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Aqueles dias

 

Encontro marcado no berço
Escolha adequada do tratamento a partir de um diagnóstico correto é a chave para driblar a infertilidade

O bebê não vem! Um ano ou mais de tentativas frustradas de gravidez é o sinal para que a mulher ou o casal, sem problemas aparentes e com vida sexual ativa, comece a desconfiar de que está convivendo com a infertilidade. "É um problema que aflige de 10% a 15% dos casais em idade reprodutiva", explica o esterileuta (médico que trata a infertilidade) Paulo Olmos, diretor do Centro de Reprodução Humana do Hospital Brigadeiro, em São Paulo. Infertilidade ou esterilidade são termos que abrangem doenças reprodutivas que impedem a fertilização ou a manutenção de uma gravidez. A incidência desses problemas, entre as mulheres, varia de acordo com a idade. Uma mulher em cada 15 com idade entre 20 e 30 anos tem dificuldade de engravidar. Entre 30 e 40 anos, uma em cada oito mulheres enfrenta o problema. Depois dos 40, um entre quatro casais não consegue ter filhos sem tratamento.

 

Endometriose atrapalha e causa dores
Diagnosticada em 30% das mulheres com dificuldade de engravidar, a Endometriose costuma ser a causa direta da infertilidade em metade desses casos. Mal de origem inflamatória e imunológica e relacionado com os ciclos menstruais, a endometriose surge quando focos do endométrio (a camada que reveste o interior do útero) se fixam fora do órgão.
A partir daí, sempre que o endométrio reage aos estímulos proporcionados pelos hormônios femininos, ganhando espessura para abrigar o embrião - na hipótese de haver fecundação - ou descamar na forma de menstruação, os pontos externos de endometriose também aumentam, sangram, provocam dores.
Num estágio mais avançado, formam-se cistos nos ovários ou aderências que deformam os órgãos. Sabem-se algumas de suas causas. A falta de vitaminas do complexo B e minerais, por exemplo, estaria entre os problemas que aumentariam suas chances de manifestação. Considerado o único exame eficaz para o diagnóstico da endometriose, a laparoscopia permite cauterizar os focos e eliminar aderências entre órgãos.

Causas
De cada quatro casais que procuram as técnicas de fertilização in vitro, um sai com o bebê no colo. Para que isso ocorra, um dos procedimentos mais importantes é o diagnóstico correto das causas. Elas podem ser desde uma alteração na ovulação da mulher ou a pequena quantidade de espermatozóides do homem até a endometriose (leia quadro sobre a doença à pág. 18). "Muitas delas podem ser tratadas, deixando o caminho livre para que a gravidez aconteça por métodos mais naturais", assegura o ginecologista Dirceu Pereira, da Profert - Reprodução Assistida, de São Paulo. Democrática, a natureza destinou 40% dos fatores de infertilidade às mulheres e 40% aos homens. Os 20% restantes correspondem às causas associadas, uma combinação de deficiências de homens e mulheres que se acumulam impedindo a fecundação. "Por isso é necessário avaliar cada parceiro antes de tratar o casal", define Paulo Olmos.

Promover o encontro do espermatozóide com o óvulo com o mínimo de desgaste físico e psicológico para o casal, no menor tempo possível e com as maiores chances de sucesso, é o objetivo da medicina reprodutiva. Os métodos para marcar esse encontro vão desde alternativas quase naturais, como a relação sexual com data marcada (depois de incentivar a produção de óvulos com hormônios para garantir mais chances de fecundação) até técnicas avançadas como a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides), que permite injetar o espermatozóide diretamente dentro do óvulo (leia quadro à pág. 19). Cabe ao especialista selecionar os adequados e combiná-los de acordo com a situação. "Diagnosticar as causas da infertilidade ajuda a selecionar o método mais acertado, com prioridade para técnicas menos agressivas, e permite deixar opções mais complicadas, mais demoradas ou com maiores chances de insucesso para os casos em que realmente sejam necessárias", diz o esterileuta Paulo Olmos. É por essa razão que se recomenda aos casais inférteis que procurem serviços e clínicas capacitados para oferecer diversos métodos, dos mais simples aos mais complicados.

