Posi��o contra os MaKBeTh

A teoria da constru��o da consci�ncia moral de KOHLBERG no paradigma epistemol�gico

O paradigma da epistemologia de s�ntese, como o explicitamos, remonta a PLAT�O e corrobora em PIAGET uma abordagem construtivista do processo do conhecimento. Nessa perspectiva, demarcamos o paralelismo conceitual, entre as quatro fun��es estruturantes do processo cognitivo - assimila��o, acomoda��o, significa��o e operacionaliza��o [PIAGET, 1990] - e as quatro divis�es estruturais do Saber - respectivamente, RELIGI�O, CI�NCIA, FILOSOFIA e ARTE. Referem, essas divis�es, ao processo do conhecimento enquanto tal, como estrutura formal de um significado a ser preenchido, substantivamente por outros processos da mente.

� exatamente aqui, como um complemento necess�rio dessa predisposi��o ao Saber pela consci�ncia, que acede aos diferentes est�gios ou, mesmo, capacita-se aos diferentes processos, que integram o pleno exerc�cio da sua capacidade estrutural-cognitiva, que a nossa compreens�o da dial�tica s�gnica, situa o papel desempenhado pelos interesses epistemol�gicos no processo do conhecimento.

Os interesses epistemol�gicos, dessarte, designam processos do entendimento, que n�o se constituem em finalidade intr�nseca de si mesmos - como as fun��es-estruturantes antes mencionadas - mas que apontam, teleologicamente, para os pressupostos necess�rios da realiza��o da finalidade do signo que denotam. Referem, substantivamente, o conte�do do signo e n�o a capacidade de significar; est�o para as fun��es estruturantes do processo do conhecimento, assim como o agir comunicativo est� para o fazer comunicativo. Da� porque design�-las propriamente como fun��es s�gnicas do processo do entendimento, derivando a sua compreens�o paradigm�tica do conte�do expresso pelos processos subtri�dicos, que constituem e substanciam o influxo dos interesses epistemol�gicos na intera��o s�gnica.

A falta de clareza sobre essa distin��o, entre as fun��es estruturantes e as fun��es s�gnicas da mente, tem dificultado um di�logo transdisciplinar mais fecundo entre psicologia e a pedagogia, entre a pol�tica e a moral.

H� um certo partis-pris estruturante na psicologia e na pol�tica [partilhado, exemplarmente, por PIAGET e, no seu limite, pela abordagem jur�dico-formal do constitucionalismo kelseniano, ou pelo institucionalismo de HUNTINGTON] que, ao explicitar as condi��es necess�rias da estrutura cognitiva ou da constitui��o pol�tica [formal ou institucional], pretendem derivar delas, imediata e linearmente, as respectivas praxiologias - seja como pedagogia, seja como projetos pol�ticos. H�, tamb�m, um certo partis-pris substantivista do lado da pedagogia e da moral que, ao identificar um conte�do cr�tico da experi�ncia, parecem pretender derivar dele, por um passe de m�gica, a sua pr�pria e imanente praxiologia - seja como teoria do aprendizado ou como princ�pio de mobiliza��o pol�tica.

De alguma forma, a passagem problem�tica de PIAGET a Paulo FREIRE, de HUNTINGTON aos te�logos da liberta��o, � uma quest�o de fundo a desafiar a consist�ncia do paradigma sint�tico. Trata-se de oferecer conte�do substantivo a uma teoria do desenvolvimento das estruturas mentais, sem que isso signifique, simplesmente, a sua "ideologiza��o". Trata-se de buscar sustenta��o de base estrutural a uma teoria da emancipa��o, sem que isso signifique, simplesmente, a sua "desideologiza��o". Felizmente, alguns desenvolvimentos recentes da filosofia pol�tica [RAWLS] e educacional [KOHLBERG] oferecem uma base promissora ao afrontamento dessa quest�o. Nos limites deste texto pretendemos explorar a converg�ncia da teoria do desenvolvimento da consci�ncia moral de KOHLBERG [1981] no modelo paradigm�tico da ci�ncia pol�tica.

O que, efetivamente, KOHLBERG clarifica, na sua obra magistral [Essays on Moral Development, 1981], � a formula��o de uma abordagem construtivista, como base para o enquadramento praxiol�gico de uma fun��o s�gnica: a forma��o da consci�ncia moral. E com isso consagra a distin��o e complementariedade do processo da cogni��o e do conte�do da consci�ncia, que vem caracterizada no modelo paradigm�tico pela distin��o entre a estrutura do n�cleo s�gnico [dupla-tr�ade] do processo do conhecimento, e o enfoque dos respectivos interesses epistemol�gicos. Com isso, torna-se poss�vel uma formaliza��o da correspond�ncia conceitual entre os n�veis e est�gios do desenvolvimento da consci�ncia moral em KOHLBERG e os interesses epistemol�gicos e seus impactos nos campos de estrutura��o do saber, no modelo sint�tico. (Tabela 1 neste texto).

Tabela 1 - Configura��o tem�tica da Ci�ncia Pol�tica: correspond�ncia na teoria do desenvolvimento da consci�ncia moral.

