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It's so strange,
de
Diego Goulart





É tão estranho, são três e trinta e três e o sono não veio. Ouço Fiona Apple para tentar dormir. Mas os pensamentos, aqueles mais tortuosos me fazem ficar acordado. Elaborando mil planos. Matando mil pessoas. Chorando por outras.

Quando será que ele virá? Depois da raiva, do temor e da tristeza? Fico esperando e esperando... esperando... mas a espera me deixa mais ansioso e desperto.

Descobri. Descobri porque ages desta maneira. Descobri porque somos o que somos. Nada mais que amantes atraídos pela luxúria, pela sodomia.

Quando será que ele virá?

Ao ver Mulher na Janela lembro-me de uma imagem da infância. Por que será que sempre lembramos da infância? Momentos felizes e ingênuos onde o mundo parecia ser bem menor do que é hoje. Festa de aniversário, amigos, brincadeiras inócuas. Época em que a felicidade podia custar 1,99. Por que o passado sempre nos parece tão doloroso?

Quando será que ele virá?

Tudo parece tão confuso. Olho o relógio. Três e trinta e seis, o tempo se recusa a passar. O teto nunca foi tão boa companhia quanto hoje. Vejo nas paredes, mesmo com a luz escassa, as pinturas de Goya, Dalí e Bosch. O Jardim das Delícias Terrenas, tons vermelhos, amarelos. Ou será laranja? As cores assim como as pessoas me confundem. "If I could ask God just one question/ Why aren't you here with me?"

Quando será que ele virá?

Degas me lembra a desilusão sentada em uma mesa de bar, quiçá diante de um copo de absinto. A melancolia está presente à cena. As cores frias criam o ambiente enfadonho. Ou algo como "um café à noite, visto de fora. Uma enorme lanterna amarela ilumina a esplanada e lança luz até as pedras da rua. As fachadas das casas dessa rua, que se prolonga sob o céu estrelado, são em azul-escuro ou violeta. Aí tens um quadro de noite sem preto, só com azul, violeta, verde e amarelo." Sempre o amarelo.

Quando será que ele virá?

Hoje eu ri da desgraça de uma pessoa. Agradeci por uma ter morrido. As pessoas são hipócritas, mesquinhas, supersticiosas, dissimuladas. Não consigo agüentar essa raiva latente que teima em dilacerar minha noite. O disco toca repetidas vezes e a letra da música ecoa na minha cabeça constantemente. "You'll never see -- the courage I know/ Its colors' richness won't appear/ within your view/ I'll never glow -- the way that you glow/ Your presence dominates the judgements made on you/ But as the scenery grows, I see in different lights/ The shades and shadows undulate in my perception/ My feelings swell and stretch, I see from greater heights/ I understand what I am still too proud to mention -- to you/ You'll say you understand, but you don't understand/ You'll say you'd never give up seeing eye to eye/ But never is a promise, and you can't afford to lie."

Quando será que ele virá? Quando enfim descansarei desse tormento? Essa noite perdura ávida dentro da névoa mais densa e rasteira da minha imaginação, procurando por conflitos antes ignorados.

"Are you na illusion or am I just getting stoned"

Acho que ele não vem...

Você nunca verá a coragem eu sei/ Essas cores ricas não querem aparecer no interior do seu olhar/ Eu nunca brilharei - o caminho que você brilha/ Sua presença domina o julgamento feito sobre você/ Mas os cenários crescem, eu vejo diferentes luzes/ A penumbra e a sombra ondulam em minha percepção / Minha sensibilidade cresce e estende, eu vejo do alto/ Eu entendo o que eu estou ainda também orgulhoso para mencionar - para você/ Você dirá você entende, mas você não entende/ Você dirá você nunca desistirá olhando olho no olho/ Mas nunca é uma promessa, e você não pode dar-se ao luxo de mentir.

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