Diácono Belzebu na Web
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Autor: CÉSAR MEDEIROS Lendo a edição passado do RUMO deparei-me com um artigo que explicava o porquê do Papa ter vindo ao Brasil. Lembrei-me então de um diálogo que ouvi lá na Espacial Veículos, enquanto aguardava uns ajustes no carro. Foi diálogo pra fundir a cuca de qualquer cristão. Tentarei reproduzi-lo o mais fielmente possível. Na qualidade de ouvinte e não conhecendo os interlocutores, resolvi chamar um de JUSTO e o outro de PECADOR. Do momento em que passei a prestar atenção até a hora em que recebi meu carro, as coisas se desenrolaram mais ou menos assim: O PECADOR: Então você acredita mesmo que o Papa é Santo? Como é que um Santo pode gostar tanto de dinheiro e ainda por cima ser dono de Banco? O JUSTO: Claro que é Santo! Santo pela vontade de Deus e Superintendente do Banco do Vaticano porque assim o quis um pequeno grupo de Cardeais amigos, aqueles mesmos que são erroneamente acusados de fazerem parte da máfia de preto.O PECADOR: Mas então como é que um Santo pode estar preocupado, ao mesmo tempo, em salvar as almas do fiéis contribuintes e tapar o rombo de um Banco cheio de trambiqueiros? Falam até que o dinheiro arrecadado nas suas visitas sai do Brasil em malotes, depois de ser trocado por dólares no Banco Central, sem pagar um único centavo de imposto de renda. Um Santo pode se envolver nessas enroladas? É possível que tudo isso seja verdade? O JUSTO: Nada pra Deus é impossível. Desde que a Igreja Católica existe que o clero está empenhado em arrecadar dinheiro pra garantir, aos que contribuem, uma vaguinha no Céu. Só que cada vez fica mais difícil. A grana arrecadada não está dando nem para zerar o déficit do Banco do Vaticano (que vocês insistem em chamar de rombo), pois a procura de vagas no Céu é bem maior que a oferta, o que inflaciona tudo. E veja que ainda tem que sobrar dinheiro suficiente para as viagens ao exterior de Sua Santidade. Se não bastasse tanta dificuldade, ainda por cima temos de agüentar os adversários da Igreja dizendo que João Paulo II é o maior turista da História do Catolicismo. Pode?O PECADOR: Então é por isso que a Igreja é tão rica, apesar de ser sustentada por fiéis paupérrimos? Pelo que vejo, a contribuição dos católicos, ao invés de comprar uma vaga no Céu, está apenas aumentado a riqueza da Igreja aqui na Terra... O JUSTO: Tudo mentira. Eu mesmo ouvi um bispo dizendo que o Papa está extremamente preocupado com a distribuição de rendas aqui no Brasil. Precisa de mais provas da boa intenção do João?O PECADOR: Isso não prova nada. É do conhecimento de todos que o clero é contra o aborto e o controle da natalidade porque isso reduziria o contigente de pobres ignorantes de onde vem a principal fonte de renda que engorda a sagrada conta-corrente da Igreja. O Brasil, com uma população formada, em grande parte, de pessoas ignorantes e analfabetas, é um prato cheio pros exploradores da fé, pois é muito mais fácil enganar um pobre com promessas de salvação eterna em troca de dinheiro do que tirar um único centavo dos ricos. O JUSTO: Barbaridade! Como você é ignorante! Os ricos não contribuem porque Jesus, em visita a um jardim zoológico, viu um camelo e, inspirado nele e numa agulha que estava no chão, falou uma das suas já conhecidas frases de efeito, concluindo que eles (os ricos) teriam de se contentar com suas riquezas aqui na Terra, pois somente os pobres herdariam o reino de Deus. Se os milionários tivessem alguma chance de comprar uma vaguinha lá, jamais investiriam na Bolsa. Com certeza desviariam seus milhões para o Banco do Vaticano. A começar pelo Naji Narras. Você duvida?O PECADOR: Não só duvido como tenho provas de que o Cristianismo é apenas mais uma das religiões ocidentais que cobram pela salvação das almas. Se assim não fosse, porque o dinheiro? Será que Sua Santidade toparia doar toda a fortuna da Igreja, como Jesus falou certa vez para um rico? Claro que não! Ao invés disso o que se viu foi um baita investimento, feito com o único propósito de tirar dinheiro dos bestas que acreditam na santidade do Papa. Foram gastos milhares de dólares só num palco onde ele rezou por alguns minutos. Tinha até elevador e um trono feito de ouro. Será que esse dinheiro não daria pra melhorar, só um pouquinho, a vida dos milhões de brasileiros miseráveis que, antes de irem para o Céu, gostariam de ter uma vida decente aqui na Terra? Não consegui ouvir a resposta. Nessa altura do campeonato meu carro chegou e tive de me mandar. Mas na minha cabeça não existe nenhuma dúvida: a Igreja católica só quer mesmo saber das almas dos fiéis. Nada no mundo material lhe interessa, muito menos dinheiro. O Céu é dos pobres. Quanto mais ignorante, burro e miserável, mais fácil chegar lá. Por isso mesmo os ricos estão perdidos. Vão todos pro Inferno, de cabeça pra baixo e serão infelizes para sempre. Mas só depois de mortos, é claro! No meu caso particular, fico contente em saber que vou escapar do tormento eterno. Do jeito que as coisas estão pretas para os aposentados, se eu sobreviver até me aposentar, estou certo que vou pro Céu direto, sem escalas. Mas, por via das dúvidas, já estou pensando seriamente em doar meu magro salário ao Santo Padre, pois não sei por quanto tempo e a partir de quantos reais uma pessoa pobre é considerada lascada o suficiente para entrar no reino dos céus...
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