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Entrando numa quente
>> Carmela Toninelo

Uma boa comédia é construída cercada de reconhecimento e identificação. Não importa como a ridícula farsa que te faz rir aparece na tela. Há algo lá, que simplesmente te excita porque você já passou por algo parecido. E não há lembranças românticas suficientes para deixar qualquer pessoa extremamente orgulhosa de ter conhecido os pais de um amante. E é sobre esta premissa universal que teceu-se um dos filmes mais graciosos no gênero comédia do último ano.

Entrando numa fria não poderia iniciar de forma melhor. Uma tomada aérea do lago Michigan, em Chigago, ao som de A fool in love de Randy Newman (Newman assina todas as faixas da trilha sonora).

Ben Stiller é um mestre em passar-se por bobo adorável. Aqui, ele segue a linha de Quem vai ficar com Mary?, mas o esforço maior é conseguir ser aceito pelo futuro sogro, Jack.

Jack é Robert de Niro em uma performance controlada e bela. Ele encara o papel de agente aposentado da CIA de forma assídua e, às vezes, insana.

O mundo colide ao redor de Stiller e a agonia do personagem é muito bem recebida pelos telespectadores. Afinal, será que depois de tanto sofrimento e catástrofes inimagináveis, ele conseguirá ser feliz?

Jay Roach, o mesmo diretor de Austin Powers prova, em Entrando numa fria, que já se tornou o queridinho de Hollywood em direções do gênero. Aqui ele tenta ser romântico, não chega ao climax de virar platônico, mas te faz sair do cinema com dor de estômago, não pela pipoca amanteigada ingerida, mas sim pelas risadas proporcionadas em momentos perfeitos.

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