porque se você não passou pelos anos 80, nos desculpe...
eles foram os anos pululantes do que há de bom.
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>> Aline Adolphs, Manuela Colla e Carmela Toninelo
::. imagens gráficas só no dia seguinte. vide embaixo .::


Há tempos não parava em um bar. Esta vida atropelada não dá espaço para mais nada! Mas, eis que noite dessas estávamos sentadas eu, Cams e Manu, tomando uma ceva no Pontinho, depois da aula. Conversa pra cá, conversa prá la, Manu solta a declaração: "nunca joguei Gênius". "Como assim guria?", explodi, "tu não teve infância?". "Sei lá. Lembro do War, do Pogobol...mas nunca joguei Gênius. Isso é frustrante!". "E Senha, tu já jogou? Detetive, Banco Imobiliário, Jogo da Vida... Por acaso tu assistia o Bozo? Lembra do garoto Juca?" Bons tempos... Simony era uma pureza só e a Xuxa fazia filme de sacanagem! Eu ia para a escola com o meu quichute, levando os cadernos cheios de figurinhas do Ploc Mosters. Chegava o recreio, comprava uma pastelina no bar e ia brincar de menino-pega-menina, de pimentinha, pimentão ou de caçador.

Em casa, ficava criando estórias com a coleção Moranguinho, que eu tinha pela metade, enquanto assistia Os Trapalhões na tevê sem controle remoto. Aí, sargento Pincel! No rádio tocava Não se Reprima, dos Menudos, enquanto o Gugu grita "viva a noite, viva, viva!". Eu ficava acordada até tarde, porque depois vinha o Comando na Madrugada. Nunca falei isso pra ninguém. Mas pra vocês, eu conto... comecei a pensar em ser jornalista desde o dia em que o Goulart de Andrade se vestiu de travesti pra fazer uma matéria. Achei su-per-e-mo-ci-o-nan-te. Aprendi a ler com os gibis da Mônica e a desenhar com o Daniel Azulay e a Turma do Lambe Lambe...


O Daniel Azulay, esse, era tri canastrão! Aposto que agora, tá igualzinho ao Bozo, um junkie comedor de menininhos! Mas tenho que contar que aprendi a amarrar os cadarços do tênis (Conguinhas, é claro, raramente usava Bambas) assistindo à Vovó Mafalda (que hoje, me parece um travecão). E a paixãozinha infantil, não foi com os Menudos que eu descobri, e sim com os menininhos tipicamente americanos do New Kids on the Block. Lembram das músicas deles? 'Step by step/ Oh, baby/ Gonna take you to my woooooorld'. Lembro daquele topete absurdo do Vanilla Ice, e - prometem que não vão rir? - eu morria de medo do clipe de 'Thriller', do Michael Jackson. Aliás, esse aí foi um filme que eu peguei pela metade: já conheci ele mais branco que embalagem de alvejante.

Ah, o maior problema naquela época eram os tapados da Caverna do Dragão, que volta e meia tinham oportunidade e não voltavam pra terra deles! Outra coisa que me angustiava era que cada vez mais eu percebia como eu NÃO era parecida com a She-Ra. Ela foi simplesmente meu maior ídolo de beleza de todos os tempos! Em compensação, vocês se recordam de como a Tila (aquela que gostava do He-Man) era feiosinha, coitada? A Princesa Cintilante dava de dez à zero naquela coitada, que nem superpoderes tinha. Ai, mas eu tô parecendo o Mutley... (e saio pra buscar mais uma cerveja, que, vocês sabem, garçom é espécie em extinção no Pontinho).
Carverna do Dragão, o ícone traumático de minha infância. Naquela época eu tinha pavor de ser chamada pelos meus irmãos de Mestre dos Magos, porque eu era a clássica menina de cabelos loiros compridos e de tamanho anão que resolveu permanecer até hoje. Mas eu era mesmo apaixonada pelo Lion de Thunder Cats. Sempre achei o desenho surreal, mas aquela coisa toda dos poderes deles me fascinava da mesma forma que o Palácio da Justiça dos Superamigos.

