|
|
|
|
>>
Aline
Adolphs,
Manuela Colla e Carmela Toninelo
::.
imagens gráficas só no dia seguinte. vide embaixo .::
Há tempos não parava em um bar. Esta vida atropelada não
dá espaço para mais nada! Mas, eis que noite dessas estávamos
sentadas eu, Cams e Manu, tomando uma ceva no Pontinho, depois da aula.
Conversa pra cá, conversa prá la, Manu solta a declaração:
"nunca joguei Gênius". "Como assim guria?",
explodi, "tu não teve infância?". "Sei lá.
Lembro do War, do Pogobol...mas nunca joguei Gênius. Isso é
frustrante!". "E Senha, tu já jogou? Detetive, Banco
Imobiliário, Jogo da Vida... Por acaso tu assistia o Bozo? Lembra
do garoto Juca?" Bons tempos... Simony era uma pureza só e
a Xuxa fazia filme de sacanagem! Eu ia para a escola com o meu quichute,
levando os cadernos cheios de figurinhas do Ploc Mosters. Chegava o recreio,
comprava uma pastelina no bar e ia brincar de menino-pega-menina, de pimentinha,
pimentão ou de caçador.
Em
casa, ficava criando estórias com a coleção Moranguinho,
que eu tinha pela metade, enquanto assistia Os Trapalhões na tevê
sem controle remoto. Aí, sargento Pincel! No rádio tocava
Não se Reprima, dos Menudos, enquanto o Gugu grita "viva a
noite, viva, viva!". Eu ficava acordada até tarde, porque
depois vinha o Comando na Madrugada. Nunca falei isso pra ninguém.
Mas pra vocês, eu conto... comecei a pensar em ser jornalista desde
o dia em que o Goulart de Andrade se vestiu de travesti pra fazer uma
matéria. Achei su-per-e-mo-ci-o-nan-te. Aprendi a ler com os gibis
da Mônica e a desenhar com o Daniel Azulay e a Turma do Lambe Lambe...
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
O Daniel Azulay, esse, era tri canastrão! Aposto que agora, tá
igualzinho ao Bozo, um junkie comedor de menininhos! Mas tenho que contar
que aprendi a amarrar os cadarços do tênis (Conguinhas, é
claro, raramente usava Bambas) assistindo à Vovó Mafalda (que
hoje, me parece um travecão). E a paixãozinha infantil, não
foi com os Menudos que eu descobri, e sim com os menininhos tipicamente
americanos do New Kids on the Block. Lembram das músicas deles? 'Step
by step/ Oh, baby/ Gonna take you to my woooooorld'. Lembro daquele topete
absurdo do Vanilla Ice, e - prometem que não vão rir? - eu
morria de medo do clipe de 'Thriller', do Michael Jackson. Aliás,
esse aí foi um filme que eu peguei pela metade: já conheci
ele mais branco que embalagem de alvejante.
Ah, o maior problema naquela época eram os tapados da Caverna do
Dragão, que volta e meia tinham oportunidade e não voltavam
pra terra deles! Outra coisa que me angustiava era que cada vez mais eu
percebia como eu NÃO era parecida com a She-Ra. Ela foi simplesmente
meu maior ídolo de beleza de todos os tempos! Em compensação,
vocês se recordam de como a Tila (aquela que gostava do He-Man) era
feiosinha, coitada? A Princesa Cintilante dava de dez à zero naquela
coitada, que nem superpoderes tinha. Ai, mas eu tô parecendo o Mutley...
(e saio pra buscar mais uma cerveja, que, vocês sabem, garçom
é espécie em extinção no Pontinho).
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Carverna
do Dragão, o ícone traumático de minha infância.
Naquela época eu tinha pavor de ser chamada pelos meus irmãos
de Mestre dos Magos, porque eu era a clássica menina de cabelos loiros
compridos e de tamanho anão que resolveu permanecer até hoje.
Mas eu era mesmo apaixonada pelo Lion de Thunder Cats. Sempre
achei o desenho surreal, mas aquela coisa toda dos poderes deles me fascinava
da mesma forma que o Palácio da Justiça dos Superamigos.
Me
importei muito com quem matou a Odete Roitman até porque eu gostava
dela, sempre sonhava com o dia em que minha avó amanheceria com
aquele caráter de ferro. Mas ela nunca acordou ironwoman e continuava
sempre fazendo pipoca na panela com mel, e me entregava bacias cheias
de bolinhas que mais pareciam enfeites de Natal. Nessas horas eu esquecia
que ela gostava de jogar canastra comigo e eu partia para a televisão.
