrumasse um mestre para ensiná-los a
ler e escrever, pois a língua xerente não tinha
escrita. Na visão desses índios, a supremacia
dos brancos era devido ao domínio da escrita e
da leitura. Eles acreditavam que tendo uma
escrita e sabendo dominá-la, seriam fortes e
poderosos.
3. Como foi este trabalho?
Como missionários, eu e minha
esposa tínhamos como objetivo levar a palavra de
Deus aos índios, mas como não fazíamos parte da
cultura deles, tivemos que entrar pela única
porta que tínhamos acesso. Passamos então a nos
dedicar ao estudo e análise da língua,
procurando descrever todos os aspectos
gramaticais da linguagem dos Xerentes.
Fizemos a análise fonética e
elaboramos um alfabeto prático que pudesse
servir para grafar as palavras dentro do
princípio da lingüística moderna. Depois
começamos a produzir material para o uso na
escola, como cartilhas, entre outros. Hoje já
existem livros em xerente, publicados pelos
próprios índios.
4. Como é a experiência de
integrar uma cultura sem que se retire as
caraterísticas próprias dessa cultura?
A mensagem do evangelho liberta
de práticas baseadas na superstição e na
ignorância, que só trazem sofrimento. Isto não
quer dizer a destruição de uma cultura, mas que
dentro das opções que eles passam a conhecer,
vão identificar o melhor para eles. Os Xerentes
são uma sociedade clâmica, cada clâ pinta o
corpo para se diferenciar dos outros. Não há
razão para que um índio convertido deixe de
pintar o seu corpo conforme o seu clã.
5. Qual o resultado de todo este
trabalho?
Estamos prestes a publicar o Novo
Testamento na língua Xerente. O evangelho de
Marcos já foi traduzido e publicado. Há outras
situações também importantes, como por exemplo,
o fato de os índios não terem noção de higiene.
Eles acreditam que muitas doenças são
resultantes dos feitiços dos Pajés. Por isto,
escrevi um livro com o título: “Como surgem as
doenças”, explicando dentro da cultura deles, do
ponto de vista científico.
Atualmente temos mais de cem
índios freqüentando a escola na cidade. No ano
passado um índio concluiu uma faculdade e outros
vão prestar vestibular este ano. Quanto ao
evangelho, muitos já se converteram. Quando eu
cheguei à tribo, ouvia-se os cantos e batuques
invocando espíritos, hoje, é freqúente ouvir os
cantos de louvores a Deus.
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