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PIER PAOLO PASOLINI
(1922 - 1975)

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               Antes de sua estréia no cinema, Pier Paolo Pasolini já era figura influente no cenário artístico italiano e perseguido pelas autoridades, de quem era crítico pertinaz. Escritor, poeta, ensaísta e roteirista, Pasolini estreou na direção em 1961 com o seu inquietante filme Desajuste Social, mas antes já havia trabalhado com Federico Fellini no filme As Noites de Calíbria (1956), do qual foi co-roteirista.
               Cineasta neo-realista e marxista convicto, Pasolini pregava em suas obras o desprendimento da técnica e a abordagem desconcertante do tema. Abusava das filmagens externas e da utilização de atores amadores para dar um tom mais realista às sua criações, como se observa no filme O Evangelho Segundo Mateus (1964), um retrato histórico de Cristo como um homem rebelde, no qual Pasolini convidou sua própria mãe para fazer o papel da Virgem Maria.
               Sexo, violência e religião eram os temas comuns a todos os seus filmes, aos quais Pasolini emprestava um clima de desconforto e ojeriza, porém sempre revestidos de espírito crítico e blasfemador. A sua capacidade inata de polemizar e de fazer o público refletir sobre assuntos inopinados e "proibidos"  tem presença evidente em filmes como Mamma Roma (1962), uma análise da prostituição urbana sob a ótica unívoca da religião e do marxismo, e Comizi d'Amore (1965), um tratado cinematográfico sobre a sexualidade humana.
                 Em Teorema (1969) e Pocilga (1970), Pasolini volta-se à contemporaneidade e retrata a realidade de forma alegórica e mordaz, valendo-se até mesmo da antropafagia para expressar toda a sua indignação e mal-estar com a sociedade pós-moderna.
                 Contudo, em 1972, Pier Paolo Pasolini entra em sua fase de adaptações de obras eróticas, inciando-a com os filmes Decameron (1972), baseado nos contos libidinosos de Boccaccio, e Os Contos de Canterbury (1973). Por fim, Pasolini leva para as telas a clássica obra do devasso Marquês de Sade. Em Saló (1975), seu último filme, o cineasta italiano meritosamente consegue captar a profundidade e a dimensão radical da obra do marquês de forma nunca antes vista no cinema, criando um filme teratológico e enlouquecedor acerca das perversões inerentes à condição humana; uma experiência inédita.
                 Assassinado por um garoto de programa, Pasolini partiu prematuramente, deixando uma pequena filmografia, mas que permite atestar o seu talento e a sua visão universal sobre os homens, a vida e a morte. Além de engajamento político, da consciência crítica e da ousadia, Pier Paolo Pasolini possuía uma grande vontade de lutar, e a sua incansável luta era pela liberdade de expressão, princípio que fora sempre escamoteado pelos dirigentes de seu país. 

 

                                                        "A morte não está em não poder se comunicar, mas em não sermos compreendidos."

                                                                                                                                                        Pier Paolo Pasolini
                  

 

Principais Filmes:
 
 
 
 
Desajuste Social (Accatone, 1961)
Mamma Roma (Mamma Roma, 1962)
Relações Humanas (Rogopag, 1963)
La Rabbia (La Rabbia, 1963)
O Evangelho Segundo Mateus (Il Vangelo secondo Matteo, 1964)
Sopraluoghi in Palestina (Sopraluoghi in Palestina, 1964)
Comizi d'Amore (Comizi d'Amore, 1965)
Édipo Rei (Edipo Re, 1967)
Teorema (Teorema, 1969)
Pocilga (Porcile, 1970)
Decameron (Il Decamerone, 1972)
Os Contos de Canterbury (I Racconti di Canterbury, 1973)
Saló - 120 Dias de Sodoma (Saló o Le 120 Giornate di Sodoma, 1975) 

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