A produção em massa de automóveis, iniciada nos EUA no começo do séc. XX, alterou radicalmente o modo de vida do homem e o mapa econômico do mundo. O nível de produção de automóveis tornou-se um barômetro da economia, cuidadosamente controlado pelos líderes políticos e analistas de mercado. O gigantismo das empresas, aliado ao grande número de subsidiárias e satélites que a indústria automobilística emprega, abriu novas oportunidades de emprego e contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de indústrias paralelas, entre as quais se destaca a do petróleo.

A produção em massa foi introduzida na indústria automobilística por Ransom E. Olds, fabricante do Oldsmobile, em 1901, que produziu nesse mesmo ano mais de 400 carros. Henry M. Leland, da Cadillac, criou o sistema de peças intercambiáveis e Henry Ford trouxe para a indústria automobilística a linha de montagem, invenção do armeiro Eli Whitney, cem anos antes. Esses métodos de produção foram imediatamente adotados por toda a indústria e logo atingiram a Europa por intermédio de Wíllíam R. Morris (Inglaterra) e André Gustave Citroën (França).

EEm 1879, George B. Selden pediu o registro de uma patente que cobria as características principais do automóvel a gasolina. A patente foi concedida em 1895, e em 1903 a Associação dos Fabricantes de Veículos Licenciados reconheceu sua validade. Henry Ford recusou-se a fazê-lo e iniciou uma batalha judicial que só teve solução em 1911, quando foi reconhecido que a patente de Selden se aplicava somente ao motor de dois tempos. Com isso, o motor Otto de quatro tempos pôde ser aplicado por todos os fabricantes, que criaram posteriormente um sistema de utilização cruzada das inovações introduzidas nos automóveis, sob controle da Associação dos Fabricantes de Automóveis.

Outros nomes se destacam, nos EUA, como pioneiros da industrialização do automóvel. Assim, os irmãos Studebaker, fabricantes de carruagens, que passaram a produzir automóveis em 1902; David Dunhar Buick, que fabricou seu primeiro carro em 1903 (a Buick Motor Car foi a origem da General Motors, fundada em 1908 por William Crapo Durand e que nos anos seguintes anexou as marcas Cadillac, Oldsmobile, Oakland e Chevrolet, criada em 1911 por Louis Chevrolet); John e Horace Dodge, fabricantes de bicicletas e fundadores da Dodge Motor Company em 1914; Charles W. Nash, fundador de Nash Motors Company em 1916; Walter P. Chrysler, que havia trabalhado na General Motors e assumiu a direção da Maxwell Motor Car (fundada por Benjamin Briscoe em 1912), na década de 1920, transformando-a na grande corporação que tem o seu nome e incorporando em 1928 a Dodge. Fora dos EUA os pioneiros da indústria automobilística foram, além dos já citados Morris e Citroën, Louis Renault, na França, a Fiat (Fabbrica Italiana de Automobili Torino), na Itália, e CarI Benz e Gottlieb Daimler, na Alemanha, que em 1926 se reuniram na Daimler-Benz AG. O carburador de Daimler possibilitou o uso da gasolina como combustível; e seu veículo de quatro rodas de 1889 foi o primeiro a chamar-se 'automóvel'.

De um enorme número de fabricantes existentes nas duas primeiras décadas do século, poucos sobreviveram á depressão e à crise de 1929. Os grandes fabricantes reorganizaram-se e diversificaram a produção, absorvendo ou provocando o desaparecimento dos pequenos. Essa tendência à concentração continuou, mesmo após a II Guerra Mundial.

A partir da década de 70, o aumento do preço dos combustíveis determinou uma reorientação na preferência dos consumidores. Nos EUA, as três grandes tradicionais - Ford, General Motors e Chrysler - passaram a concorrer com os carros pequenos da American Motors. Além desses, continuam a operar os fabricantes de carros especiais, como a Cheeker, que produz os táxis yellow cab. No Japão, segundo produtor mundial, funcionam a Nissan (automóveis), a Toyota (automóveis e jipes) e a Mazda (carros com motor rotativo), além das subsidiárias americanas, como a Chrysler e a General Motors. Na Inglaterra, a Chrysler UK, a Vauxhall, a Ford England e a Britisli Leyland Motors. Na França, a Renault (estatal), a Citroën, a Chrysler (que absorveu a Simca), a Peugeot e a Berliet. Na Itália, a Fiat (que engloba várias marcas famosas, como Lancia e Ferrari), a Alfa-Romeo e a Masserati (carros especiais). Na Alemanha, a Volkswagen, a Daimler Benz (Mercedes), a Adam Opel, a BMW e a Borsch.



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