Simuladores de Vida Real?
Há duas semanas acabou mais um “Brig Brother Brasil”, um daqueles programas de “realidade”, onde um monte de gente é colocado numa casa e têm que fazer “coisas” lá, a missão de quem assiste é: não gostar de alguém.
Admito que para um programa de TV que eu ignorava, acabei ficando por dentro de tudo, até conhecendo os “personagens” de nome, porque de rosto só quando eu ligava a televisão (coisa que dificilmente faço) ou dava de cara com algum dos infelizes na capa de um jornal ou Internet. Sem contar, é claro, que em tudo quanto era canto, tinha alguém comentando o programa, porque gostava mais desse ou daquela ou do outro grupinho que não arranjava confusão, ou votando num computador qualquer, onde trabalho.
Gosto muito de saber, que os candidatos a futuros milionários, entraram num jogo pra “não jogar” ou, como eu gosto de chamar, o “pega trouxa”, já explico. Ora, fingir que não vai jogar, ou, como aquilo é um jogo de “realidade”, “jogar como se joga no jogo da vida real”, ultrapassando obstáculos, sendo amigo pra não magoar ninguém e nem ser excluído, etc., é mais uma forma de jogar, porém, o telespectador, aquele que vota em quem “não está jogando” cai nessa, sempre. Estranho isso não? E ninguém percebe!
Dessa vez o grande vencedor foi um tal de Jean (acho), um homossexual assumido e gancho para vender um canal gay da própria Globo (outro motivo pra eu achar que nesse programa só tem armação). De acordo com conversas que, não fui obrigado a ouvir, mas ouvi, desde a segunda semana do programa, depois de uma panelinha do grupo dos homens contra o tal Jean, ele e uma tal de Pink, eram os favoritos para vencer (só por causa das armações, eles viraram os mais legais da casa?). Algumas semanas depois, não sei quanto tempo, depois que todos os “vilões” do programa saíram (porque esses programas sem “vilões de improviso” não teriam a menor graça), a amizade de Pink e Jean foi posta em cheque, afinal grandes amigos não nascem de uma hora pra outra em um programa de televisão (mesmo que o público acredite nisso), tive que ouvir uma discussão de meia hora (é sério) sobre a tal de Pink (que virou vilã) ser uma falsa. Como isso pode acontecer se as pessoas, até um dia antes dessa tal briga, a tinham como favorita?
Manipulação de público, é assim que chamo isso tudo. Pura manipulação, futilidade em excesso, bobagem triplicada e, as pessoas do outro lado sentindo pena desse ou daquele que está numa boa dentro de uma mansão da Globo e que no final ficará milionário... Muito bom! No final, esse “vencedor”, além de rico, ainda ganha o título de herói e é recebido como tal na cidade em que nasceu (ou reside, tanto faz).
No verdadeiro simulador de vida real, as pessoas vivem sem câmeras, sem serem capas de jornal e tudo mais. Quase nunca tem ninguém pra sentir pena dessas pessoas, que não vão ganhar dinheiro por isso. Os “metidos a entendidos” dizem que vão ver o BBB com senso crítico e no quarto episódio já estão xingando aquele ou aquela. Os nossos heróis nunca serão reconhecidos como tais perante a sociedade, mas há quem ligue pra isso, e esses não se importam com primeiras páginas de jornal.
Uma vez meu primo disse a sábia e ao mesmo tempo criticável frase: “Pobre só aparece em jornal morto e só se for de bala perdida”. Mesmo com um lado discutível, ele tinha razão...
Até a semana que vem!