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2005: O Ano do Gibi

 

 

Quero deixar claro que não sou nenhum “expert” no assunto, sou somente um leitor (além de ser uma das pessoas que tenta desenhar e mudar pra fazer gibis), então não espere muito, ainda estou construindo meu cérebro para maiores aprofundamentos no assunto.

    Bem, depois de uma introdução dessas, eu no mínimo já teria fechado essa janela. Ei, calma! Não precisa fugir! O papo será legal, eu prometo. Vamos começar...

    Todo o ano é o ano de alguma coisa, do tigre, do macaco, das novelas, do Penta... O que ta faltando por aqui é o ano do gibi. O que? Não sabe o que é um gibi? Não, não precisa se preocupar, eu acredito em você. Os gibis se tornaram uma espécie em extinção. Hoje em dia existem poucos gibis (histórias em quadrinhos), alguns até tiveram seus nomes modificados (tipo mangás nacionais). Outro dia eu estava andando na selva urbana em que vivo e vi um gibi perdido no meio de um monte de revistas, comprei, claro, podia ser uma merda, mas eu comprei.

    Aí está um problema: acreditar que o gibi nacional pode ser uma merda! Muita gente compra gibi, gibis americanos (ou Comics, como são conhecidos por lá), gibis japoneses (os populares mangás), mas acabam esquecendo de comprar o gibi nacional. Esquecendo, criando um preconceito ou simplesmente não encontrando nenhum. É um pouco difícil encontrar histórias em quadrinhos desenhadas e escritas por aqui... Então o negócio ta feio. Seria esse o início de uma extinção? Não!

    Ouvi falar que tem gente lutando para que os gibis continuem vivos e fortes, mas até hoje não consegui encontrar muita coisa legal. Não adianta reclamar que “A Turma da Mônica domina o mercado”, esse gibi é legal, outro dia li uma história fantástica com a Turma e não reclamo deles. Uma coisa boa é que a Turma da Mônica virou tradição, todo o tipo de gente de todas as idades lê esse gibi e temos de nos orgulhar disso! Mesmo assim ainda existe um problema maior, o de não existirem outros gibis e é esse problema que tentaremos resolver esse ano. Comprei Mercenário$ recentemente, não era nenhuma história fantástica, ficou levando poeira por um tempão até eu tomar coragem e ler, mas valeu a tentativa, até que gostei e pretendo comprar os outros números.

    Sentimos falta de um gibi com alma e espírito brasileiros. Já li em entrevistas de artistas nacionais que o leitor preferia ver uma história passada na Europa ou no Japão do que no Brasil. Isso não é verdade! Uma história pode se passar em qualquer lugar, mas qual é o problema de colocarmos um pouco do que temos de bom pra mostrar em nossas histórias? Qual o problema de fazer uma história “cyberpunk” em Belo Horizonte? Não vejo nenhum problema. Precisamos aproximar as histórias dos nossos leitores, que vivem aqui no Brasil e que não são só formados pela classe média. Precisamos trabalhar para as nossas massas e transformar os quadrinhos mais uma vez em cultura. Precisamos mover nossos traseiros gordos para mudar esse mercado, seja lendo, seja desenhando ou escrevendo. Vamos mudar e transformar o mercado de quadrinhos! Vamos dar uma chance para os nossos gibis! Vamos ler sem torcer o nariz (a não ser que a história seja uma merda, faremos o favor de reclamar quando for assim)! E vamos fazer um monte de quadrinhos, 2005 pode até não ser “o ano dos gibis”, mas se começarmos a fazer alguma coisa agora uma hora ou outra esse “ano” aparece!

    Por enquanto é isso!

    Tuuuuudo de bom! Feliz 2005!

 

Rond Silva é um cara meneiro, no momento luta para manter seu emprego. Como podemos perceber, até que ele está num momento calmo, ele disse que queria escrever um texto sério...

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