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Impera,
no universo de muitos seres humanos, esta procura de vantagem
pessoal, de proveito, chamada comumente de INTERESSE. Tudo
já se inicia, quando o indivíduo nasce, os pais
conjecturando quem serão os seus padrinhos. Os olhos,
no entanto, mais voltados para a situação social
e financeira dos futuros compadres que ao fato de SER como
pessoa. E aquela criança, ao longo dos anos, vai sendo
manipulada para “se dar bem na vida”, às
custas dos outros.
Na adolescência, começa outra verdadeira batalha
de interesses. Os pais interrogando aos filhos sobre as famílias
dos amiguinhos, incutindo no espírito do adolescente
a noção de interesse por sobrenomes e posição
social, sem sopesarem as qualidades interiores que as criaturas
possam apresentar e, nos colégios, em torno de meninas
afortunadas, voluteiam inúmeras interesseirinhas, iniciando-se
o indivíduo na faina de esmagar a sua identidade, desenvolvendo,
talvez, complexo de inferioridade e, quem duvida, incapacidade
de se projetar por conta própria.
Observando-se, na sociedade, é grande a fila de “carreiristas”,
atrás das pessoas de nome: políticos, empresários,
pessoas colunáveis..., como se o outro fosse mais a
sua tábua de salvação que eles próprios
evidenciando capacidade de trabalho, inteligência e
ação. Às vezes, elementos desse tipo
se dão bem na vida, por causa do velho adágio
“Água mole em pedra dura, tanto bate até
que fura”, mas não por competência, coragem,
carisma... São temperamentos desprovidos de orgulho
próprio e brio.
É horrível uma índole interesseira. Para
ela o bom é quem está de cima, a citar nomes
de projeção como pessoas do seu relacionamento.
Serão de fato? “Farejam” as pegadas de
quem possui sobrenome famoso, e os elogios voam desvairados
sobre os forjados amigos. Esquece que a sua vida pode também
se fortalecer, que possui grandes qualidades e latências
para desenvolver e, no afã dessa maneira torpe de agir,
atrofia o seu potencial. Tudo bem, que todos possam ficar
alegres com a ascensão dos outros, bater palmas para
o sucesso do próximo, mas não esqueçam
de também crescer, galgando a escada do sucesso com
as suas próprias passadas, não usando as criaturas.
E que ajuda não seja sinônimo de dependência!
Se o interesse no amigo bem posicionado socialmente é
abominável, imagine o leitor, quando se volta para
os laços matrimoniais. Que coisa mais deprimente e
repulsiva: usar o cônjuge, mais para conquistar “status”,
melhorar de vida, que para a saciedade espiritual e sexual!
E o amor? As qualidades pessoais ficam onde? O sonho, todavia,
de muitos é conquistar alguém de projeção,
mormente financeira.
E a constatação de um sentimento de tão
baixo quilate ir ganhando espaço, no terreno da sociedade,
deixa qualquer um decepcionado com certa facção
da humanidade, afinal ela não conquista o que o espírito
almeja, o que anseia a intuição humana, as posições
por mérito próprio. Isso não massageia
o ego de um vivente, a não ser que viva simplesmente
por viver, sem Deus e um ideal mais forte.
É preciso que o indivíduo acredite nele próprio!
ELIANE ARRUDA *professora e membro da ACEJI |