 

Fonte: Paulo Olmani / Serviço de Reprodução Humana do Hospital Brigadeiro/SP

Muitas vezes, porém, a expectativa de vários casais que se animam a buscar ajuda especializada é a de engravidar com auxílio de tratamentos aparentemente mais eficazes, como a Fertilização In Vitro (FIV). "Quando dizemos que a gravidez pode ser tentada com tratamentos mais simples, muitos se surpreendem", afirma o ginecologista Dirceu Pereira. Os distúrbios da ovulação, por exemplo, estão entre as principais causas femininas de infertilidade e geralmente podem ser corrigidos com medicamentos, por exemplo. Para maior tranqüilidade do casal, antes de definir o método adequado, médico e pacientes devem estabelecer uma relação de confiança. "Cada exame precisa ser explicado, assim como detalhes do diagnóstico e o programa de tratamento. O casal deve participar das escolhas e saber quais as etapas seguintes e chances em cada uma", afirma Carlos Alberto Petta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e médico do Centro de Reprodução Humana de Campinas, do interior de São Paulo. Tanto cuidado é mais do que justificável. Afinal, poucos dramas são tão tocantes como o de casais que perambulam anos e anos por consultórios em busca de ajuda para ter um filho. O sofrimento psicológico é imenso e, diante de tentativas frustradas, a dor se agrava ainda mais.

Decepção
Depositar as esperanças em métodos mais avançados, ainda sem eficácia confirmada, por exemplo, é uma atitude que pode terminar em decepção. "As novidades chegam ao Brasil muito depressa e a comunidade médica deve estar atenta para evitar que as mulheres brasileiras sejam submetidas a procedimentos arriscados e sem a necessária comprovação", avisa Dirceu Pereira. Como exemplo, o ginecologista cita técnicas de transferência de citoplasma (a substância que protege o núcleo do óvulo, onde fica armazenado o código genético) de uma mulher mais jovem para melhorar a qualidade do óvulo de outra mulher mais velha. Existem poucas crianças nascidas com a ajuda dessa técnica e os especialistas ainda não têm certeza se a transferência do citoplasma de outra célula pode ou não levar consigo problemas genéticos para o novo embrião. Existem, no entanto, outras novidades sendo pesquisadas, mais promissoras. É o caso do amadurecimento em laboratório dos folículos ovarianos (que mais tarde se transformarão nos óvulos aptos para fecundação) ou de espermátides, as células que darão origem ao espermatozóide. O método se aplica para resolver problemas no desenvolvimento do gameta feminino nos ovários e do espermatozóide nos testículos. "Apesar do otimismo e dos primeiros sucessos, são procedimentos ainda em fase experimental", pondera Carlos Petta. Os cientistas também estão avaliando a eficácia e a segurança do congelamento de óvulos, procedimento que futuramente pode ser útil para mulheres que precisam se submeter à quimioterapia ou a outros tratamentos que diminuem a fertilidade. E não se pode esquecer, é claro, da possibilidade de adotar uma criança quando os tratamentos fracassarem. Muitos casais, depois de anos tentando gerar o próprio filho, decidem pela adoção. Experimentam, da mesma forma, a alegria de ter um filho

Loucos e lindos meses
Cuidados simples e a utilização de exames cada vez mais sofisticados garantem uma gravidez segura

Naturalidade para curtir um período em que tudo muda - as formas do corpo, as sensações, as emoções, o humor e, muitas vezes, a maneira de ver o mundo. Essa é a principal recomendação dos ginecologistas e obstetras para que os nove lindos e loucos meses de uma gestação transcorram sem inquietações ou ansiedades desnecessárias. "Gravidez não é uma doença que exija cuidados intensivos, mas a mulher vai precisar cumprir uma rotina de cuidados para que a sua saúde e a do bebê sejam estimuladas e monitoradas", diz o ginecologista e obstetra Marco Antônio Lenci, do Hospital e Maternidade São Luiz e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Para que tudo de fato transcorra com a maior tranqüilidade possível, há um caminho correto a seguir. Os procedimentos para uma gestação saudável podem e devem começar logo nas primeiras semanas de gravidez. E já é possível ter a confirmação rapidamente. "Os diagnósticos hoje estão precoces e não é mais necessário passar dias e dias de expectativa", afirma o médico Lucas Rocha, do Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Com dois ou três dias de atraso menstrual, na verdade, dá para ter uma resposta: o hormônio gonadotrofina coriônica subunidade beta, que só aparece na gravidez, pode ser detectado por um simples teste vendido em farmácias para confirmar ou eliminar as suspeitas de gravidez. Entretanto, cerca de 10% das mulheres sofrem uma interrupção natural da gestação ainda nos primeiros dias de atraso da menstruação. É por isso que exames mais sofisticados, como a ultra-sonografia e o ultra-som transvaginal, costumam ser indicados por volta da oitava semana, quando já podem mostrar um embrião formado e acomodado no útero. Passada a etapa inicial, o exame por toque vaginal também confirma a gestação.