Interesses episte- mol�gicos
e enfoques da ci�ncia
pol�tica
Impactos subtri�dicos dos Interesses Epistemol�-
gicos
Divis�es funcionais do saber
[fun��es s�gnicas]
Est�gios na teoria do desen-
volvimento da consci�ncia mo- ral [KOHLBERG, 1981] - fun��es s�gnicas da consci�ncia
N�veis da auto-reflex�o comunicativa [correspond�ncia aos interesses epistemol�gicos]
Interesse da Fundamenta��o Transcendental do Entendimento: INTERESSE DA RACIONALIDADE - (enfoque da CULTURA POL�TICA)
Princ�pio - Raz�o: EMANCIPA-
��O
TEORIA DEMOCR�-
TICA [filosofia pol�tica]
EST�GIO 6: Princ�pios Uni- versais �ticos - "decis�es de consci�ncia ba- seadas na esco- lha aut�noma de princ�pios �ticos que apelam � compreensividade l�gica, universali- dade e consist�n- cia" [KOHLBERG, 1981:19]
N�VEL P�S-CONVENCIONAL - "um claro esfor�o para definir valores e princ�pios que t�m aplica��o � parte da autoridade dos grupos ou pessoas que sustentam esses princ�pios e � parte da pr�pria identifica��o dos indiv�duos com esses grupos" [KOHLBERG, 1981:18]
Arqu�tipo - Paradigma: REGULA��O
EPISTEMO-
LOGIA DA CI�NCIA POL�TICA [teoria dos interesses do agir e do fazer comunicativos]
EST�GIO 5: Contrato-Social -"a��o tende a ser definida em ter- mos de direitos individuais gerais e em termos de padr�es que fo- ram criticamente examinados e consentidos por toda a sociedade" [KOHLBERG, 1981:18]
Interesse da Compreens�o Participativa do Discurso: INTERESSE DA CREDIBILIDADE - (enfoque do COMPORTA-
MENTO POL�TICO]
Princ�pio - Sabedoria pr�tica: CONFORMA-
��O DO ESPA�O P�BLICO
AFRONTA-
MENTO POL�- TICO [pol�tica- a��o: constru��o e avalia��o de ce- n�rios de decis�o]
EST�GIO 4: Manuten��o da Ordem Social - "orienta��o no sentido da auto-
ridade, das re- gras estabeleci- das, e da manu- ten��o da ordem social" [KOHL- BERG, 1981:18]
N�VEL CONVENCIONAL - "a manuten��o das expectativas da fam�lia individual, do grupo, ou na��o, � percebida como v�lida por seu pr�prio direito, independente das suas imediatas e �bvias conseq��ncias" [KOHLBERG, 1981:18]
Arqu�tipo - Consci�ncia:
CONFORMA-
��O DO ESPA�O PRIVADO
INTERVEN-
��O SOCIAL [forma��o de atitu- des e opera��o do sistema geral de incentivos]
EST�GIO 3 - Concord�ncia Interpessoal - "conformidade com as imagens estereotipadas do que � um compor- tamento majorit�- rio ou "natural" [KOHLBERG, 1981:18]
Interesse da Reconstru��o Te�rica do Significado: INTERESSE DA GOVERNABILI-
DADE - (enfoque de SOLU��O DE PROBLEMAS]
Arqu�tipo - M�todo: DISTRIBUI-
��O DE RECURSOS
L�GICA DA A��O COLETIVA [teorias normativas de decis�o] EST�GIO 2 - Orienta��o Instrumental Relativista: "A a��o correta con- siste naquela que instrumentalmente satisfaz as neces- sidades de al- gu�m, e ocasio- nalmente as ne- cessidades de outros. As rela- ��es humanas s�o vistas em termos semelhan- tes �quelas do mercado." KOHL- BERG, 1981:17] N�VEL PR�-CONVENCIONAL: a a��o responde "a regras culturais e r�tulos do bem e do mal, do certo e do errado, mas interpreta esses r�tulos em termos das conseq��ncias f�sicas ou hedon�sticas da a��o (puni��o, recompensa, troca de favores) ou em termos do poder de quem enuncia as regras e r�tulos". [KOHLBERG, 1981:17]
Princ�pio - Cr�tica: INSTITUCIO-
NALIZA��O DO CONFLITO
TEORIA COMPARADA [hermen�utica dos regimes e das institui��es pol�ticas] EST�GIO 1 - Obedi�ncia e Puni��o: "As conseq��ncias f�sicas da a��o determinam sua bondade ou mal- dade a despeito do sentido huma- no ou valor des- sas conseq��n- cias. evitar a pu- ni��o e uma acr�- tica submiss�o ao poder tem valida- de por seu pr�prio direito". [KOHL- BERG, 1981:17]

Ao analisar a Tabela 1, supra, constata-se que o car�ter construtivista da teoria de KOHLBERG - ou seja a sua concep��o de est�gios seq�enciais do desenvolvimento da consci�ncia moral - por uma conseq��ncia da reversibilidade l�gica, assumida na proposi��o da sua correspond�ncia com a fun��o s�gnica dos interesses epistemol�gicos, contamina de igual suposto o seu impacto sobre o processo do conhecimento.

