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Sobre a Evolução

 

Autor: Thiago Tonasse Sina

 

O que é o homem? Muitos já tentaram responder a esta pergunta mas, segundo bem acentuou o grande paleontólogo George Gaylord Simpson, todas as tentativas de responde-la antes de 1859 foram inúteis...

Mas por que 1859? O que aconteceu nesse fatídico ano? A resposta é que 1859 foi o ano em que Charles Robert Darwin publicou o clássico da literatura intitulado "The Origin of Species" (A Origem das Espécies).

Mas e daí? O que é que esse livro tem demais? O livro de Darwin, entre muitas outras coisas, derrubou de uma vez por todas um dos mais fortes argumentos usados por aqueles que acreditam em Deus: o chamado "argumento do design".

O argumento do design foi criado pelo teólogo William Paley através de uma famosa historinha. Imagine que você esteja andando numa praia deserta e, de repente, você encontra um relógio no chão. Você olha para aquele relógio, observa os seus mecanismos, observa a perfeição com que ele foi feito, observa todas as engrenagens, perfeitamente concatenadas, e então deduz que esse relógio é tão perfeito, é tão bem construído, que ele só pode ser fruto do trabalho de um relojoeiro.

Em outras palavras, se o relógio está ali, é porque um relojoeiro o construiu. Algo tão bem feito como um relógio é complexo demais para ser fruto do acaso. Então Paley estendeu o seu argumento, dizendo que a perfeição da natureza e dos seres vivos, de uma maneira geral, também é por demais complexa para ser, apenas, um mero fruto do acaso.

Algo tão complexo como o olho humano, por exemplo, não pode ser fruto do acaso. Portanto, concluiu Paley, a natureza pede um criador – Deus - assim como o relógio pede um relojoeiro.

O problema é que o argumento de Paley é falho. Para começar, a natureza está longe de ser perfeita. Como o próprio Darwin apontou, muitos seres vivos apresentam órgãos sem nenhuma função útil, estruturas rudimentares, que de maneira nenhuma colaboram para "melhorar" a vida desses indivíduos, e que muitas vezes até os prejudicam.

A baleia, por exemplo, se alimenta absorvendo krill através das suas barbatanas. Como se explica então o fato de que o feto de baleia desenvolve dentes que depois serão absorvidos e nunca serão utilizados? Por que um criador inteligente colocaria dentes em um animal que jamais os utilizariam?

Alguém ainda acredita que a natureza é perfeita? Ou será que o criador é meio burrinho? Tais fatos constituem enigmas para os que acreditam que os seres vivos sejam produtos de um criador inteligente, mas são facilmente explicáveis pela visão darwiniana.

Os dentes da baleia são simplesmente estruturas remanescentes de um antepassado que utilizava dentes. Há ainda mais dois fatos que destoem completamente o argumento de Paley.

Primeiro: os paleontólogos nos dizem que mais ou menos 99% de todas as espécies que passaram pela Terra já estão extintas. Ora, se os seres vivos são frutos de um criador inteligente, como explicar um número tão alto de extinções e fracassos? Vocês concordam comigo que algo que é perfeito não deveria fracassar?

Segundo: o argumento de Paley cai numa regressão ao infinito. Se, para que algo complexo exista, é necessário que um algo ainda mais complexo o tenha feito, ou seja, se para que o relógio possa existir, é necessário que um relojoeiro o tenha construído, e se, para que o relojoeiro exista, é necessário que "Deus" o tenha feito, então, quem é que criou Deus? Será que foi um mega-deus? E quem criou o mega-deus? Será que foi um mega-mega deus? E quem criou o mega-mega deus? Será que foi um mega-mega-mega deus?

A resposta é simples: nós, seres humanos, assim como todos os demais seres vivos, somos frutos de um processo chamado evolução por seleção natural. Portanto, a nossa mente, assim como as demais estruturas de nosso corpo, também são frutos da seleção natural, e já que a idéia de Deus é fruto do cérebro humano, podemos também concluir que Deus também é indiretamente fruto da seleção natural.

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