Exames indispensáveis

Na primeira consulta do pré-natal, que mais se parece com uma longa entrevista, o médico fará a anamnese, ou seja, um levantamento detalhado das doenças que a mulher já teve, doenças de família, gestações e partos anteriores e características pessoais, como modo de vida, hábitos alimentares, inquietações. Já com o histórico da paciente em mãos, o médico pedirá os exames de rotina para fazer uma avaliação geral da saúde da mulher. Confira:

RSS e F TABS
Testes de reação sorológica ou específica para sífilis, feitos no primeiro trimestre. Se o resultado der positivo, trata-se o mal com antibióticos e acompanha-se o feto com ultra-sonografia para pesquisar malformações.

TESTE DE HIV
Detecta a presença do vírus da Aids. Em caso positivo, permite ao médico tomar providências para reduzir a carga viral da mãe durante a gestação e proteger o bebê de eventual contaminação no momento do parto, já que nem sempre a criança nasce portadora.

ULTRA-SONOGRAFIA
Cada vez mais sofisticada, a ultra-sonografia mostra o feto em crescimento, revelando detalhes da sua fisiologia. Feita no começo da gestação, auxilia na definição da data provável da concepção. Na 22ª semana, além de revelar o sexo da criança, a ultra-sonografia deixa ver se a formação dos órgãos internos segue em ritmo normal. Na 35ª semana, é usada para conferir o tamanho do bebê e a posição da placenta para viabilizar um parto normal. Nesta época, a técnica também é muito utilizada para avaliar a quantidade de líquido amniótico (que pode estar reduzido no final da gravidez). Aparelhos para doppler fluxometria, por exemplo, permitem aos médicos avaliar a circulação sangüínea do útero materno, da placenta e do bebê

Segurança
Normalmente, a primeira consulta pré-natal é marcada entre a quinta e oitava semanas de gravidez. Porém, a falta de informação de muitas mulheres sobre a utilidade do pré-natal e as deficiências do atendimento de saúde pública no País acabam deixando muitas grávidas na fila de espera até o quarto mês. É um problema sério, porque o pré-natal é muito importante não só para diminuir as inquietações naturais do período - tanto da mãe quanto do pai - como também para controlar riscos da gestação. Seu início tardio é uma preocupação ainda maior quando a gravidez acontece antes dos 20 anos de idade, uma situação, aliás, cada vez mais comum no Brasil. "Muitas adolescentes grávidas só procuram o ginecologista depois do terceiro ou quarto mês. É um erro, porque as chances de pré-eclâmpsia entre as adolescentes são grandes. Por isso, gestações como estas, consideradas de alto risco, precisam ser acompanhadas desde o começo", alerta o ginecologista Marco Aurélio Galletta, chefe do setor de Gravidez Adolescente do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez que geralmente se manifesta no terceiro mês sob a forma de um aumento de pressão arterial inexplicável. Deve ser diagnosticada o quanto antes e tratada para não evoluir para a eclâmpsia - a principal causa de partos prematuros, complicações no parto e muitas mortes maternas.

Como a gravidez é um processo rico de transformações físicas e emocionais, o ideal é que o atendimento pré-natal seja feito por equipes multidisciplinares. "Sentindo que existe uma equipe médica, com psicólogos, nutricionistas e pediatras cuidando da saúde da gestante e do bebê, a mulher tem maior tempo e tranquilidade psicológica para curtir a gravidez e fazer planos para a chegada da criança", afirma o ginecologista e obstetra Eliano Pellini, professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo. Além de exames específicos indicados para cada etapa da gravidez (leia quadro à pág. 22), a orientação nutricional e a recomendação de exercícios também fazem parte das indicações feitas durante o pré-natal. Sabe-se que manter alguma atividade física - a hidroginástica é uma das ótimas opções - faz bem não só para o corpo como também ajuda a diminuir a ansiedade, entre outros benefícios. "As atividades físicas programadas especialmente para gestantes melhoram a auto-estima, o condicionamento cardiovascular e ajudam a preparar músculos que vão trabalhar durante o parto", explica Valma Valzachi, professora de Educação Física especializada em ginástica para gestantes que dá cursos em academias e no Hospital Beneficiência Portuguesa de São Caetano do Sul, em São Paulo.