Nessa perspectiva, GOVERNABILIDADE, CREDIBILIDADE e RACIONALIDADE - e seus impactos subtri�dicos - s�o tamb�m constru��es sucessivas, a designar etapas no processo do desenvolvimento pol�tico. [E assim, tamb�m, se clarifica a perspectiva construtivista na epistemologia de s�ntese quando RECONSTRU��O TE�RICA, COMPREENS�O PARTICIPATIVA e FUNDAMENTA��O TRANSCENDENTAL constituem, igualmente, etapas no processo do conhecimento.]

De fato, alguma forma de INSTITUCIONALIZA��O DO CONFLITO e a respectiva implica��o na DISTRIBUI��O DOS RECURSOS, � uma condi��o j� dada do processo pol�tico; certamente anterior, � CONFORMA��O DOS ESPA�OS P�BLICO E PRIVADO; essa que se constitui, a sua vez, em condi��o para uma efetiva e harm�nica REGULA��O e EMANCIPA��O pol�ticas.

O importante, diferencial e decisivo, no entanto, nesta abordagem, relativamente ao construtivismo aplicado �s necessidades estruturais do signo, da mente ou da sociedade, � que, como n�o se tratam aqui de fun��es estruturantes, mas sim de fun��es s�gnicas, o conte�do substantivo do que foi constru�do na ultrapassagem de cada etapa, influi tamb�m substantivamente no conte�do de realiza��o poss�vel que ocorre na etapa seguinte.

Essa distin��o fica mais clara quando se confrontam os problemas do aprendizado enquanto cogni��o, com os problemas da educa��o enquanto forma��o de consci�ncia. Relativamente aos processos [eventualmente est�gios] piagetianos, o que ocorre, quando n�o s�o ultrapassados, s�o d�fices de aprendizagem - "doen�as" do processo cognitivo, cujos impactos representam bloqueios ao desenvolvimento da estrutura cognitiva nos n�veis subsequentes. Neste sentido, d�fices de assimila��o, na teoria piagetiana, funcionam como obst�culos � acomoda��o; e assim sucessivamente nos n�veis superiores de forma��o das estruturas mentais.

Essa concep��o � mais claramente visualizada na teoria do desenvolvimento da personalidade de TURNER, onde uma taxionomia das psicopatologias emerge das dificuldades no enfrentamento dos desafios propostos pelos quatro est�gios que visualiza, na elabora��o pessoal da rela��o tri�dica "EU-OBJETO-TU": arca�smo, simbiose, diferencia��o e consolida��o. D�fices emocionais em cada um desses est�gios, constituem uma taxionomia das doen�as mentais, sinalizando respectivamente: o autismo, a paran�ia, a depress�o e a esquizofrenia.

Da mesma forma, ao n�vel dos sistemas pol�ticos, aos desafios especificados pela divis�o estrutural do saber [como PREVEN��O DA TIRANIA, IMPLEMENTA��O DA ESCOLHA, CONSTRU��O DA SOBERANIA e ENGENHARIA DO CONSENSO], � incapacidade de enfrent�-los satisfatoriamente correspondem d�fices de realiza��o pol�tica. A estes podemos caracterizar, respectivamente, como D�FICE DE AUTONOMIA, cuja patologia, no seu limite, � a DITADURA; D�FICE DE PRODUTIVIDADE, cuja patologia � a MIS�RIA; D�FICE DE RESPONSABILIDADE, cuja patologia � a IMPUNIDADE; e D�FICE DE IDENTIDADE, cuja patologia � o CINISMO Nota 2.

Na saga dessas defici�ncias da estrutura pol�tica, toda uma sintomatologia pode ser constru�da, da qual daremos, apenas, alguma indica��o, vinculando: � DITADURA, os v�cios pol�ticos da intoler�ncia e da apatia; � MIS�RIA, os v�cios da exclus�o e da repress�o; � IMPUNIDADE, os v�cios da corrup��o e da frustra��o; e ao CINISMO, os v�cios do individualismo e da inseguran�a.

S�o amplas e profundas as implica��es dessa abordagem das fun��es estruturantes da vida pol�tica. Como, tamb�m, o s�o as implica��es correlatas das teorias de PIAGET e TURNER. Uma das quest�es, ainda intrincadas, diz respeito � efetiva sequencialidade dessas etapas, e assim � cumulatividade dos seus desafios; outra, refere � medida em que as defici�ncias na sua ultrapassagem possam ser quantitativamente flexibilizadas. Sob o influxo do inatismo de CHOMSKY, parece hoje relevante, flexibilizar-se a hip�tese piagetiana da sequencialidade r�gida e da ultrapassagem qualitativa das etapas do processo cognitivo [PENNA,1986]. Torna-se, assim, paradoxalmente, mais plaus�vel a sua extens�o aos processos estruturais da pol�tica onde, efetivamente, as quest�es da ditadura, da mis�ria, da impunidade e do cinismo, admitem configura��es quantitativamente diferenciadas. N�o se pretende, no entanto, nos limites deste texto, adentrar essa controv�rsia, bastando sinaliz�-la para investiga��es ulteriores, j� no precesso de consolida��o do paradigma sint�tico. [A Tabela 2, a seguir, formaliza essa an�lise das fun��es estruturantes do sistema pol�tico, e da sua correspond�ncia na teoria da personalidade].

