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D e s p a i r
de Diego Goulart



Como posso dizer que o que sinto?
Há tanta coragem
Tanta covardia
Dentro do silêncio mais reflexivo do meu ser
Há gritos
Gritos desesperados que anseiam serem gritados
Gemidos de dor
De solidão
Palavras doces
Tenras de carinho
Uma acovardada coragem que sucumbe às sombras da incerteza
Que acalenta a esperança
Mas alimenta a angústia
Não há bálsamo suficiente para esse sofrimento latente
A paixão convalescente derrama suas lágrimas
Apagando novamente as chamas da paixão reverberante
Sinto-me um fracasso
De ser
Quando não pude compreender
O que realmente teus olhos quiseram dizer
Quando a incapacidade de me fazer amar
Solidifica este músculo que, em mim, insiste em pulsar
Só preciso permitir me libertar e contigo voar

Depois de tanto divagar
Vejo o momento
Partiu
Sem que eu pudesse me entregar
Agora nem sei mais o que pensar
A parte mais importante de mim morreu
Não conheceu o amor
Mas almejou amar
Não teve coragem de sobreviver
De gritar
Se rebelar

 

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