- Quem poderia acreditar, mas a antropofagia
e a bestialidade foram as duas formas bizarras que o polêmico diretor Pasolini encontrou
para criticar ferozmente o frenesi consumista da sociedade pós-moderna em Pocilga,
um filme subjetivo, ousado e repleto de cenas desagradáveis.
A partir de duas histórias paralelas - uma que se passa no
século XVI e mostra a angústia de um jovem que se alimenta desde cobras até seres
humanos, e outra que se passa num palácio da Alemanha pós-moderna, onde um jovem, filho
de um industrial, apaixona-se pelos porcos e se deixa devorar por eles - Pasolini
faz um retrato metafórico nada alentador da degradação humana alastrada pelas
sociedades de consumo, as quais não prezam o sentido e a essência do ser humano, mas
apenas sua capacidade de consumo. É uma reflexão sobre o lema da era capitalista:
"consumo, logo existo".
- Embora pareça um tanto
estranho e complicado de se entender, Pocilga nada mais é do que uma brincadeira
do diretor, que se utilizou de temas incomuns para criar uma obra puramente crítica e
irônica sobre um assunto tão controvertido que é o consumismo. Um filme que reflete a
rebeldia de Pier Paolo Pasolini, um gênio incompreendido.
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