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Sua provocação, ativismo e
conceito de simultaneidade (realizar ao mesmo tempo diversas
apresentações, como a leitura de poemas distintos) muito deve aos
futuristas, entretanto, não possuía o otimismo e a valorização da
tecnologia que esse último movimento tinha.
O dadaísmo costuma ser bastante
identificado aos ready-mades de Duchamp, como os urinóis elevados à
categoria de obras de arte ou outras proezas do artista, como o acréscimo
de bigodes à Mona Lisa.
Os poemas non-sense, as máquinas
sem função de Picábia, que zombavam da ciência, ou a produção de quadros
com detritos, como Merzbilder, de Schwitters, são outras obras
características do dadaísmo.
Além disso, o dadaísmo, desde o
começo, pretendia ser um movimento internacional nas artes. Picábia era o
artista que acabou por fazer a ponte entre o dadaísmo europeu e o
americano, tornando-se, juntamente com Duchamp e Man Ray, uma das
principais figuras do dadaísmo forte em Nova York.
A revista "Dada 291" era publicada
nessa cidade americana, além de Barcelona e Paris, outras cidades por onde
o movimento espalhara-se. Berlim, Colônia e Hanover eram outros
importantes focos Dada.
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A pintura dadaísta foi um dos
grandes mistérios da história da arte do século XX. Os pintores deste
movimento, guiados por uma anarquia instintiva e um forte niilismo, não
hesitaram em anular as formas, técnicas e temas da pintura, tal como
tinham sido entendidos até aquele momento. Um exemplo disso eram os
quadros dos antemecanismos ou máquinas de nada, nos quais o tema central
era totalmente inédito para aqueles tempos.
Representavam artefatos de
aparência mais poética do que mecânica, cuja função era totalmente
desconhecida. Para dificultar ainda mais sua análise, os títulos
escolhidos jamais tinham qualquer relação com o objeto central do quadro.
Não é difícil deduzir que, exatamente através desses antitemas, os
pintores expressavam sua repulsa em relação à sociedade, que com a
mecanização estava causando a destruição do mundo.
Um capítulo à parte merecem as
colagens, que logo se transformaram no meio ideal de expressão do
sentimento dadaísta. Tratava-se da reunião de materiais aparentemente
escolhidos ao acaso, nos quais sempre se podiam ler textos elaborados com
recortes de jornais de diferente feição gráfica. A mistura de todo tipo de
imagens extraídas da imprensa da época faz desse tipo de trabalho uma
antecipação precoce da idealização dos meios de comunicação de massa, que
mais tarde viria a ser a arte pop.
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A escultura dadaísta nasceu sob a
influência de um forte espírito iconoclasta. Uma vez suprimidos todos os
valores estéticos adquiridos e conservados até o momento pelas academias,
os dadaístas se dedicaram por completo à experimentação, improvisação e
desordem. Os ready-mades de Marcel Duchamp não pretendiam outra coisa que
não desmoralizar os conceitos de arte e artista, expondo objetos do
dia-a-dia como esculturas.
Um dos mais escandalosos foi, sem
dúvida, o urinol que este artista francês se atreveu a apresentar no Salão
dos Independentes, competindo com as obras de outros escultores. Sua
intenção foi tão-somente demonstrar até que ponto o critério subjetivo do
artista podia transformar qualquer objeto em obra de arte. Com exemplos
desse tipo e outros, pode-se afirmar que Marcel Duchamp é sem dúvida o
primeiro pai da arte conceitual.
Apareceram também, como na
pintura, os primeiros antemecanismos, máquinas construídas com os
elementos mais estapafúrdios e com o único objetivo de serem expostas para
desconcertar e provocar o público. Os críticos não foram muito
condescendentes com essas obras, que não conseguiam compreender nem
classificar. Tais manifestações, por mais absurdas e insolentes que possam
parecer, começaram a definir a plástica que surgiria nos anos seguintes.
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Artistas de seu tempo, os
dadaístas foram sem dúvida os primeiros a incorporar o cinema e a
fotografia à sua expressão plástica. E fizeram isso de uma maneira
totalmente experimental e guiados por uma espontaneidade inata. O
resultado desse novo materialismo foi um cinema completamente abstrato e
absurdo, por exemplo, o de diretores como Hans Richter e a fotografia
experimental de Man Ray e seus seguidores.
Foi exatamente Man Ray o inventor
da conhecida técnica do raiograma, que consistia em tirar a fotografia sem
a câmara fotográfica, ou seja, colocando o objeto perto de um filme
altamente sensível e diante de uma fonte de luz. Apesar de seu caráter
totalmente experimental, as obras assim concebidas conseguiram se manter
no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte dos
anais da história da fotografia e do cinema artísticos.
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