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Loucura,
violência, sexo e... música A realidade
é outra, não há dia ensolarado. Aqui já entra outro ingrediente da mente criadora de Kubrick: a violência. Os quatro drugues estupram uma mulher até a morte. Enquanto penetra a vítima, Alex canta feliz da vida Singing In The Rain, cuja original de Gene Kelly está no CD.
E o sexo já está na roda. As cuecas, os porretes e os leitinhos para ficarem fortes e carregarem a agressividade seriam um prato cheio para Freud, se estivesse vivo. Durante os pensamentos em voz alta de Alex no início do filme, toca Title music from a clockwork orange. Noutros momentos desses, pode-se ouvir Theme from a clockwork orange beethoviana. As duas são sequências de timbres sintéticos, tipo Vangelis em Blade runner. Quem assina a trilha é Walter Carlos, que toca erudito com sintetizador. Ele tem estilo único. Suas músicas são hipnóticas e misturam futurismo com medievalismo. (Uma curiosidade contada pelo amigo doutor Sérgio Euclides: Walter Carlos hoje em dia é mulher, trocou de sexo.) Na cena
em que duas mulheres se revezam na cama com Alex, as transas e trocas de roupa
aparecem em câmera rápida. E a música é perfeita:
William tell overture, de Rossini, aquela do Correspondente
Ipiranga Rádio Gaúcha. Se a original já dá impressão
de cavalos correndo, espere para ouvir esta versão de Carlos. Quando é preso, Alex serve de cobaia para um programa de reabilitação psicológica. Os médicos escolhem a música preferida do rapaz, Nona Sinfonia de Beethoven, para ele relacionar inconscientemente com as torturas visuais que passou a sofrer. A bela composição do senhor Ludwig Van pode ser ouvida em três faixas, duas versões do Quarto Movimento e uma do Segundo. Os quase-vocais são interessantes e até meio cômicos. A musiquinha usada no Cine Vídeo Toque, da Ipanema, também está no álbum. Chama-se I want to marry alighthouse keeper e é de Erika Eigen.
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