..................
Copyright © 2000
UNISINOS - Todos os direitos reservados

Quinteto da maioridade
>> Carmela Toninelo


"if you think growing up is tough/
then you've just not grown up enough, baby
"




E os meninos do Barenaked Ladies cresceram. Na estrada desde 1988, Maroon é o sexto disco dos cinco canadenses Jim Creeggan, Tyler Stewart, Steven Page, Ed Robertson e Kevin Hearn.

Se você nunca ouviu falar deles, vale lembrar que os meninos integraram a primeira trilha sonora do seriado Friends, com Shoe Box, em 1995. Têm como produtor, Don Was, um homem que ganhou respeito e admiração por demais produções como The Rolling Stones, The B-52's, Bonnie Raitt, Iggy Pop e Paul Westerberg.

Os meninos hoje estão casados, com belos filhos, casais de gatos e cachorros em suas simpáticas casas, localizadas no estado de Ontário, Canadá. Cena de vida adulta, mas eles permanecem as mesmas caricaturas engraçadas que, em 1990, alcançaram as estações alternativas de rádios canadenses.

Foram belos anos de esforço, demo tapes, tours, singles, EPs e novos discos, até o single One Week, de 1998, que deu à Barenaked Ladies o primeiro lugar na Hot 100 da revista Billboard. Vieram as aparições na televisão, de The Tonight Show com Jay Leno a convidados em Saturday Night Live. Cresceram, e cresceram virando pop music ao tocar em estádios lotados por todo os Estados Unidos e Canadá.

E que assim seja, Barenaked Ladies é uma bela banda pop. Daquelas que te faz mexer os pés enquanto ouve uma música, ou ficar louco para acompanhar as líricas de uma música.

Maroon chama a atenção por ser um disco ainda cheio de letras inteligentes e arranjos criativos. A novidade é que, hoje, os meninos estão tratando mais de assuntos obscuros e animosidades da maioridade. Os temas variam de relacionamentos infelizes a acidentes fatais de carro, além de uma palhinha sobre assuntos políticos. Todos com a expressividade comum da fragilidade da vida, enfatizada pela bonus track não listada, Hidden Sun, uma pacífica mas triunfante reflexão escrita pelo tecladista e sobrevivente de câncer, Kevin Hearn.

Mas o álbum não é excessivamente sério. A mágica é que BNL disfarça todos os dramas líricos através de flexíveis e alegres faixas pop, ricas em harmonia e ganchos. Pegue, por exemplo, Pinch me e Falling for the first time, cantadas pelo guitarrista Ed Robertson. Enquanto a primeira lembra de cara Sheryl Crow, a segunda remete a uma versão mais rapidinha e melhorada de Hottie and the Blowfish. São líricas zombeteiras, que vão de "I just made you say underwear," para uma vibratória descrição em um catálogo de inseguranças humanas "I'm so cool/ Too bad I'm a loser." Isso tudo sem contar na hábil melodia e uma pancada memorável de guitarra firme.

Uma arena de riffs abre o disco com Too Little Too Late.Never Do Anything e The Humor of the Situation são conhecidas estruturas exibidas em discos anteriores. Baby Seat tem uma arrastada batidinha rock que ilumina o som agudo de Go Home e seu impetuoso sentimento provinciano.

Maroon só vacila no exagerado drama teatral de Sell, Sell, Sell e na valsinha de Tonight is the night I fell asleep at the wheel. A leveza do jazz em estilo dança cubana "rhumba" está em Conventioneers, que narra a história de dois colegas de trabalho após uma noite de amor.

O disco é a maioridade de cinco canadenses que viraram pop. Tão pop quanto um episódio reprise ou inédito de Friends.

 

página central
Hosted by www.Geocities.ws

1