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Leia-me
por favor
>> Manuela Martini
Colla
Lou Reed: Estou completamente sozinho. Ninguém pra conversar.
Dá uma chegada aqui, daí posso falar com você...
Quem
se atreveria a não ler um livro cuja primeira frase fosse a transcrita
acima? Você pode até não se interessar pelo punk rock,
nem saber quem são as pessoas que fizeram história nesse movimento,
mas Mate-me Por Favor é uma leitura obrigatória pra quem
gosta de histórias orais e literatura pop. São 443 páginas
que mudaram a minha vida, ridiculamente. A partir dessa leitura, eu comecei
a amar o punk rock, eu descobri quem era Iggy Pop, as groupies,
as drogas. A música.
O livro não é nada maniqueísta e faz um retrato fiel
da época em que o punk rock esteve no seu auge: o final da década
de 60, começo da de 70. Na realidade, o livro, de Legs McNeil e Gillian
McCain, faz o grande favor de esclarecer que, ao contrário do que muitos
pensam, o punk não é londrino, e sim americano. Lá
pelos idos de 1968, a Factory de Andy Warhol dava o tom da pop art,
e inspirou a criação do Velvet Underground, banda liderada
pelo mutley de plantão Lou Reed.
Mas a estrela do livro é outra: Iggy Pop. Ele aparece como o
grande star do movimento punk, o cara mais cool de todos, sempre detonado,
selvagem e brilhante. Ele (e os Stooges), os New York Dolls,
o MC5, Patti Smith Group, Television, Ramones
e muitas outras bandas fizeram o autêntico rock and roll sair
daquele mundo de virtuosismo e posers do Led Zeppelin e dos The
Doors. Eles eram junkies de verdade, ao contrário dos oportunistas
dos Sex Pistols. Só pra se ter uma idéia:
Legs
McNeil: 'Ah, Sid, você acha que daria pra se juntar a Johnny
no sofá pra fazer uma foto dos dois?' Sid Vicious disse: 'Vá
se foder'.
'Ok, então, Johnny (Rotten), dá pra eu fazer uma sozinho de
você no banheiro?'
'Dá o fora!'
'Mas é pra capa da Rolling Stone...' disse o fotógrafo.
'BEM, E ENTÃO MEU CABELO ESTÁ BOM?' guinchou Johnny enquanto
puxava
aquele cabelo seboso e fosco, formando dois chifrinhos. Foi muito engraçado,
mas na real a cena toda era muito deprimente.
Enfim.
O livro é todo romanceado, e também é cheio de fofocas
picantes, que interessam a qualquer pessoa familiarizada com os principais
personagens do punk rock. Mas eu sou suspeita - costumo dizer que esse
é o livro da minha vida. Tanto que, apesar do peso, ele é figurinha
fácil na minha mochila. Aliás, o convite pra escrever essa resenha
surgiu exatamente quando saquei ele de dentro do mochilão e resolvi
ler o capítulo final para uma pequena multidão de tatuadores
embasbacados - com as histórias, eu espero.
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