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Razão e sencibilidade
>> Manuela Martini Colla






Eu nunca tive ídolos nessa história de rock and roll. Tive a minha fase Iggy Pop, é verdade, mas passou logo. Agora, o cara que eu mais admiro nesse negócio é o Neil Young. Ele, definitivamente, sabe das coisas... ô se sabe.

E foi justamente por ler que o novo trabalho solo do Nando Reis, Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro, tinha uma semelhança absurda com as canções folk do meu canadense favorito, o Neil, que o comprei. Me dei o disco de presente, em uma tarde ensolarada, e mal pude esperar pra escutar. E não me decepcionar.

Que as letras de Nando tratam de assuntos tipicamente cotidianos, todo mundo sabe. Mas um disco dedicado a melodias assim, tão lindas, eu não esperava. Violões, bandolins, flautas e cellos recheiam todo o álbum, produzido por Jack Endino (produtor do Bleach, primeirão do Nirvana), por Tom Capone e pelo próprio Nando. A primeira música, Dessa vez, está tocando direto nas rádios e é uma canção pop perfeita: "É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer" é o primeiro verso de todo o disco. Doce, muito doce. O detalhe: quem toca bandolim nessa música é um tal de Peter Buck, duma bandinha chamada R.E.M. Ele também participa em Frases mais azuis, tocando guitarra.

A música seguinte, All star, é dedicada a Cássia Eller e trata de... tênis. Sim, "estranho é gostar tanto do seu All Star azul", canta singelamente o menino. Aliás, outra música do disco, O vento noturno do verão, é dedicada a Gal Costa. E na primeira página do encarte, há o warning: 'Para Vânia'. Sim, ele dedicou o disco à mulher. Como o Neil Young faz, se é que vocês me entendem. Amor no casamento, velhos cães, bons amigos, essa é a idéia e a semelhança entre eles.

Hey babe é, de longe, a música mais roqueira do disco todo. Na letra e no arranjo, sem deixar o romantismo de lado: "mesmo que eu não possa ouvir a tua voz/ Não faz mal/ Não me fez tão mal". Em compensação, Quem vai dizer tchau? ganha o troféu tristeza do álbum. Comovente, a música pergunta aquele tipo de coisa que não tem resposta, tipo "Quando aconteceu? Não sei. Quando foi que eu deixei de te amar?". Some essas palavras à teclados em evidência, violão e você tem mais uma canção pop perfeita.

O vento noturno do verão, aquela feita para a Gal, é um quase blues de arrepiar. A única coisa que me desagradou foi o refrão, com aqueles trocadilhos 'espertos'. Mas eu sou suspeita, raramente gosto de trocadilhos. Eles sabem também usa desse artifício, mas de maneira bem mais interessante, mas seria preciso transcrever toda a letra pra entender.

Enfim, dispensável é ficar aqui destilando comentários elogiosos sobre o segundo disco solo do mais talentoso dos Titãs. Escute, compre, roube, grave. Vale a pena, e as revistas especializadas não estavam mentindo ao elogiar o disco.

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