::. ANO LXII / EDIÇÃO 409 .::
01 a 15 de Agosto de 2004
.:: FUNDADOR ::.
MATOSO FILHO
.:: REDATOR ::.
HORÁCIO MATOSO

INTERESSE
Impera, no universo de muitos seres humanos, esta procura de vantagem pessoal, de proveito, chamada comumente de INTERESSE. Tudo já se inicia, quando o indivíduo nasce, os pais conjecturando quem serão os seus padrinhos. Os olhos, no entanto, mais voltados para a situação social e financeira dos futuros compadres que ao fato de SER como pessoa. E aquela criança, ao longo dos anos, vai sendo manipulada para “se dar bem na vida”, às custas dos outros.
Na adolescência, começa outra verdadeira batalha de interesses. Os pais interrogando aos filhos sobre as famílias dos amiguinhos, incutindo no espírito do adolescente a noção de interesse por sobrenomes e posição social, sem sopesarem as qualidades interiores que as criaturas possam apresentar e, nos colégios, em torno de meninas afortunadas, voluteiam inúmeras interesseirinhas, iniciando-se o indivíduo na faina de esmagar a sua identidade, desenvolvendo, talvez, complexo de inferioridade e, quem duvida, incapacidade de se projetar por conta própria.
Observando-se, na sociedade, é grande a fila de “carreiristas”, atrás das pessoas de nome: políticos, empresários, pessoas colunáveis..., como se o outro fosse mais a sua tábua de salvação que eles próprios evidenciando capacidade de trabalho, inteligência e ação. Às vezes, elementos desse tipo se dão bem na vida, por causa do velho adágio “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, mas não por competência, coragem, carisma... São temperamentos desprovidos de orgulho próprio e brio.
É horrível uma índole interesseira. Para ela o bom é quem está de cima, a citar nomes de projeção como pessoas do seu relacionamento. Serão de fato? “Farejam” as pegadas de quem possui sobrenome famoso, e os elogios voam desvairados sobre os forjados amigos. Esquece que a sua vida pode também se fortalecer, que possui grandes qualidades e latências para desenvolver e, no afã dessa maneira torpe de agir, atrofia o seu potencial. Tudo bem, que todos possam ficar alegres com a ascensão dos outros, bater palmas para o sucesso do próximo, mas não esqueçam de também crescer, galgando a escada do sucesso com as suas próprias passadas, não usando as criaturas. E que ajuda não seja sinônimo de dependência!
Se o interesse no amigo bem posicionado socialmente é abominável, imagine o leitor, quando se volta para os laços matrimoniais. Que coisa mais deprimente e repulsiva: usar o cônjuge, mais para conquistar “status”, melhorar de vida, que para a saciedade espiritual e sexual! E o amor? As qualidades pessoais ficam onde? O sonho, todavia, de muitos é conquistar alguém de projeção, mormente financeira.
E a constatação de um sentimento de tão baixo quilate ir ganhando espaço, no terreno da sociedade, deixa qualquer um decepcionado com certa facção da humanidade, afinal ela não conquista o que o espírito almeja, o que anseia a intuição humana, as posições por mérito próprio. Isso não massageia o ego de um vivente, a não ser que viva simplesmente por viver, sem Deus e um ideal mais forte.
É preciso que o indivíduo acredite nele próprio!

ELIANE ARRUDA *professora e membro da ACEJI


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