Tabela 2 - Divis�o Estrutural do Saber na Epistemologia da Ci�ncia Pol�tica, identificando os quatro grandes d�fices de realiza��o pol�tica e suas correspond�ncias na teoria dos est�gios do desenvolvimento da personalidade [TURNER]

DIVI-
S�O ESTRU-
TURAL DO SABER
INTERES-
SE DA CRE- DIBILIDADE - Enfoque do
Compor-
tamento Pol�tico
INTERESSE
DA GOVER- NABILIDADE - Enfoque da Solu��o de Proble- mas
INTERESSE
DA RACIONA-
LIDADE - Enfoque da Cultura Pol�tica
DIVIS�O ES- TRUTURAL
DO SABER NA EPISTE- MOLOGIA DA CI�NCIA POL�TICA
TAXIONO-
MIA DOS QUATRO D�FICES DE REALIZA-
��O POL�TICA
TEORIA DOS EST�- GIOS DO DESENVOL-
VIMENTO DA PERSO- NALIDADE - [TURNER]
MODOS DA PERCEP��O PS�QUICA [FREUD] - ES- T�GIOS COGNITIVOS [PIAGET] E PSICO- PATOLOGIAS
RELI-
GI�O
LEALDA-
DE (Proje��o de imagens institucio- nais e reite- ra��o de atitudes)
GOVERNO REPRESEN-
TATIVO (Pluralismo e autonomia das partes)
AUTONO-
MIA (Pol�tica como "pro- cesso" - or- ganiza��o e coope- ra��o -fe- dera��o)
PREVEN��O DA TIRANIA: TEORIAS DAS INSTITUI��ES POL�TICAS
DEFICE DE AUTONO-
MIA:
DITADURA > intoler�n-
cia e apatia
1� EST�GIO DO
DESENVOL-
VIMENTO DA PERSO- NALIDADE: ARCA�SMO -Eu=objeto
ATEN��O [ASSIMILA- ��O] AUTIS- MO -ego-
centrismo e apatia - polaridade do "eu"
CI�N-
CIA
RELEV�N-
CIA (Demandas p�blicas e escolhas privadas: ju�zo da oportuni- dade da escolha individual e controle da sua efetivi- dade)
DEMOCRA-
CIA (Limita��o e controle do exerc�cio da autoridade no Governo)
SOLIDA-
RIEDADE (Demandas priva-das e escolhas p�blicas: teorias dos movimentos sociais)
IMPLE-
MENTA-
��O DA ESCOLHA P�BLICA: AN�LISES DE POL�TICAS P�BLICAS
D�FICE DE PRODUTIVI-
DADE: MIS�RIA > exclus�o e repress�o
2� EST�-
GIO DO DESENVOL-
VIMENTO DA PERSONA-
LIDADE: SIMBIOSE - Eu x objeto
PENSAMEN-
TO [ACOMO-
DA��O] PA- RAN�IA - narcisismo e depen-
d�ncia - incapaci-
dade de lidar
com o princ�pio do prazer
FILO-
SOFIA
VOZ (Postula��o da cons- ci�ncia moral)
REP�BLICA (Postula��o e responsa- bilidade pol�ticas - petition rights)
SUBJETI-
VIDADE (Teorias da pol�tica como "(cor)rela-
��o de poder" entre sujeitos hist�ricos)
CONSTRU-
��O DA SOBERA-
NIA: TEORIAS DAS FORMAS DE GOVERNO
D�FICE DE RESPONSA-
BILIDADE: IMPUNI-
DADE > corrup��o e frustra��o
3� EST�-
GIO DO DESENVOL-
VIMENTO DA PERSO- NALIDADE: DIFEREN-
CIA��O -
Eu x objeto=tu
JU�ZO -[SIGNIFICA
-��O] DE- PRESS�O
perfeccio-
nismo e auto-anula-
��o - polari- dade do "tu"
ARTE
CONGRU-
�NCIA (Adequa��o de valores e padr�es de autoridade)
GOVERNO CONSTITU- CIONAL (Contingen-
ciamento do poder de Estado garantia de direitos e consenso de pol�ticas)
IDENTIDA-
DE (estudos de perso- nalidade b�sica e civic culture)
ENGENHA-
RIA DO CONSEN-
SO: TEORIAS DO DESENVOL-
VIMENTO POL�TICO
D�FICE DE IDENTIDADE: CINISMO > individua-
lismo e insegu-
ran�a
4� EST�-
GIO DO DESENVOL-
VIMENTO DA PERSONA-
LIDADE: CONSOLI-
DA��O
Eu x objeto x Tu
RACIOC�NIO
- [OPERA-
CIONALIZA-
��O] ESQUI-
ZOFRENIA -camaleo-
nismo e midiatismo -incapacida-
de de lidar com o princ�pio da realidade

Na seq��ncia dessa reflex�o, ser� necess�rio explorar agora, o potencial te�rico dessa vis�o construtivista para uma teoria do desenvolvimento aplicada �s fun��es s�gnicas da consci�ncia e da pol�tica.

