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Seu Web site é impressionante. Felicitações! Eu pude mais ou mais menos compreender os textos abstratos, mas não a história sobre o vestido vermelho de Maria, infelizmente. Algumas das citações ditas por homens famosos sobre mulheres me deixaram realmente passada!!!

Por outro lado, eu não tenho tempo para as feministas estridentes, as mulheres que abandonam suas crianças para  "serem alguém" em alguma grande corporação. Como se criar crianças não fosse um trabalho extremamente importante. Eu conheço muitas mulheres cujos maridos ganham uma abundância em dinheiro, mas, essas mulheres, têm que "realizar-se" seguindo uma carreira, ou simplesmente trabalhar como recepcionistas. Tudo bem, existem mulheres excepcionais que podem dar uma grande contribuição à sociedade em seus campos específicos, mas em sua maioria as mulheres são medianas, por definição, e o que é assim tão melhor sobre trabalhar em escritório do que criar suas próprias crianças? Tantos jovens hoje em dia sentem-se  perdidos e têm poucos modos porque ninguém os tem ensinado.

Quando nós tivemos nossas crianças, muitas mulheres olharam com menosprezo para mim, pois eu era "apenas uma dona de casa". Mas isso não me incomodou. Eu tive tempo para brincar com meus filhos, falar com eles, ensinar-lhes coisas. Nós não éramos ricos por meio algum, não tínhamos nossa própria casa ou um carro sofisticado. Mas nós tivemos o bastante, nós estávamos confortáveis, e eu estava tão contente de poder ficar em casa.

Eu percebo que as coisas são muito diferentes para uma mulher que não tenha uma família, e tem que se esforçar para ser aceita igual ao um homem em um trabalho onde possa fazer tão bem quanto ele. As mulheres certamente não são menos inteligentes do que homens - freqüentemente nós somos mais espertas, mais práticas. Nós temos a tendência de sermos mais próximas à natureza, por sermos aquelas feitas par dar luz à nova vida.

E-mail enviado por Valentina Beki, idade 68, Toronto, Canadá
(Versão original em Inglês disponível no www.geocities.com/corderosa_choque/Share)

                                          
   
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Eu estava voltando da escola. Estudava magistério à noite e trabalhava dois expedientes. Era maio de 1961 e eu tinha 22 anos. Acho que era uma sexta-feira. Desci do ônibus e andei em direção a rua que me levava para o caminho à minha casa. Havia bastante gente e movimentação. No caminho passei pelo meu pai. Na época tinha uns 56. O cumprimentei. Chovia fininho. Ele caminhava sob um guarda-chuva. Carregava uma maleta com dinheiro em uma mão e algo mais na outra, não me lembro exatamente.

Trabalhava como supervisor em um estádio de futebol e nos finais de semana vendia confecção masculina na feira pública. Estava voltando para casa após ter armado a barraca para o dia seguinte. Ofereceu uma ‘carona’ debaixo do guarda-chuva. Falei que não precisava. A chuva era leve. Com uma corridinha logo chegaria em casa.  Meu pai era um homem muito alto e corpulento, carregava muitas coisas, dividir o mesmo guarda-chuva iria ser atrapalhado.

O tapa súbito ao pé do meu ouvido me surpreendeu e tirou meu equilíbrio. Fui parar contra a parede da casa na esquina da travessa onde morava. Meu pai apertou o passo atrás de mim e não percebi quando me alcançou. Disse algo que não me lembro com clareza. Apenas sei que foram insultos. Irritou-se com a minha recusa em caminhar sob o mesmo guarda-chuva. Era uma grave desobediência. Se as outras pessoas viram ou falaram algo não sei. Só corri rápido para casa.  Estava com raiva. Senti-me frustrada e um sentimento de impotência me dominou. Não podia revidar, ou falar nada. Tinha que agüentar o insulto e seguir adiante. Como sempre.

O afastamento entre nós aumentou ainda mais. Engraçado que na infância me sentia mais próxima a ele do que à minha mãe.  Ao chegar em casa não falou nada. Nada era mencionado. Aconteceu e pronto. Desde mais ou menos os meus 11 anos que passei a tratá-lo com distanciamento. Era o pai severo, austero. Acabaram-se os dias em que sentava em seu colo e brincava com seu cabelo, fazendo tranças e penteados (Pagava-me por piolhos encontrados). Um dia me jogou ao chão sem explicações. Foi a mágoa maior, o que profundamente me abalou. Mais tarde descobri o porquê. Estava ficando mocinha.

Passei a fazer tudo para não aborrecer ao meu pai. Evitar conflitos. Só quando comecei a trabalhar me senti com mais força para enfrentá-lo, me deu mais independência.  Adulta, nunca o chamei de ‘pai’ ou ‘papai’. Era sempre Seu Augusto. Não gostava. Nunca me disse diretamente. Reclamava com minha mãe. Mamãe era nossa cúmplice. Ajudava a gente às escondidas.

Assim era meu pai. Duro, severo, austero, seco e com dois jeitos de educação distintos para os filhos e as filhas. Tenho dois irmãos. Lembro que o caçula gostava de ficar em casa. “Homem tem que ir a rua”; pensava meu pai. “Nada de ficar casa”. Um dia forçou o meu irmão a entrar no açude e para evitar que saísse de dentro d’água jogava-lhe pedra. Para torná-lo macho. O outro irmão seguia os passos do meu pai
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Leonora, idade 67, Recife PE
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