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Poemas de Eihei Dogen

Shushogi

 

 

 

Soto Zenshu

 

 

 

na espinha do dragão

 

 

 

correio

 

 

 

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ciclistas

e aves marinhas

não deixam rastros

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o monge observa

a respiração do gato

qual dos dois medita?

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nem no córrego do vale

me deterei,

Temeroso que minha sombra

Com isto possa fluir para o mundo.

 

(Eihei Dogen)

[Tradução Monge Marcos Beltrão]

 

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na sala de aula

os alunos se encolhem

curso noturno

 

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lua crescente

agradeço o sorriso

sorrindo de volta

 

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poema na cabeça,

bicicleta na subida:

a plenos pulmões

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um arco tão fino

quanto o bigode de um gato

lua crescente

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Lá embaixo na aldeia

o ruído de

flauta e tambor

aqui nas profundezas da montanha

por todo lugar o som dos pinheiros

 

(Ryokan Taigu)

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entrada do inverno

a cidade submerge

sem reação

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dois dias antes

da terceira lua de outono

chegou o inverno

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a cada noite

o bairro fica mais claro

quarto crescente

 

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dois urubus passeiam

pelo céu da cidade

manhã de domingo

 

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sobre a não-dependência da mente

 

pássaros marinhos

indo e vindo

seus rastros desaparecem

mas eles nunca

esquecem seus caminhos

 

(Eihei Dogen)

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tarde de outono

o perfume do incenso

preenche o salão

 

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dentro do templo

monges costuram os mantos

manhã de outono

 

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avenida vazia

na madrugada de terça

zig-zag do ciclista

 

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de conversa fiada

garçons na porta do bar

noite de segunda

 

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noite de domingo

entregadores de pizza

voam pelo bairro

 

__________________

 

 

porque a mente é livre

ouvindo a chuva

gotejando sutilmente

as gotas tornam-se

unas comigo

 

(Eihei Dogen)

 

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a mente, em si, é Buda: difícil de praticar, mas fácil de explicar;

não há mente, não há Buda: difícil de explicar, mas fácil de praticar.

 

(Eihei Dogen)

 

__________________

 

 

 

 

calor na cidade

a tarde parada

espera o toró

 

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flores de maio

no canteiro da avenida

alegram o trânsito

 

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oito de abril

flores por toda a parte

no bairro japonês

 

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lua cheia de outono

atravessa as nuvens

profunda reverência

 

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o luar de outono

pousa sobre o bairro quieto

festa dos insones

 

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Dias e noites vagueiam pela eternidade, assim são os anos que vêm e vão como viajantes que lançam os barcos através dos mares ou cavalgam pela terra.

Muitos foram os ancestrais que sucumbiram pela estrada.

Também tenho sido tentado há muito pela nuvemovente ventania, tomado por um grande desejo de sempre partir.

 

(Basho)

 

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pequena ermida

até de ti me desprenderia

se não fosse a chuva

 

(Bucchô)

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O nascimento é uma expressão completa neste momento.

A morte é uma expressão completa neste momento.

São como inverno e primavera.

Não chamais o inverno de começo de primavera

nem o verão de fim de primavera.

 

(Eihei Dogen, Genjo Koan)

 

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conhece tua cidade

assim como a ti mesmo

caminha, paulista

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tudo preto

de bicicleta na ladeira

inseto no olho

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três da manhã

apartamentos acesos

noite de verão

 

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O homem que sustenta determinada opinião está naturalmente identificado com ela e apegado às opiniões que os outros tenham dela. Mas com que se há de identificar aquele que já não mais adota opiniões, nem as rejeita?

 

(Atthaka – Dutthatthaka Sutta)

 

 

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crianças na piscina

as águas de março

não fecharam o verão

 

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de volta a São Paulo

o peito se aperta

condições desfavoráveis

à dispersão

 

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chuvas de janeiro

bicicletas enferrujam

nas varandas das casas

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Cada momento é todo o ser,

é o mundo inteiro.

Refleti agora se qualquer ser ou qualquer mundo é deixado fora do momento presente.

 

(Eihei Dogen, Uji)

 

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O conhecimento

é como a lua refletida na água.

A lua não se molha

nem a água se rompe.

 

(Eihei Dogen)

 

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As plantas e flores

que cultivei em volta de minha cabana

eu agora as entrego

ao sabor

do vento. 

 

(Ryokan Taigu)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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