Pai
Nesse processo de espera, a presença do pai no pré-natal, acompanhando passo a passo o desenvolvimento do bebê, vem sendo cada vez mais valorizada. Por isso, também já existem opções de pré-natal para o casal, oferecidas em serviços como o Gamp - Grupo de Apoio a Maternidade e Paternidade, de São Paulo. "Partimos do princípio de que o pré-natal não é apenas um exame médico, mas um processo de apoio e orientação. Isto inclui o homem, que traz dúvidas e receios e que pode ter uma postura ativa, solidária com a mulher", diz o ginecologista e obstetra Daniel Klotzel, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor do Gamp. No grupo, os futuros pais, junto com as novas mamães, também aprendem técnicas de massagem e respiração para auxiliar a companheira durante o parto.

De fato, freqüentar esses cursos pode ser uma boa maneira de pais de primeira viagem começarem a ter contato com o incrível, fascinante e absolutamente desconhecido universo de um bebê recém-nascido. Muitas vezes, é nesses cursos que pais e mães vêem pela primeira vez uma fralda e descobrem, por exemplo, que há no mercado uma infinidade de tipos de mamadeira e até jeito correto para acalmar uma criança.

Amamentação
Um dos aprendizados mais interessantes que podem ser obtidos nesses cursos é o da amamentação. A primeira coisa que aprendem é que amamentar o bebê no seio é a forma de garantir uma saúde de mais qualidade para o resto da vida. Por isso, deve-se ficar longe de palpites de vizinhas e comadres e entender, entre outras coisas, que não existe leite materno fraco. Ele é sempre a melhor alternativa de alimentação da criança - e deve ser dado a ela no mínimo durante os quatro primeiros meses.

É bom saber também que amamentar já não implica mais horários tão rígidos para a mamãe e o bebê. A tendência mais atual, segundo o ginecologista Daniel Klotzel, do Hospital Israelita Albert Einstein, é deixar intervalos livres entre uma mamada e outra, que podem ser de até três ou quatro horas. Se antes a recomendação era não ultrapassar duas horas, agora é o bebê quem define, choramingando, que está na hora de alimentar.

Também já se tem certeza de que amamentar não é um gesto instintivo e que se a mulher não tomar alguns cuidados, como aprender a segurar corretamente o bebê, a cena romântica do aleitamento tem tudo para virar um sacrifício. Outra coisa que os pais devem aprender é que existe diferença no leite que o bebê suga primeiro e o que vem depois. O primeiro leite que a criança suga é rico em proteínas e água e pobre em gordura. O leite que vem depois é pobre em proteínas e rico em gordura (importante para que o bebê ganhe peso). Como se vê, são muitas as vantagens do aleitamento materno. Os pesquisadores do assunto costumam dizer, inclusive, que, ao dar o peito ao seu filho, a mãe não o está alimentando somente fisicamente. O contato físico e emocional experimentado pela mãe e pelo bebê na hora das mamadas estabelece um forte vínculo entre os dois.

Nascer de bem com a vida
O Brasil é um dos campeões mundiais de cesáreas, mas, para evitar a cirurgia, não faltam opções de partos menos agressivos à mãe e ao filho

Um dos esforços da medicina é tornar os partos mais humanizados e menos dolorosos. Afinal, poucos momentos são tão especiais quanto o nascimento de um filho. O problema é que, no Brasil, predomina a cultura da cesárea, método que se tornou panacéia. Aqui, a média de cesáreas realizadas em hospitais particulares oscila entre 70% e 80% dos partos. "A incidência ideal é de cerca de 30% do total de partos", afirma o ginecologista Eliano Pellini, professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo. Cesáreas são cirurgias e, como todas as operações, apresentam riscos - de infecção, por exemplo - e recuperação mais longa e dolorida. Estima-se que se pode chegar a ter até 11 vezes mais risco de morte materna nesse tipo de parto do que em parto normal. Também corre-se o risco de, na data marcada, o bebê ainda não estar pronto para o nascimento. O ideal, portanto, é que o casal conheça as opções de parto disponíveis e se preserve o máximo possível de cirurgias desnecessárias.

PARTO VAGINAL: Feito em posição ginecológica, com anestesia para aliviar as dores. Faz-se uma episiotomia (incisão lateral na vagina e no períneo) para direcionar a laceração do tecido e evitar que ela ocorra de forma desordenada. Quando a mulher faz força para o bebê sair, assim que a cabeça da criança aparece o obstetra ajuda puxando com as mãos o restante do corpo. Depois de cortar o cordão umbilical e entregar o recém-nascido ao pediatra, o médico extrai a placenta do útero.

