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Quem
sou, para onde vou
Para os 99,99% da população que não sabem quem eu sou
(o outro 1% é a editora da Viés), o meu nome é Claudia
Tajes e eu sou publicitária. Acontece que eu escrevi meu primeiro livro
e o André Takeda, velho conhecido de todos, recomendou para a Carmela.
Não fosse isso, a Viés e eu, provavelmente, jamais nos cruzaríamos
na vida. Eu não teria sido convidada para escrever na revista. Nunca
ganharia uma coluna, assinada e tudo, mesmo que a minha assinatura não
signifique muita coisa para os 99,99% da população acima citados.
E não teria passado cada segundo dos últimos dias pensando em
um bom assunto para escrever nessa estréia.
Eu queria parecer informada e erudita falando sobre o ensino universitário,
mas não sou a pessoa mais indicada. Comecei a minha vida acadêmica
abandonando a faculdade de Geologia da UFRGS, depois a de Jornalismo e, finalmente,
a de Publicidade. Se o reitor da Unisinos ouve isso, me tira daqui a tapa.
Depois eu pensei em me mostrar moderna e interessante escrevendo sobre comportamento.
Relações homem/mulher, homem/homem, mulher/mulher, homem/ovelha
e todas as variáveis possíveis. Mas também não
sou exatamente uma PhD nisso, e resolvi deixar o tema para os mais capacitados.
A editoria achou que política não era o melhor caminho para
a coluna. Cinema, literatura, música, cultura, a Viés já
tem seções específicas que comentam esses assuntos. Sem
falar que eu seria expulsa se fizesse a resenha do filme que vi no sábado.
Prometi a mim mesma que não contaria para ninguém, mas vá
lá, aqui estamos entre amigos: foi o Xuxa Pop Star. Não
me entendam mal, eu tinha prometido levar as minhas sobrinhas. E depois, não
foi tão ruim assim. Pelo menos a Marlene Mattos não fez uma
participação
especial nua e dançando o tchan.
Sobre o que mais eu poderia falar? Pensei na novela Laços de Família,
que até capa da Veja já foi. Mas não consigo assistir
a um capítulo sequer, choro sem parar com o drama da Camila, da Helena
e do cavalo Vilão, que não é o Pedro e sim o eqüino
doente da Íris. Perdida entre tantas dúvidas, acabei escrevendo
sobre o nada e o meu espaço terminou.

Mês que vem prometo ser mais profícua e profunda. Até
lá, reclamações com a Carmela e o Takeda.
E, por enquanto, muito prazer.
Claudia Tajes é redatora da DCS Comunicações
e lançou o livro Dez (Quase) Amores pela L&PM.
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