A implica��o e a proposi��o b�sica da nossa abordagem, demarca a possibilidade de que as defici�ncias no enfrentamento destes desafios funcionais, n�o impliquem d�fices, e tamb�m n�o impliquem em bloqueios ao processo de forma��o de consci�ncia, ou de institucionaliza��o pol�tica; mas que venham a implicar na atualiza��o desses processos com sinais trocados, ou em dire��es divergentes.

At� l� n�o chegou KOHLBERG, cuja teoria do desenvolvimento moral n�o contempla a hip�tese da sua regressividade ou da multifinalidade dos respectivos est�dios, porquanto reserva para os seus "est�dios" do desenvolvimento da consci�ncia moral, o suposto da seq�encialidade condicionada [o acesso a um n�vel superior implica a ado��o do ponto de vista previsto no n�vel inferior - ou seja, a realiza��o do conte�do substantivo no est�gio anterior] e de uma universalidade do respectivo conte�do moral, que lhes conferem a caracter�stica inilud�vel de uma perspectiva de m�o �nica para a forma��o e desenvolvimento de consci�ncia:

"The concept of stages just described implies something more than age trends. First, stages imply invariant sequence. (...) Second, stages define "structured wholes," total ways of thinking, not attitudes toward particular situations. (...) Third, a stage concept implies universality of sequence under varying cultural conditions." [KOHLBERG, 1981:120-122]

O conceito de "regress�o" parece, portanto, n�o caber na teoria do desenvolvimento de KOHLBERG, como tamb�m parece, n�o existir nela espa�o para a id�ia de um desenvolvimento divergente - seja este visualizado, pelo conflito de padr�es alternativos de conduta num mesmo est�gio, ou por um processo cumulativo de desvios ou patologias mentais ou sociais, correspondendo a vias obl�quas de forma��o de consci�ncia.

Tais questionamentos, agregam perplexidade no esfor�o de derivar da teoria kohlbergiana uma praxiologia da educa��o moral. Ademais, para o politic�logo militante, que testemunhou e reflete sobre n�veis de complexidade e organiza��o crescentes da patologia individual e coletiva na pol�tica, a inflexibilidade e a unidirecionalidade, explicitamente assumidas da teoria do desenvolvimento de KOHLBERG, n�o satisfazem as exig�ncias de uma compreens�o totalizante dos processos de forma��o da consci�ncia moral.

Inobstante o importante avan�o, representado pela formaliza��o de uma teoria contempor�nea, em bases empiricamente sustent�veis, que aponta para uma efetiva mai�utica da consci�ncia moral, corre-se o risco de esquecer, na formula��o kohlbergiana, que a tarefa do fil�sofo, em sua perscruta��o do saber, tem os seus lados branco e negro. Afinal, n�o dir�amos, com PLAT�O: "que as almas melhor dotadas se tornam particularmente m�s quando recebem m� educa��o?" [1964: 179]

O construto te�rico de KOHLBERG representa um ponto de partida, apenas, para uma reflex�o capaz de identificar, em seus n�veis de complexidade e de responsividade a valores, os processos alternativos de uma teoria din�mica da forma��o da personalidade individual e coletiva. Enquadra-se nessa perspectiva, a visualiza��o e compreens�o do car�ter - progressivo e regressivo, correto ou normal e desviado, harm�nico e traum�tico - do est�gio alcan�ado pela capacidade de auto-reflex�o comunicativa em nossa sociedade. At� porque, de fato, "regress�o", "desvio" e "trauma", s�o conceitos das teorias din�micas da personalidade, que precisam ser enquadrados por uma teoria contempor�nea da forma��o da consci�ncia moral.

Em s�ntese, o que precisamos decidir, relativamente � concep��o kohlbergiana do processo de forma��o da consci�ncia moral � se nos basta contentar-nos em promover a ultrapassagem de cada um dos seus seis est�dios de desenvolvimento, ou se precisamos preocupar-nos sobre as condi��es como cada uma dessas etapas � efetivamente ultrapassada.

Numa primeira alternativa de resposta a essa quest�o, a teoria de KOHLBERG reproduziria, simplesmente, uma extens�o do modelo piagetiano de constru��o das estruturas cognitivas, no campo da forma��o de consci�ncia. Estar�amos diante de uma tentativa de compreens�o das respectivas fun��es estruturantes. E n�o haveria, assim, por que questionar-se sobre o conte�do substantivo do ju�zo, em cada est�gio do respectivo desenvolvimento. Neste caso, ent�o, estar�amos diante de uma teoria gen�tica das estruturas da consci�ncia - pura e simplesmente - e n�o de uma teoria da forma��o da consci�ncia moral. Isso que, por sua vez, implicaria numa restri��o ao suposto kohlbergiano, de uma aproxima��o sucessiva � realiza��o de valores �ticos universais, a medida em que se galgam os degraus da respectiva escala de desenvolvimento.