CESARIANA: O método é um dos preferidos pelos médicos. Os motivos são simples. "Existem médicos que preferem marcar a cesariana para não acordar no meio da noite ou não atrapalhar seus horários no consultório", diz o ginecologista Lucas Rocha, dos Hospitais Beneficência Portuguesa e São Luiz, de São Paulo. O tempo de atendimento que o parto vaginal demanda é outra razão para que muitos médicos optem pela cesariana. "São cerca de 12 horas para fazer um parto normal e só meia hora para a cesariana", diz o médico Marco Antonio Lenci, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital e Maternidade São Luiz. É uma leviandade. "Cesariana é cirurgia indicada para situações específicas", explica o médico Daniel Klotzel, do Hospital Israelita Albert Einstein. Entre as situações, estão: placenta prévia (quando a placenta está localizada na saída do útero, tampando a passagem do bebê); sofrimento fetal agudo intratável (o bebê tem dificuldade de receber oxigênio pela placenta e não há medidas para resolver a situação); quando o bebê fica atravessado; desproporção entre a cabeça do bebê e a bacia da mãe; quando a placenta descola antes da hora, provocando hemorragia materna e fetal; duas cesarianas anteriores. A cirurgia demora em média uma hora. O corte é feito na altura do púbis. Alguns tipos de pontos não precisam ser retirados porque são absorvidos pelo organismo. Do contrário, são retirados oito dias após a operação.

NATURAL POR FÓRCEPS: Algumas dificuldades para o nascimento podem ser superadas com o auxílio de fórceps (ferramentas que se parecem com duas colheres). Fórceps de alívio são empregados quando o período expulsivo dura mais de uma hora e há risco de falta de oxigênio para a criança. Ou então se a mãe não consegue mais fazer força para expulsá-la. Já os fórceps de rotação são usados quando a cabeça do bebê está virada para o lado e a criança precisa ser reposicionada. Na Europa e nos Estados Unidos, o fórceps vem sendo substituído pelo método de vácuo extrator, que ajuda na saída do bebê por sucção feita sobre o couro cabeludo.

MÉTODO LEBOYER: Pode ser empregado em partos naturais e em cesarianas, já que a sua prioridade é o modo de receber a criança. Na sala de parto, a penumbra substitui a luz alta, as vozes e os barulhos dão lugar a sussurros e música de fundo. Ao nascer, a criança é colocada sobre o peito da mãe. O método Leboyer foi divulgado em 1974, pelo médico Fredé-rick Leboyer, com o livro Nascer sorrindo (Pour naissance sans violence), na França.

PARTO DE CÓCORAS: Inspirado no parto indígena, é feito com ajuda de cadeiras especiais que dão sustentação à parturiente. Uma barra de ferro à frente serve de apoio para as mãos, enquanto um espelho permite que a mulher acompanhe por mais um ângulo o nascimento e seja estimulada visualmente para o processo de expulsão. O apoio à mãe também pode ser dado por outra pessoa (o marido, por exemplo).

PARTO NA ÁGUA: Método desenvolvido pelo obstetra francês Michel Odent, que permite o nascimento dentro da água. A mulher pode ser sustentada por outra pessoa. A posição reproduz a de um parto de cócoras ou com apoio para a parte posterior das nádegas. Algumas mulheres preferem combinar duas opções: ficam dentro da banheira ou pequena piscina durante o trabalho de parto e, depois, o nascimento acontece em mesa ginecológica.

Opções para todos os gostos
Pílulas com menos hormônios e até uma para ser usada depois de relações sexuais desprotegidas podem ser escolhidas para prevenir a gravidez indesejada

Existem três formas de se prevenir a fecundação, ou seja, a junção do óvulo com o espermatozóide que resulta em gravidez. Uma delas é evitar as relações sexuais durante o período fértil. Outra maneira é alterar os mecanismos de transformação dos folículos ovarianos em óvulos que, fecundados pelos espermatozóides, formarão os embriões. Essa proeza é feita com os anticoncepcionais hormonais. Por fim, criar impedimentos físicos ou químicos para o encontro entre o óvulo e o espermatozóide. São os chamados métodos de barreira. Escolher entre eles, no entanto, às vezes pode ser mais difícil do que se imagina. Mas os especialistas estão ajudando nessa decisão. "O anticoncepcional deve ser escolhido de acordo com as preferências, estilo de vida e capacidade de adaptação ao método", orien-ta o ginecologista Sérgio Nicolau Mancini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A seleção do método, porém, não significa necessariamente que os casais sigam as suas recomendações de uso ou tenham a continuidade necessária para usufruir dos seus efeitos. Muita gente esquece de tomar a pílula ou de colocar a camisinha na hora da penetração, por exemplo.