Me importei muito com quem matou a Odete Roitman até porque eu gostava dela, sempre sonhava com o dia em que minha avó amanheceria com aquele caráter de ferro. Mas ela nunca acordou ironwoman e continuava sempre fazendo pipoca na panela com mel, e me entregava bacias cheias de bolinhas que mais pareciam enfeites de Natal. Nessas horas eu esquecia que ela gostava de jogar canastra comigo e eu partia para a televisão. Perdidos no Espaço, Nacional Kid, Os Herculóides, Familia Trapo, Os Três Patetas, Sítio do Pica-Pau Amarelo, As Panteras, A Mulher Biônica, Fliper, Planeta dos Macacos, Globo de Ouro, Mundo Animal c/ Amaral Neto, Vila Sésamo, O Elo Perdido e Ilha da Fantasia porque o Tatu era meiguíssimo desde aquela época. Quem não era nada meigo era o Incrível Hulk. Verde que doía, uma aberração.

E tirando a televisão, eu frequentava salas de aula, ensaiava programa da Xuxa para apresentações escolares de final de ano e era uma das paquitas. Pena que não me lembro o nome. E eu era feliz desde aquela época por mais que meus irmãos me chamassem de brega. Eu tinha régua tabuada, caneta 10 cores, ferrorama e autorama, sugus, lu-patinadora, cubo mágico, relógio Champion com várias pulseiras, mochila da Company, playmobil, Forte Apache, fofoletes que acabavam virando filhas da Barbie, geleca, bala juquinha (que grudava no papel e eu comia assim mesmo), caderflex com hino nacional na contracapa que sempre ajudava na hora de cantar. Principalmente naquelas festividades de sete de setembro escolares... ai como eu gostava das marchinhas de bandas nos desfiles!

Nem te imagino desfilando no sete de setembro, Carmela... Mas, vocês falaram aí do Caverna do Dragão, que realmente, é insuperável. E, convenhamos, os Smurfes também eram muito legais. Apesar de que só agora eu identifico as sacanagens que rolavam ali. Smurfete era uma só para aquela aldeia toda, e o Vaidoso, cá pra nós, devia ser gay, né?

Ontem estava lembrando dos bailes de carnaval da minha infância. Eu ganhei duas vezes o segundo lugar de melhor fantasia: um ano era rumbeira, no outro, baiana estilizada, seja lá o que isso quer dizer. Deveria ter mais duas ou três crianças com a mesma roupa, mas meu padrinho era presidente do clube. Sabe cumé. Eu sei que em um ano, o prêmio era um jogo do Garfield e o Meu querido pônei, versão...noiva!

Anota aí, tinha o Topo Gigio e o disco do Pirlimpimpim, com as músicas do Sítio. Ah, isso me lembra a apresentação da escola, na qual eu estava vestida de Emília e dançava a música da ex-Baby Consuelo, com um bambolê emprestado. E falando em personalidades, não posso esquecer de mencionar o Ovelha, Trio Los Angeles, Jengiscan (como é que se escreve isso?), Biafra, Beto Barbosa, Locomia, Família Chocolate, Silvinho (do ursinho blau blau), João Penca e seus miquinhos amestrados, Kaoma (dançando lambada ê), o Ferrugem (que agora está até fazendo comercial de carro), o Chacrinha e a Teresinha, e o Bolinha do Clube. Gretchen estava no auge, mas sexy mesmo era a bolete que não ria.

Dia desses vi uma foto em que posava ao lado dos meus presentes de natal: uma boneca Barbie de pintar - aquelas que só tinham a cabeça - e uma família de Peposos, dos quais eu ficava mordendo os dedos de plástico. Fico pensando nos presentes que não ganhei: menina-flor, lango-lango, Atari, Lego, e tantos outros. Mas eu tinha o cubo mágico, colecionava papel de carta e olhava a TV Pirata. Até rimou! Apesar de parecer não era uma menina mimada, até porque vivia ralada nos joelhos e nem cuidava pra roupa ficar limpinha.
Agradeço ao meu pai por toda a bagagem cultural: revistas do Asterix, recruta Zero e Chiclete com Banana, que nos divertíamos lendo. No dia em que o vídeo-cassete chegou lá em casa, assistimos de uma vez, todos os Jornadas e Guerras na estrelas, Curtindo a Vida Adoidado (o mais visto da sessão da tarde) e Karatê Kid. Mais tarde, vi os Goonies e virei fã da Cindy Lauper. Que lástima!
Toli, toli, tolá, antes de chamar o Wagner Montes lá, lá, lá, lá, lá - Décio Piccinini lá, lá, lá; Aracy de Almeida lá, lá - quero dizer que co-nhe-ci um capeta em forma de guri que hoje faz programa sem graça. A única coisa que me deixa alegre hoje em dia é que a minha voz voz continua a mesma, mas os meus cabelos...

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