Contrariamente, uma segunda alternativa de resposta identifica o grande m�rito de KOHLBERG, precisamente, no fato que se prop�e ultrapassar os limites de uma an�lise gen�tico-estrutural, e implica, na elabora��o da sua escala de desenvolvimento da consci�ncia, o aprendizado dos valores da conviv�ncia universal - ou melhor dito, da auto-reflex�o participativa. Para consolidar, no entanto, esse ponto de vista, KOHLBERG deveria assumir explicitamente, a par da promessa, o �nus inerente � elabora��o de uma teoria das fun��es s�gnicas: a necessidade de aprofundar a an�lise das contradi��es poss�veis do sentido no processo de comunica��o, a cada passo realizado, ou seja, a cada est�gio ultrapassado.

Para decidir entre essas duas alternativas de resposta, torna-se inevit�vel o afrontamento de algumas outras perguntas:

[a] Em que medida seria poss�vel uma regress�o, no processo de forma��o da consci�ncia moral, desde os valores afirmados num determinado est�gio do seu desenvolvimento? Em que circunst�ncias isso � teoricamente previs�vel e quais as suas conseq��ncias na constru��o da personalidade?

[b] Em que medida seria poss�vel, tamb�m ou alternativamente, um desvio no processo de forma��o da consci�ncia moral, relativamente aos valores postulados em cada um dos seus est�gios? Em que circunst�ncias isso � teoricamente previs�vel, e quais as suas conseq��ncias na constru��o da personalidade?

[c] Em que medida o bloqueio do processo de forma��o da consci�ncia moral, pela estagna��o da personalidade num determinado est�gio intermedi�rio do seu desenvolvimento, n�o constituiria um trauma da personalidade? Em que circunst�ncias isso � teoricamente previs�vel e quais as suas conseq��ncias?

[d] Complementarmente, poderia questionar-se, ainda, em que medida um tal bloqueio no desenvolvimento da consci�ncia moral - alternativa [c] - n�o poderia induzir � incid�ncia de uma das alternativas [a] ou [b] anteriormente citadas: ou seja, � regress�o a est�gios mais primitivos da consci�ncia; ou, ao desvio de uma consci�ncia mal formada?

Se estes questionamentos s�o plaus�veis, no que se refere � forma��o da consci�ncia individual, muito mais ainda o ser�o, ao deslocar-se o foco de an�lise para a forma��o da consci�ncia coletiva.

Ressalta a import�ncia desses questionamentos, a evid�ncia emp�rica, referida por KOHLBERG [1981:237], que a popula��o adulta norte-americana se encontra majoritariamente situada, num est�gio de desenvolvimento moral [Est�gio 4]; o qual �, por sua vez, diferenciado daquele que informa a engenharia das suas institui��es pol�ticas [a Declara��o da Independ�ncia e a Constitui��o, que se conformam aos princ�pios do Est�gio 5]. Tal possibilidade, remete � necessidade de uma investiga��o, sobre as possibilidades e conseq��ncias da influencia��o m�tua, entre n�veis diferenciados de consci�ncia, que possam ser manifestados por distintos grupos numa sociedade. Uma investiga��o que haver� de esclarecer, tamb�m, as conseq��ncias previs�veis, da assintonia entre o est�dio de desenvolvimento da sua consci�ncia coletiva [agregada] vis a vis daquela representada nos processos institucionais de uma sociedade.

Considerando-se, que a consci�ncia moral representa uma modalidade de resposta a problemas de conviv�ncia, haver� que especular-se sobre as conseq��ncias previs�veis da assintonia entre essa capacidade coletiva ou institucional, e os problemas de sociabilidade efetivamente emergentes no quadro civilizat�rio em que se insere?

� relevante perguntar-se, ainda sobre o que fazer, se a resolu��o dos problemas sociais estiverem a exigir um n�vel de desenvolvimento superior �quele prevalescente, no est�gio atual da consci�ncia coletiva ou na capacidade institucional das sociedades. Nestes casos, a incapacidade de ver adiante, cumulada com a frustra��o dos problemas n�o resolvidos, n�o poderia determinar um regresso social, ou um desvio no caminho � frente, insuscet�veis de enquadramento no modelo de desenvolvimento da consci�ncia moral elaborado por KOHLBERG? At� onde avan�am os limites deste texto, pretendemos afirmar a viabilidade de um afrontamento eficaz dessas quest�es, a partir do enquadramento da teoria kohlbergiana no paradigma sint�tico da ci�ncia pol�tica.

