Nessa época já havia quase uma centena de fabricantes de carros experimentais, só nos EUA, mas o automóvel era considerado como um brinquedo caro, sem qualquer finalidade ou utilidade prática. Os próprios fabricantes o consideravam assim. Foi então que um jovem a mecânico agrícola de Michigan, Henry Ford, teve a visão do automóvel como um meio de transporte barato, útil e prático, cujo uso deveria fatalmente se generalizar. Deveria, pois, ser oferecido a grandes multidões. Seu primeiro carro de sucesso foi construído em 1896, em Dearbom, e tinha um motor a gasolina, de dois cilindros, quatro tempos, 4 c.v., andando até 100 km com 12 litros de combustível. As rodas eram de bicicletas com pneus de borracha. A transmissão do motor ao eixo era feita por correia e deste para a roda traseira, por corrente e roda dentada. Depois desse protótipo, construiu modelos de corrida, que ele mesmo dirigia, com o duplo objetivo de propagar o automóvel e testar detalhes de seus carros, além de estudar os dos outros concorrentes. Em 1908 lançou o seu famoso carro universal modelo T, de quatro cilindros, bom funcionamento, muito resistente e barato. Ao todo, até 1927, quando deixou de ser fabricado, foram entregues cerca de 15 milhões de unidades, que demonstraram o acerto de suas previsões.
Mas apesar do sucesso do carro simples e produzido em série, e por isto mesmo barato, o automóvel de luxo tinha sua sedução, por seu aspecto e conforto, havendo pessoas que pagavam por um Cadillac quatro a cinco vezes mais que por um Ford T. Entretanto, Ford teimava em oferecer como única opção o seu modelo T, "em cor a escolher desde que fosse preto", ignorando o grande mercado de maior poder aquisitivo, que continuava insatisfeito. Coube a Alfred P. Sloan Jr., presidente da General Motors, dar a feição atual ao mercado automobilístico. Sentindo que o automóvel refletiria o padrão de vida do proprietário, definiu a priori cinco níveis de preço, correspondentes a cinco modelos diferentes. A solução encontrada por ele foi não concorrer na classe do modelo T, por impossibilidade de competir em preço com ele. Em vez disso, ofereceu carros melhores e mais atraentes aos consumidores de padrão de vida superior ao dos usuários do modelo T, por preço um pouco mais elevado. O mais baixo na escala era o Chevrolet, que depois de usado dois anos seria revendido na faixa de preço do modelo T, com vantagem sobre ele, criando assim, indiretamente, um concorrente ao Ford.
Os melhoramentos foram surgindo e sendo incorporados progressivamente aos carros de nível mais alto. Assim, amortecedores foram conjugados às molas, de modo a oferecer mais conforto aos passageiros e maior vida ao conjunto por diminuir os choques e trepidações; o acionamento das rodas traseiras passou a ser feito por meio de engrenagens em lugar de correntes; e, finalmente, o último dos grandes melhoramentos necessários à generalização do uso do automóvel: foi introduzido um motor de partida autônomo, elétrico, acionado pela própria bateria, acabando com a incômoda e perigosa alavanca manual. Sua realização em termos práticos é devida ao engenheiro eletricista Charles Kettering.