Perdidos no Espaço, Nacional Kid, Os Herculóides, Familia
Trapo, Os Três Patetas, Sítio do Pica-Pau Amarelo, As Panteras,
A Mulher Biônica, Fliper, Planeta dos Macacos, Globo de Ouro, Mundo
Animal c/ Amaral Neto, Vila Sésamo, O Elo Perdido e Ilha da Fantasia
porque o Tatu era meiguíssimo desde aquela época. Quem não
era nada meigo era o Incrível Hulk. Verde que doía, uma
aberração.
E
tirando a televisão, eu frequentava salas de aula, ensaiava programa
da Xuxa para apresentações escolares de final de ano e era
uma das paquitas. Pena que não me lembro o nome. E eu era feliz
desde aquela época por mais que meus irmãos me chamassem
de brega. Eu tinha régua tabuada, caneta 10 cores, ferrorama e
autorama, sugus, lu-patinadora, cubo mágico, relógio Champion
com várias pulseiras, mochila da Company, playmobil, Forte Apache,
fofoletes que acabavam virando filhas da Barbie, geleca, bala juquinha
(que grudava no papel e eu comia assim mesmo), caderflex com hino nacional
na contracapa que sempre ajudava na hora de cantar. Principalmente naquelas
festividades de sete de setembro escolares... ai como eu gostava das marchinhas
de bandas nos desfiles!
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Nem
te imagino desfilando no sete de setembro, Carmela... Mas, vocês falaram
aí do Caverna do Dragão, que realmente, é insuperável.
E, convenhamos, os Smurfes também eram muito legais. Apesar de que
só agora eu identifico as sacanagens que rolavam ali. Smurfete era
uma só para aquela aldeia toda, e o Vaidoso, cá pra nós,
devia ser gay, né?
Ontem
estava lembrando dos bailes de carnaval da minha infância. Eu ganhei
duas vezes o segundo lugar de melhor fantasia: um ano era rumbeira, no
outro, baiana estilizada, seja lá o que isso quer dizer. Deveria
ter mais duas ou três crianças com a mesma roupa, mas meu
padrinho era presidente do clube. Sabe cumé. Eu sei que em um ano,
o prêmio era um jogo do Garfield e o Meu querido pônei, versão...noiva!
Anota
aí, tinha o Topo Gigio e o disco do Pirlimpimpim, com as músicas
do Sítio. Ah, isso me lembra a apresentação da escola,
na qual eu estava vestida de Emília e dançava a música
da ex-Baby Consuelo, com um bambolê emprestado. E falando em personalidades,
não posso esquecer de mencionar o Ovelha, Trio Los Angeles, Jengiscan
(como é que se escreve isso?), Biafra, Beto Barbosa, Locomia, Família
Chocolate, Silvinho (do ursinho blau blau), João Penca e seus miquinhos
amestrados, Kaoma (dançando lambada ê), o Ferrugem (que agora
está até fazendo comercial de carro), o Chacrinha e a Teresinha,
e o Bolinha do Clube. Gretchen estava no auge, mas sexy mesmo era a bolete
que não ria.
Dia
desses vi uma foto em que posava ao lado dos meus presentes de natal:
uma boneca Barbie de pintar - aquelas que só tinham a cabeça
- e uma família de Peposos, dos quais eu ficava mordendo os dedos
de plástico. Fico pensando nos presentes que não ganhei:
menina-flor, lango-lango, Atari, Lego, e tantos outros. Mas eu tinha o
cubo mágico, colecionava papel de carta e olhava a TV Pirata. Até
rimou! Apesar de parecer não era uma menina mimada, até
porque vivia ralada nos joelhos e nem cuidava pra roupa ficar limpinha.
Agradeço ao meu pai por toda a bagagem cultural: revistas do Asterix,
recruta Zero e Chiclete com Banana, que nos divertíamos lendo.
No dia em que o vídeo-cassete chegou lá em casa, assistimos
de uma vez, todos os Jornadas e Guerras na estrelas, Curtindo a Vida Adoidado
(o mais visto da sessão da tarde) e Karatê Kid. Mais tarde,
vi os Goonies e virei fã da Cindy Lauper. Que lástima!
Toli, toli, tolá, antes de chamar o Wagner Montes lá, lá,
lá, lá, lá - Décio Piccinini lá, lá,
lá; Aracy de Almeida lá, lá - quero dizer que co-nhe-ci
um capeta em forma de guri que hoje faz programa sem graça. A única
coisa que me deixa alegre hoje em dia é que a minha voz voz continua
a mesma, mas os meus cabelos...
|
|
|
|
|