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Vamos pegar
uma praia?

>> Aline Adolphs



Eu não queria ver. Tinha medo de que o diretor Danny Boyle, dos sensacionais Trainspotting e Cova Rasa, me decepcionasse.

Leonardo di Caprio é um bom ator - que se faça justiça - mas deixou todos escaldados depois de Titanic. Amo Ewan McGregor. Queria vê-lo no filme.

Graças à insistência dos amigos, aluguei o vídeo. E o inesperado aconteceu: gostei.
E gostei muito!

À primeira olhada, o que se vê de mais interessante é a fotografia. As locações paradisíacas são estimulantes aos olhos. Dá vontade de entrar na TV e sair nadando naquele mar, com tubarões e tudo. Depois vem a história: um cara encontra em um hotel fuleiro, outro cara prá lá de estranho que conta a ele sobre uma praia perfeita, onde vive uma sociedade com regras próprias. O tal lugar, além de belo, também é o paraíso da marijuana. A erva de cinco pontas, verdinha, verdinha, em se plantando dá às ganhas.

O fato é que o esquisitão (em uma participação meteórica e injusta de Robert Carlyle) se mata e deixa de "herança" para Richard (di Caprio), o mapa da mina, ou melhor, da praia. Não querendo viajar sozinho, convida o casal francês , Etienne e Françoise (Guillaume Canet e Virginie Ledoyen) a acompanhá-lo na expedição. Não é necessário dizer que os aventureiros encontram a tal praia. Porém, o que se vê dali em diante é a "cara" de Boyle: relações em crise, pessoas "diferentes", loucura e inserções da cultura pop - tanto na ótima trilha sonora, quanto nas cenas que lembram um video-game e tornam a narrativa movimentada, livrando-nos de um remoto tédio.

Um conselho: assista.
Se não gostar, ponha a culpa em mim, ok?







Adendo - soundtrack


A trilha sonora do filme mixa a fascinação tecnológica com uma viagem pela natureza selvagem. Apresenta diversas faixas de eletrônica como Underworld em Ball, Leftfield em Snakeblood e outras mixadas com som futurista. New Order aparece em Brutal, representando o distinto final de seu espectro e um mix de guitarra pesada além do usual. Asian Dub Foundation aparece com uma moderna interpretação de Lee Scratch Perry em Return of Django. Sugar Ray expande seus arranjos com um calipso groove de Brian Eno e John Cale em Spinning Away, Blur remixa On Your Own para que soe como um arruaceiro video game. Orbital dá sua colaboração para a faixa final, Beached.

O roteiro do filme foi baseado no livro do inglês Alex Garland, 30 anos, The Beach.

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