Enquanto o jogo dos INTERESSES NA FORMA��O DE POL�TICAS permite caracterizar tr�s enfoques diferenciados para o empreendimento social da auto-reflex�o pol�tica [correspondendo aos tr�s n�veis da escala de KOHLBERG: pr�-convencional, convencional e p�s-convencional]; e, enquanto os respectivos PRINC�PIOS e ARQU�TIPOS correspondem a seis fun��es s�gnicas, em conson�ncia com est�gios da forma��o de consci�ncia de KOHLBERG; torna-se poss�vel afirmar a plausibilidade te�rica daquilo que, de alguma forma, foi contraposto � inflexibilidade e unidirecionalidade do seu construto: a possibilidade da ocorr�ncia de regress�es, desvios e bloqueios traum�ticos nos processos de forma��o da personalidade individual e das institui��es.

Mais do que isso, o enquadramento dessa tem�tica no horizonte do paradigma sint�tico, aponta para a constru��o de uma taxionomia dos OBST�CULOS EPISTEMOL�GICOS Nota 3 � realiza��o do potencial emancipat�rio e regulat�rio da ci�ncia pol�tica. Eis que, vamos encontr�-los, exatamente ali, onde o modelo kohlbergiano revela a sua fragilidade [e, ao mesmo tempo, o seu potencial heur�stico] no enfrentamento das quest�es substantivas da forma��o e desenvolvimento da moral coletiva; onde se pretende elaborar, afinal, uma reconstru��o te�rica desse mesmo modelo, compat�vel com a realidade e os conceitos da "regress�o", "desvio" e "trauma" psicossociais.

A Tabela 3, a seguir, formaliza um tentativo insight de algumas da principais mazelas da nossa vida pol�tica, que se podem visualizar como obst�culos epistemol�gicos ao processo comunicativo em ci�ncia pol�tica.

Tabela 3 -Configura��o paradigm�tica dos OBST�CULOS EPISTEMOL�GICOS � realiza��o do potencial emancipat�rio e regulat�rio da ci�ncia pol�tica.

Categorias
da Epistemo-
logia de S�ntese
Impactos dos interesses epistemo-
l�gicos

Obst�culos epistemol�gicos ao n�vel das categorias s�gnicas

Obst�culos epistemol�-
gicos na Di-
vis�o Funcio-
nal do Saber
Primeiri-
dades
Terceiri-
dades
Secundi-
dades
N�cleo tri�dico do signo: PROCESSO DA FORMA��O DE POL�TICAS
O PROCESSO DA SOCIEDADE UNIDIMENSIO-
NAL [MARCUSE]
Fazer pol�tico - auto-realiza��o comunicativa - VALORES FUN-
DAMENTAIS
 
Princ�pio: NECESSIDA-
DES RE-
PRESSIVAS
Express�o: HOMEM UNIDIMEN-
SIONAL
Organiza��o: PADRONI-
ZA��O TECNO-
L�GICA
Proto-s�ntese paradigm�tica:
"IDEOLOGIA DA SOCIEDADE INDUSTRIAL"
Agir pol�tico - auto-reflex�o comunicativa - CRIT�RIOS DE REALIZA��O
Representa-
��o: DOMINA-
��O/DES-
TRUI��O
Aplica��o: CONSUMO
Arqu�tipo: CAPACIDA-
DE AQUISI-
TIVA
Interesse da Fundamenta��o Transcendental do Entendimen-to: RACIONALI-DADE- enfoque da CULTURA POL�TICA
Princ�pio-Raz�o: REGULA��O
Parcializa-
��o:SEITA
Justifica��o: RITUAL
Adjudica��o: DOGM�TICA
FUNDAMENTA-
LISMO
Arqu�tipo-Para-
digma: EMANCI-
PA��O
Instituciona-
liza��o: CONTROLE TOTALIT�-
RIO
Formaliza��o: TENS�O IDEAL: FRUS-
TRA��O-
AGRESS�O
Consensuali-
za��o: MONISMO IDEOL�GICO
FASCISMO
Interesse da Compreens�o Participativa do Discurso: CREDIBILIDADE - ENFOQUES DE COMPORTAMEN-TO POL�TICO
Princ�pio - Sabe-
doria pr�tica - CONFORMA-
��O DO ESPA-
�O P�BLICO
Totaliza��o: EXCLUS�O
Internaliza��o
DOMINA��O
Reflex�o: ANTAGO-
NISMO
MALTHUSIA-
NISMO
Arqu�tipo-Cons- ci�ncia - CON-
FORMA��O DO ESPA�O PRIVADO
Postula��o:
HIERARQUIA
Persuas�o: REPRESS�O
Empatia:BU-
ROCRACIA
CORPORATI-
VISMO
Interesse da Reconstru��o Te�rica do Significado: GOVERNABILIDADE - enfoque da SOLU��O DE PROBLEMAS
Princ�pio-Cr�tica: INSTITUCIONA-
LIZA��O DO CONFLITO
Suspei��o:
ESPECIALI-
ZA��O FUNCIONAL
Restaura-
��o: CAPA-
CIDADE T�CNICA
Recolhimen-
to do sentido:
NEUTRALIS-
MO EM RELA��O A VALORES
CIENTIFICISMO
Arqu�tipo-M�to-
do: DISTRIBUI-
��O DE RECURSOS
Corrobora-
��o:CON-
FORMISMO
Demons-
tra��o:
DOUTRI-
NA��O
Observa��o: ATIVISMO
AUTORITARIS-
MO

