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O Caminho dos Quadrinhos?

 

 

Olá leitores do Estroft, finalmente depois de muito trabalho nos encontramos novamente neste canto da Internet. É bom estar de volta.

Sou fã de quadrinhos, desde que me entendo por gente, lembro que quando era pequeno me divertia com as revistas da Turma da Mônica. Para mim aqueles gibis sempre traziam coisas interessantes e divertidas. Naquela época não me preocupava com coisas como o preço ou roteiro, desenho etc... Hoje acho que fiquei mais exigente em relação às histórias que leio, acho que ficamos mais críticos com o passar do tempo e começamos a selecionar os nossos assuntos preferidos.

Há um tempo os quadrinhos no Brasil eram publicados pela editora Abril. Quando esta parou de publicar as histórias em quadrinhos confesso que fiquei preocupado. Tudo parecia estranho e, pelo menos para mim, parecia não haver mais interesse das editoras nesse tipo de mercado. Depois de algum tempo a Panini passa a publicar os títulos de quadrinhos das grandes editoras Norte Americanas. Fiquei aliviado porque pelo menos os quadrinhos não tinham sumido do Brasil.

Seria realmente muito triste se as histórias de que tanto gostamos deixassem de ser publicadas. Naquele momento de indecisão os mangás (dos quais também sou grande fã) faziam bastante sucesso no Brasil e eu estava feliz por ver coisas novas chegando por aqui.

Confesso que não sei muito bem como era o mercado de quadrinhos no Brasil antigamente, mas hoje sem dúvidas esse mercado vive um de seus melhores momentos. Depois das publicações quase pararem o que vejo hoje é um aumento significativo das publicações, um fato que ainda não tinha presenciado em minha jovem vida. Sem dúvida muito desse sucesso atual deve-se a chegada dos animes no Brasil e ao repentino grande interesse de Hollywood por filmes de super heróis. Devido aos filmes hoje podemos ver no Brasil a publicação de grandes clássicos, e até mesmo as grandes histórias que, ainda, não viram filme estão sendo publicadas. Temos também, agora, um número maior de comics shop e eventos espalhados pelo país. Temos também até outras editoras, como a Ediouro (trazendo quadrinhos Europeus), apostando no mercado de quadrinhos (o que acho fantástico).

Mas ao mesmo tempo em que esse sucesso acontece não podemos deixar de notar o caminho que o mercado de quadrinhos está tomando no Brasil. Estou falando dos preços, não só das HQs como também dos mangás. Durante o período de transição das HQs de uma editora para outra até os dias de hoje as publicações tiveram seus preços reajustados constantemente (é a inflação dos quadrinhos). Tome como exemplo os mangás da Editora Conrad. Todo mundo que gosta sabe que esses mangá ficaram muito caros. Digo isso como um consumidor revoltado, porque não posso gastar tanto dinheiro assim só com HQs e mangá, preciso viver também. Como eles esperam vender muito com preços tão altos?

Claro que esse assunto sempre gera discussões sem fim, mas acredito que o consumidor brasileiro não é burro. Mesmo que seja fã, ele sabe quanto deve pagar pelo que gosta e não vai comprar se o preço for absurdo.

O caminho dos quadrinhos parece ser mesmo as livrarias ou as lojas na Internet. Onde são lançados álbuns cada vez mais caros. Eu adoraria ter sessenta reais para gastar em Sandman: Prelúdios e Noturnos ou trinta e nove pra gastar em Sin City, mas a verdade é que não tá sobrando dinheiro nem para comprar Buda por dezenove e noventa,que eu achei que a Conrad lançaria de dois em dois meses, e que agora parece até que sai quinzenalmente (por que pelo que vi nas bancas de mês em mês é que não sai).

Os quadrinhos parecem cada vez mais destinados a uma elite, que pode pagar o quanto quiser por eles. Esse é outro ponto de grande discussão, mas admitam, é isso o que está acontecendo. Muita criança por aí nunca leu um gibi de super herói (muitas delas talvez nem aprendam a ler), mas tenho certeza que ficariam encantadas se pegasse um gibi em suas mãos. Infelizmente cada vez mais a cultura e a arte dos quadrinhos se torna mais elitizada. È claro que a elite tem o direito de ler, mas nós também temos, não é? E depois reclamando dos quadrinhos escaneados na Internet.

É isso mesmo, infelizmente, como a grande maioria dos brasileiros, não sou podre de rico pra ficar aturando os preços abusivos das editoras que sempre culpam o papel pelo aumento de preço (já notaram isso). Então a única saída que vejo é o “faça você mesmo” porque talvez um dia essa seja a única maneira criar um mercado de quadrinhos, nem que seja independente, onde os preços sejam justos e onde um dia as grandes editoras vão perceber que tem muita coisa boa.

 

Daniel

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