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Coisas Que Não Posso Ter...

 

 

É duro acordar cedo e lembrar que o dinheiro move o mundo. Quando eu era criança (mentalmente falando, ainda sou), lembro quando eu usava 1 real pra comprar um monte de doces, eram muitos, com 1 real eu era rico, o dono do mundo, mesmo não sendo. Hoje em dia olho vitrines e vejo que eu preciso de muito mais do que aquele 1 real pra comprar essas coisas que não posso ter. Ser criança era mais fácil, eu só precisava me preocupar com doces e um pacote de biscoito e tudo por 1 real. Na minha infância ainda não tinha em mim à vontade de ter certas coisas, com exceção dos videogames, elas nem me interessavam tanto quanto os doces e ficar correndo por aí, cair e me arrebentar era a melhor coisa que eu fazia.

O tempo deu saltos duplos, passei a notar que o dinheiro movimentava a vida quando eu fazia empréstimos de vários reais e ficava sem saber como pagar depois (ainda faço isso). Namorar e querer sair para certos lugares, passaram a sugar dinheiro como aspirador de pó. Quando eu era criança a minha visão de um namoro era tão simples, não incluía jantar, cinema, nem presentes que custam os olhos da cara. No final só restavam as coisas gratuitas da vida e trabalhar pra conseguir mais no final do mês.

Quando abro uma revista de videogames vejo um monte de novidades tecnológicas que saltam por aí em 3D, proporcionando uma diversão digital fora dos meus conceitos básicos e que não posso ter por falta de verba. Me lembro do dia em que estava jogando Zelda para Nintendo 64, com aquela alavanca dos infernos e não conseguia fazer os movimentos direito, não conseguia correr por um caminho pra realizar um objetivo. Joguei aquele trambolho e saí chutando objetos interativos da minha casa. Talvez fosse melhor que o dono levasse aquele videogame 3D embora, fiquei muito tempo estacionado no “passado”, devia estar empoeirado.

Ser criança é mais simples, querer uma coisa que não posso ter e fazer pirraça por isso tem uma resposta imediata, uma bela bronca. Hoje, depois de ter gastado todo o meu dinheiro, querer mais alguma coisa significa esperar até o mês que vem. O bom é que em todo esse papo de dinheiro pra lá e dinheiro pra cá, nem tudo precisa de dinheiro. Vamos aproveitar enquanto podemos rir, falar, respirar, ir ao banheiro, cantar, caminhar, namorar, transar (se bem que isso se vende há tempos) e fazer mais um monte de outras coisas de graça. Até agora, viver ainda é de graça, mesmo com os gastos com ração, remédios, entretenimento e papel higiênico.

 

Rond está num momento nostálgico e a dura realidade da falta de grana nos momentos estranhos da vida. Lembrando que as edições anteriores de Depois de Um Estroft e das outras colunas podem ser acessadas clicando no menu que está na parte superior esquerda da tela.

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