Nessa abordagem, AUTORITARISMO, CIENTIFICISMO, CORPORATIVISMO, MALTHUSIANISMO, FASCISMO e FUNDAMENTALISMO, s�o conceitos que designam - para al�m das idiosincrasias hist�rico-contextuais ou te�rico-sistem�ticas que lhes deram origem - configura��es de sentido que podem interferir, como conte�do substantivo das fun��es s�gnicas, no processo da auto-reflex�o comunicativa, como este � visualizado no modelo paradigm�tico da epistemologia de s�ntese (Quadro I - a seguir).

QuadroIAntiMK.gif (44945 bytes)

Utilizamos, como pano de fundo te�rico para a composi��o do quadro categorial na Tabela 3 [e, mais especificamente, nas formaliza��o das subtr�ades do n�cleo s�gnico], a teoria da sociedade unidimensional de MARCUSE [1967].

Em sua obra mais divulgada, a "Ideologia da Sociedade Industrial", MARCUSE nos oferece um arcabou�o conceitual para compreender e formalizar os tra�os de um desenvolvimento da consci�ncia coletiva [como processo de auto-reflex�o comunicativa], essencialmente divergente da vis�o kohlbergiana. Descreve ali as caracter�sticas de uma sociedade, onde: "A uni�o da produtividade crescente e da destrui��o crescente; a imin�ncia do aniquilamento; a rendi��o do pensamento, das esperan�as e do temor �s decis�es dos poderes existentes; a preserva��o da mis�ria em face de riqueza sem precedente, constituem a mais imparcial acusa��o - ainda que n�o sejam a raz�o de ser desta sociedade, mas apenas um subproduto, o seu racionalismo arrasador, que impele a efici�ncia e o crescimento, �, em si, irracional." E retira dessa compreens�o uma proposi��o, que � pertinente na linha dos nossos questionamentos: "O fato de a grande maioria da popula��o aceitar e ser levada a aceitar essa sociedade, n�o a torna menos racional e menos repreeens�vel. A distin��o entre consci�ncia verdadeira e falsa, entre interesse real e imediato, ainda tem significado." [MARCUSE, 1967:16/17]

O contraste dessa descri��o da sociedade americana, com a id�ia de uma sociedade moralmente desenvolvida e, assim, situada em elevado n�vel de racionalidade - eis que realiza atualmente a transi��o entre o quarto e o quinto est�gio da escala KOHLBERG - � sintom�tico da quest�o te�rica que vimos esbo�ando em nossa an�lise.

Na representa��o do n�cleo s�gnico do processo de forma��o de pol�ticas, na Tabela 3, supra, as categorias marcusianas formalizam um paradigma de comunica��o pol�tica, que nos remete ao cerne da quest�o construtivista, emergente na an�lise da teoria de KOHLBERG: constituir�, essa sociedade unidimensional, o espectro de uma regress�o, o escopo de um desenvolvimento divergente (ou desviado) ou a seq�ela de um bloqueio traum�tico, na forma��o da consci�ncia individual e coletiva da modernidade? Para avan�ar-lhe uma resposta, nos obrigamos a buscar aux�lio nas teorias din�micas da sociopsican�lise.

Notas:

2. Muito pr�xima dessa vis�o, a teoria plat�nica dos processos de degrada��o do governo, constitui uma primeira elabora��o da vis�o construtivista aplicada � an�lise das estruturas pol�ticas. [A REP�BLICA, Livro VIII], Ed. Globo, Porto Alegre, 1964] (Retorna ao texto)

3. O conceito de "obst�culo epistemol�gico", aqui utilizado, remete � defini��o que lhe d�o Manuel CASTELLS e Em�lio de IPOLA: "Obst�culo epistemol�gico: todo elemento ou processo extra-cient�fico que, intervindo en el interior de una pr�ctica cient�fica , frena, impide o desnaturaliza la producci�n de conocimientos. Nota: definimos as� a los obst�culos epistemol�gicos, no por su "or�gen" ni por su naturaleza, sino por su funcionamiento y sus efectos. Este conceito, por outro lado, nos permite aceitar, como um atributo do conceito de "epistemologia" , que preside nossa investiga��o, mas sem reduzir-se a ela, a defini��o que lhes prop�em estes dois autores: "Epistemologia: pr�tica de vigilancia de las operaciones (conceptuales y metodol�gicas) de una pr�tica cient�fica. El objetivo pr�prio de esta vigilancia es nular o neutralizar a eficacia de los obst�culos epistemol�gicos que afectan a la producci�n de conocimientos. [CASTELLS e IPOLA: "Pr�tica Epistemol�gica y Ci�ncias Sociales, o como desarrollar la lucha de clases en el plano te�rico sin internar-se en la metaf�sica", mimeo, UFRGS] (Retorna ao texto)

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