Comportamentais
As técnicas comportamentais (naturais ou de percepção da fertilidade) não são recomendadas pela maioria dos ginecologistas porque sua aplicação depende do conhecimento e da análise de muitos sinais do corpo. A mulher precisa aprender a conhecer e interpretar, por exemplo, os padrões da temperatura interna do corpo ou a consistência do muco cervical, entre outros comportamentos do organismo. Os métodos hormonais e de barreira são os que mais oferecem praticidade e vantagem em relação aos naturais. As pílulas constituem o método de contracepção mais popular no mundo e estão em uso há mais de três décadas. Mas dez anos depois da sua comercialização e das transformações que provocou na vida sexual dos casais começou-se a discutir os seus riscos para a saúde, como o aparecimento da trombose e crescimento das chances de infarto por causa de elevadas doses de hormônio, que aumentavam alguns fatores de coagulação do sangue e poderiam favorecer o aparecimento de coágulos e trombos. Hoje, no entanto, as concentrações de hormônio são cada vez menores e, por isso, os riscos também.

De fibras e mel à camisinha

A preocupação em evitar a gravidez vem de longa data. Hoje, pode parecer muito esquisito, mas mulheres do antigo Egito, por exemplo, evitavam a gravidez usando emplastros vaginais preparados à base de fibras vegetais, mel e uma goma obtida da acácia, que teriam ação espermicida. "No século XVIII, a industrialização da borracha permitiu o desenvolvimento de técnicas mais modernas de contracepção, substituindo os unguentos e pastas de ervas pelos preservativos em látex, diafragmas e capas cervicais", conta a ginecologista Mara Diêgoli, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Hoje, as opções para unir a segurança ao prazer se multiplicam. Há diversos tipos de dispositivo intra-uterino, centenas de marcas de camisinha e até uma pílula para ser colocada no canal vaginal para mulheres que sentem muita náusea tomando anticoncepcionais hormonais orais. Mas as pesquisas oferecem, a cada dia, novas opções para afastar óvulos de espermatozóides. Um exemplo é a pílula do dia seguinte, já disponível no Brasil. Mas ela só é indicada para ser usada em emergências (como atos de violência sexual ou quando o método anticoncepcional falha). É composta por dois comprimidos de alta dosagem hormonal. O primeiro deve ser ingerido o mais rápido possível depois da relação sexual desprotegida. E o segundo 12 horas depois. É importante saber que essa pílula não é abortiva. Ela age de duas formas: impede a junção do óvulo com o espermatozóide, evitando a fecundação ou, se a fecundação já ocorreu, a pílula impossibilita que o ovo se fixe na parede do útero.

 

Barreira
Impedir que o espermatozóide encontre o óvulo é também a missão dos métodos de barreira. Esse obstáculo pode se dar por meios químicos ou mecânicos. A maioria deles previne não só a gravidez, mas também as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Existem dois tipos de métodos de barreira: masculino (camisinha) e feminino (DIU, diafragma, camisinha e espermicida). "Indico a camisinha como a primeira opção para quem está iniciando a vida sexual", aconselha a ginecologista Mara Solange Diêgoli, do Hospital das Clínicas de São Paulo. A grande novidade nessa categoria é o preservativo feminino, comercializado no Brasil pela DKT desde 1998. A partir de outubro, o Ministério da Saúde começará a distribuir esse preservativo nos serviços de atendimento à mulher. A distribuição será acompanhada de palestras e orientações sobre a colocação. A decisão de tornar a camisinha feminina mais acessível foi tomada a partir de um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que mostra sua boa aceitação entre as mulheres. O trabalho analisou 2.453 mulheres acima de 18 anos e verificou que mais de 70% delas usariam a camisinha feminina como método de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids. Que bom. Trata-se de um método que aumenta os recursos de prevenção e que, melhor ainda, está ao alcance da mulher. Ela não depende da boa vontade do homem para que possa se proteger tanto de DSTs quanto de uma gravidez indesejada. Ótima notícia, principalmente quando se sabe que a mulher é a maior responsável pelo planejamento familiar no Brasil.

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