Trabalhar Sozinho ou em Grupo?
Eis a questão! Já pensou com quem contará para fazer seus quadrinhos? Prefere trabalhar sozinho? Tem um grupo e não sabe como controlá-lo? Seus problemas acabaram! Não tenho respostas para todas as suas perguntas, mas mesmo assim vou tentar ajudar.
No ponto de partida já dá pra ter uma idéia do que você vai fazer, se quer mais alguém ou não. Se precisar de mais gente é sempre bom ver se tem algum amigo a disposição, se não, é uma boa oportunidade para conhecer novos, a Internet pode até ajudar. Se quer trabalhar sozinho, tem que ter mais disposição do que um grupo inteiro. É hora de decidir como levantar a casa, sozinho ou com outras pessoas?
Trabalhar em grupo pode ser uma ótima experiência, se der pra organizar o grupo. O importante no trabalho em grupo é saber trocar coisas e aceitar coisas. Se a decisão da maioria ainda não for boa pra você, pode começar a montar o melhor argumento do universo para que eles achem que a sua proposta é a melhor, mas também não vale ter uma proposta ruim e fazer toda uma “tempestade” por birra. Discussões (e até brigas mais sérias) não vão faltar num grupo, espero que todo o grupo saiba resolver os conflitos da forma mais amigável possível, afinal brigas podem servir para melhorar uma amizade.
Tirando as “batalhas”, um grupo serve para agilizar o trabalho, tem alguém para os desenhos, roteiro, arte-final, cores, se tiver alguém que faça mais de uma coisa, tudo bem, aqui nasce o trabalho em equipe, decide-se o que será feito. Como o desejo de todos nesse grupo é criar gibis, é bom decidir de que formas esse gibi alcançará o leitor. Só de começo, já dá pra saber que é importante enviar uma cópia do trabalho para alguma editora de quadrinhos (manda pra todas) e tentar a sorte, todos os conselhos recebidos poderão ter grande valor, isso se você receber algum... Outro modo, que se equipa ao anterior é criar fanzines, o grupo precisa saber o que as pessoas acham das suas histórias. O legal dos fanzines é que dá pra ter um contato mais direto com o leitor, mesmo não dando pra atingir muitos deles, mas vale a tentativa.
Já li vários comentários sobre fanzines, teve um ruim, bem recente, que fez “um interessante barulho silencioso” na Internet, dizia que eles não levam a lugar nenhum e blá, blá, blá! Em quem acreditar? Em você! O que você acha? Eu acho que os fanzines deviam ser produzidos cada vez mais. Seria como uma invasão de formigas num pote de açúcar! Os fanzines serviriam para montar a estrutura de um novo mercado! Temos que acreditar nisso e colocar trabalhos na praça, as editoras precisam ver que tem ótimas idéias por aí, os leitores também! Mesmo assim, ainda é muito difícil atingir pessoas com fanzines e muita gente ainda acha que é material porcaria, e eu sei que nem tudo é uma maravilha, infelizmente temos mais porcaria do que “aquilo que transformaria o mercado”, mas precisamos aprender a acertar, e quanto mais trabalho, dedicação e vontade forem aplicados, mais o zine pode crescer e ficar no ponto. Temos que trabalhar e não ficar nos escondendo por trás de folhas em branco.
Voltando para o trabalho em grupo, é bom se organizar pra que tudo dê certo no final. Marcar datas, definir objetivos, tudo isso tem que fazer parte da vida de cada um no grupo enquanto estiverem trabalhando no gibi. Se não der é porque tem alguma coisa errada na organização desse grupo. Zoar é ótimo, rir também, tudo faz parte do processo, mas é preciso saber conciliar as coisas. Muita gente consegue fazer bagunça e finalizar o trabalho com tranqüilidade, isso depende da interação de cada grupo. Se nada estiver dando certo resta conversar e tentar resolver tudo, deixar pra lá seria abandonar a idéia toda e todo um processo que já foi montado, sem contar o nosso objetivo de iniciar em 2005 uma melhora na situação dos gibis por aqui!
Já trabalhar sozinho é fazer tudo o que um grupo faria, até brigar sozinho. O esquema é praticamente o mesmo, só que sem toda essa gente. Pode ser que não tenha alguém pra discutir um roteiro ou como aquele desenho ficaria melhor naquele quadro. Acho importante ter alguém por perto pra dar uma olhada no que você está fazendo, pode ser um amigo, pra avaliar como leitor. Às vezes o desenhista acha que está tudo bem, mas o leitor pode pensar diferente. Eleja um leitor, mesmo trabalhando sozinho.
O legal é que nos dois casos você trabalha para fazer um gibi e põe tudo o que você conhece em prática pra transformar aquela na melhor história em quadrinhos que o mundo já ousou passar os olhos, mesmo que não seja isso tudo... No final vai ser gratificante sentar e ler a história do começo ao fim. Terminar um trabalho, poder ver que ele ficou legal e ouvir a opinião dos leitores é muito gratificante, sempre fico muito feliz com isso. O gibi foi feito, então temos sempre que esperar uma resposta, o leitor é o grande teste, se ele gostou, ótimo, mas se não gostou também não é pra desanimar. É bom ouvir tudo o que o leitor tem a dizer para tentar melhorar, fazer diferente até encontrar um resultado positivo.
É isso, se você ainda não começou decida por onde ir, isso não é uma regra, são algumas opções, duas por acaso. Se ainda estiver numa fase muito inicial vale aprender a desenhar. Tem muitas publicações sobre como desenhar por aí, algumas pessoas tem prática em aprender com revistas e livros, algumas precisam de alguém para ensinar, é sempre bom aprender com quem sabe. Tirando desenhar, leia livros, jornais, assista TV, veja todo o tipo de filme, transforme sua imaginação e suas idéias em quadrinhos buscando um bom resultado.
Nos últimos anos aprendi muita coisa, tenho grandes mestres, muitos nem sabem como são importantes pra mim e quanto eu aprendi com eles. Temos muito a aprender uns com os outros nessa grande caminhada para essa grande mudança!
Tudo de bom e até a próxima!
O ano só está começando!
Rond