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O dilema das fofocas
O disse-que-disse não só flui naturalmente de
boca em boca como muitas vezes pode se
transformar numa armadilha perigosa, que pode
ser usada para favorecer ou denegrir alguém
É
engraçado. Toda vez que uma pessoa diz “nem te
conto...”, está justamente avisando que, muito
ao contrário, ela vai rasgar o verbo e contar
pra você, em ricos detalhes, uma história
incrível sobre alguém. É o tipo de frase que
sempre vem acompanhada de um sorrisinho
malicioso, sombrancelhas dramaticamente
levantadas ou, quem sabe, um tom de voz mais
baixo anunciando um segredo, que é claro, vai
tornar o enredo ainda melhor. E entao o que voce
faz? Banca a pessoa socialmente correta e diz
que não se interessa pela vida dos outros? Claro
que não! Aí é que voce se ajeita melhor e apura
os ouvidos para não perder uma vírgula.
Pronto, está formada a rede da fofoca. Rede,
sim, em pelo menos dois sentidos, pois o
disse-que-disse não só flui naturalmente de boca
em boca como, muitas vezes pode se transformar
numa armadilha perigosa, ou seja, trata-se de
uma arma poderosa que pode ser deliberadamente
usada para favorecer ou denegrir alguém. Tem
mais: ao virar um repetidor(a), você pode estar
se transformando em co-autor(a) da fofoca.
Os
principais tipos de fofocas
(Segundo o psiquiatra: Eduardo Ferreira Santos)
Inocentes
Quando ouvimos problemas sérios
de alguém e, por vontade de ajudar, acabamos
contando-o a outros em busca de solucões. Para
nao virar intriga, precisamos ter certeza de que
realmente estamos ajudando. O melhor é, antes,
nos colocarmos no lugar dos envolvidos.
Inventadas
São maldosas, de encomenda para destruir alguém,
fruto de inveja. A pessoa sabe do que está
falando. Também existem fofocas sem fundamento
feitas por pessoas com compulsão para mentir ou
pelo menos que aumentam o que ouvem. Gente assim
sente um enorme vazio interior, e, quanto maior
for a história, mais emocionante e excitante
será a vida.
Cíclicas
Às
vezes a ocasião faz o fofoqueiro. Passamos por
fases de auto-estima baixa em que o sucesso do
outro nos atinge como uma provocação. Fica tão
difícil ouvir que as pessoas estão bem, enquanto
nos sentimos mal, que tentamos encontrar
defeitos nela e anunciá-los aos quatro ventos.
O
que diz a bíblia
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Sl. 34:13: “Guarda a tua língua do mal, e os
teus lábios de falarem enganosamente”.
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Pv. 10:31-32: “A boca do justo produz sabedoria
em abundância, mas a língua perversa será
exterminada. Os lábios do justo sabem o que é
bom, mas a boca do ímpio somente o que é
perverso”.
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PV. 21:23: “O que guarda a sua boca e a sua
língua guarda das angústias a sua alma”.
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Pv. 12:18-19: “Há alguns cujas palavras são como
pontas de espada, mas a língua dos sábios é
saúde. O lábio veraz permanece para sempre, mas
a língua mentirosa só dura um momento”.
Como não cair na tentação
1.
Pense sempre antes de falar, isso é válido para
a vida.
2.
Avalie o que vai dizer. Qual o seu objetivo
real?
3.
Tente imaginar como aquela revelação afetaria a
vida dos envolvidos.
4.
Não há outro meio de ganhar a confiança ou a
cumplicidade de alguém, sem apelar?
5.
Lembre-se que a mentira tem “perna curta”, e que
o tiro pode sair pela culatra: nem sempre a
fofoca é bem recebida.
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