- Durante a ocupação nazi-facista na
Itália, grupo de senhores da aristocracia italiana, ajudados por quatro senhoras
libertinas, capturam e confinam num antigo castelo, curisiosamente chamado de
"República de Saló", oito moças e oito rapazes para satisfazerem
compulsoriamente seus instintos e manias sexuais, que passam pela sodomia, escatofilia e
até pelo sadismo.
Esse escabroso e inquietante filme italiano, baseado na obra do
Marquês de Sade, faz um estudo cinematográfico das mais diversas taras sexuais, as quais
a humanidade teima em acobertar sob o manto da hipocrisia.
- Pasolinni provoca, choca e enoja o público
ao expor sem pudor algum os mais recôndidos desejos e impulsos sexuais do homem. Mas são
essas emoções pulsantes dos espectadores, instigados pela loucura genial de Pasolinni,
que fazem dessa produção uma experiência autêntica, inovadora e bizarra, da qual o
público participa como voyeur.
- Embora pareça uma ode à
libertinagem, é antes de tudo uma análise profunda da psique humana, dos desejos, dos
recalques e dos objetos traumáticos que delineiam a personalidade do sujeito, dos quais
já falava Freud. É a reafirmação da libido como algo assaz complexo de se delimitar.
Afinal, quem realmente entende os calabouços da mente humana? Parece que Pasolinni tentou
entendê-los e, se não acertou, pelo menos chegou muito perto da resposta...
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