Poemas
de Eihei Dogen
1.
Como devemos viver?
Nascemos e morremos
uma vez nesta vida.
Como devemos vivê-la?
Este é o ponto
fundamental do ensinamento de Buda.
Viver muito é algo
com o que se alegrar?
A vida não é assim.
É triste morrer
após uma vida curta?
A vida não é assim.
O ponto é: como
devemos viver?
2.
A Terra, bela para
sempre
O espaço: um céu
brilhante repleto de estrelas.
A bela Terra:
sempre suspirando pela sua mãe-Sol,
hoje novamente
viajando pela Via -Láctea!
A Terra azul: uma
pequena jóia, por incontáveis éons, imensuráveis e desconhecidos infinitos.
A Terra, bela para
sempre!
3.
O Ensinamento de
Buda é o Zazen
O Ensinamento de
Buda é o Zazen
O Zazen é a imagem
do despertar de Buda Shakyamuni sentado.
Mesmo quando apenas
um ser estiver em Zazen,
nenhum ser estará
fora do Ensinamento de Buda.
4.
Aspiração ao
caminho de Buda
Há religiões em que
se espera por um milagre,
e outras em que se
reza por poderes sobrenaturais,
e até religiões em
que se implora por sucesso nos negócios.
Mas a religião de
Buda é uma religião em que se busca
orientar a sociedade
e servir às pessoas.
A aspiração ao
caminho de Buda significa
amar todo o
universo assim como os pais amam seus filhos.
5.
A mente que conhece
o que é suficiente
Não há virtude no
que é escasso,
assim como não há
vício no que é abundante.
Independentemente
da prosperidade ou da pobreza,
quando a mente da
voracidade surge,
as pessoas esquecem
suas boas intenções.
A mente de Buda é
aquela que sabe o que é suficiente.
6.
Os preceitos de
Buda
Prometemos não
matar nenhum ser vivo.
Prometemos não ter
ganância para tomar o que não nos foi dado.
Prometemos não nos
entregar a atos licenciosos.
Prometemos não
falar mentiras.
Prometemos não
ingerir bebidas intoxicantes que levem à ilusão.
7.
A generosidade da
Mãe Natureza
O arroz e os outros
vegetais têm vida,
os peixes e os
outros animais têm vida,
e é graças às suas
vidas que podemos viver.
Recebamos a comida
com gratidão pelas suas preciosas vidas,
sempre dizendo: “eu
agradecidamente recebo esta dádiva de alimento”
e “agradeço por
essa maravilhosa comida”.
8.
O despertar da
Consciência de Buda
A Consciência de
Buda é nada mais
que a Consciência
que serve ao mundo e às pessoas
antes de atender às
suas próprias necessidades.
Como nos
concentramos em nós mesmos,
isso se torna
difícil,
mas quando a
Consciência de Buda está desperta,
mesmo o mais árduo
esforço se torna algo pelo qual vale a pena viver.
9.
Sem a prática, nada
surge
“Saber” e
“entender” são coisas diferentes.
Mesmo quando
sabemos, sem colocar o conhecimento em prática,
não podemos
entender.
Apenas ler a bula
de um remédio
não cura a doença.
O Zen também é algo
que não se pode entender
até que se ponha em
prática.
10.
O valor de uma
pessoa
O valor de uma
pessoa não tem nada a ver
com sua posição,
fortuna ou ocupação.
Avaliar uma pessoa
com base em sua instrução
ou talento levará
ao erro.
Antes, são as ações
e os pensamentos que dão vida
ao conhecimento que
são preciosos.
Pensamentos e ações
são o que formam o valor de uma pessoa.
11.
A vida não tem
limite de idade
A vida não tem
limite de idade
Não há os “anos de
decadência” ou os “anos que restam”.
Nós saudamos a
morte. Até este instante, a vida é uma ocupação ativa.
A vida ser uma
ocupação ativa significa
ser uma pessoa que não
tem arrependimentos quando a vida termina,
ser uma pessoa que
não tem medo da “idade da velhice” e da “morte”,
que, em lugar
disso, conhece apenas
a “idade da
generosidade e da beleza” e a “tranqüilidade da morte”.
12.
Tudo é impermanente
Tudo o que nasce
morre.
Tudo o que chega
parte.
O que foi tomado
será perdido.
O que foi feito
será quebrado.
O tempo passa como
uma flecha.
Tudo é efêmero.
Há algo, neste
mundo,
que não seja
transitório?
13.
A religião justa
Muita devoção à sua
própria religião e difamação
à religião do outro
resulta em ódio e discussão.
Há estupidez maior
que isso?
A religião justa em
todos os tempos é aquela que ilumina as pessoas
e conduz a uma
maneira pacífica de viver.
Pessoas religiosas
nunca devem sacar espadas umas contras as outras.
14.
Iluminação a partir
de nossos pés
Ao arrumar nossos
sapatos cuidadosamente, trazemos harmonia a nossas mentes,
quando nossas
mentes estão em harmonia, arrumamos nossos sapatos cuidadosamente.
Se arrumamos nossos
sapatos cuidadosamente quando os tiramos,
nossas mentes não
se perturbarão quando os calçarmos.
Se alguém deixa os
sapatos em desordem,
silenciosamente
devemos arrumá-los.
Tal ato certamente
trará harmonia
para a mente das
pessoas de todo o mundo.
Traduzido por Keiun
e Koun.
Templo Busshinji,
outono de 2004.