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A mágica da leitura
>> André Takeda



Uma das maiores máximas da literatura no Brasil é justamente aquela que explica por que livros nunca foram prioridade no país: brasileiro não gosta de ler. É uma forma simplista de explicar um hábito que quase inexiste na nossa população, mas, se formos analisar o que há por trás disso, poderemos encontrar algumas respostas mais adequadas. A verdade é que o brasileiro não aprendeu a gostar de ler.

O hábito de ler começa na infância e na adolescência. É óbvio, não? Sim, é óbvio, mas se já é difícil um jovem ter o incentivo pela leitura em sua própria casa, a escola, salvo raras exceções, destrói com todas as chances de formar um aluno com paixão pelos livros. Afinal, os alunos saem do primeiro grau, quando histórias juvenis estão no currículo, e, quando estão no colegial, pulam direto para os clássicos brasileiros. Nenhuma pessoa de 14 anos de idade tem como gostar de Machado de Assis, por exemplo. Sim, ele é o maior escritor da língua portuguesa, mas Machado de Assis é assunto para faculdade e olhe lá.

No entanto, o problema não é apenas o currículo escolar. Enquanto temos muitas opções de livros infantis, o público infanto-juvenil não encontra muitos títulos nas prateleiras. A maior exceção provavelmente seja a coleção Para Gostar De Ler, da Editora Ática. Mas, desde o segundo semestre do ano passado, um novo exemplo chegou às livrarias. Mais do que um exemplo, a série Harry Potter é um verdadeiro fenômeno mundial que, felizmente, está fazendo milhões de crianças brasileiras a gostarem de ler.

Mas, afinal, qual é o segredo de Harry Potter? Na verdade, não há nenhum segredo. J.K Rowling buscou nos clássicos livros de aventuras juvenis a velha fórmula do herói que ainda não conhece seu talento. Como o D'Artagnan de Alexandre Dumas, Harry Potter é um predestinado. E é totalmente ignorado pela família, lembrando a pequena Matilda de Roald Dahl. Não há como deixar de lembrar também das aventuras da Inspetora (uma série publicada nos anos 80 pela Ediouro) quando vemos o aprendiz de bruxo e sua turma envolvidos em tramas misteriosas. E, mesmo com tantas semelhanças, Harry Potter é uma leitura refrescante e, sobretudo, viciante. Você não consegue deixar o livro de lado, e depois que um volume é devorado, a vontade é começar a ler o próximo no mesmo momento.

O grande mérito de J.K. Rowling é criar um mundo de fantasia paralelo ao mundo real (o mundo dos bruxos) de uma forma totalmente verossímel. Seus bruxos são pessoas normais. Eles têm medo. Eles choram. Eles contam piadas. Eles sentem inveja. E Harry Potter é uma criança que, no fundo, apenas quer ser feliz e conhecer seu passado.

Abrir as páginas dos livros de Harry Potter é um dos maiores exemplos de como se aprende a gostar de ler. E não importa se você tem 9 ou 28 anos de idade. A mágica é garantida.

Observação do autor: Se você não acredita na qualidade literária de Harry Potter, lembre-se: no livro, os bruxos chamam as pessoas normais de trouxas.

 

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