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O que é gênero?  Para responder esta pergunta, precisamos primeiro esclarecer que gênero não é sexo. Sexo é biológico: nascemos mulheres ou homens; é algo natural, que não pode ser mudado e que determina algumas coisas, como, por exemplo, a capacidade de gerar uma criança e de amamentar.

Já o gênero é social: diz respeito às relações entre homens e mulheres que foram construídas ao longo da história em uma determinada sociedade e aprendidas pela socialização -  o processso por meio do qual são ensinados os códigos, normas e regras básicas de comportamento e relacionamento dentro de determinado grupo social.

Por isso, as relações de gênero podem mudar continuamente e diferem de acordo com o lugar e a época, mas sempre refletindo as formas como cada grupo social define os lugares das mulheres e dos homens impondo papéis diferenciados que, nas maioria das sociedades, permitem a subordinação das mulheres. Em outras palavras expressam as relações de poder definidas pelo fato de se ter nascido homem ou mulher.

Segundo essa visão, a natureza define que nasçamos como machos ou fêmeas da espécie humana, mas a educação que recebemos e a maneira como a sociedade nos trata são fenômenos culturais que podem ser mudados.

A questão de gênero é crucial na promoção da cidadania e deve estar presente na prática cotidiana de educação popular.

Fontes: Rede Mulher de Educação, Um outro jeito de ser, 1994 , Relações de gênero no ciclo de projetos, 1996, “Gênero e Cidadania” por Vera Vieira, página 89 da publicação “Educação Popular: Prática plural”, editado por NOVA e Rede Mulher de Educação, 2000.
Expressões como estas, repetidas ad nauseam nas mais diversas circunstâncias, promovem uma associação sedutora entre as noções de Mulher e Natureza. Ao longo da história do pensamento ocidental, este corpo de idéias transformou-se em senso comum que ressurge hoje, na contemporânea discussão da crise ambiental identificada com uma crise de civilização. Com status de teses inovadoras, estas velhas idéias, em nada inspiradoras de mudanças, voltam ao debate com roupagem nova: a Natureza feminina ou argumento da Natureza na definição do papel social da mulher.

À antiga lógica de conquista/dominação da natureza, parecem suceder, nesta época de preocupação ecológica, noções de preservação/conversação, manutenção dos equilíbrios, das perenidades. Nesta esteira, diversas correntes atuais (as pós-), tentam responder à ânsia por perspectivas históricas com um conjunto de valores ‘definitivos’, ‘eternos’, substitutos cronológicos das agonizantes ideologias do progresso. Frente à ‘falência’ diagnosticada nos modelos servidos até hoje, pretende-se recorrer às essências: daí a ressurreição da idéia de ‘natureza feminina’, ahistórica, positivamente próxima do cerne das coisas, garantindo autenticidade inerente às suas propostas. Ademais, dotada do brilho de uma aparente inversão da hierarquia de valores: reverencia-se o que era anteriormente desprezado.

Se o contexto é, sem dúvida, inédito, e a proposta apela para anseios profundos, estes conceitos não trazem em si, fundamentalmente, nenhuma novidade: a naturalização de certas categorias de pessoas faz parte, há séculos, do repertório do pensamento ocidental dominante, aliás, na maioria das vezes, com o fim de oprimí-las, explorá-las ou até mesmo aniquilá-las.

(...)


Extraído do poster "O CÉREBRO DAS BALEIAS - ou do 'feminino' e da 'natureza' no Pensamento Ocidental", distribuído pelo SOS Corpo.
“A mulher é Natureza”, “A mulher está mais próxima da Natureza”, “A mulher expressa, pelo seu próprio corpo, uma ligação estreita com o mundo natural, os ciclos naturais.” “A natureza feminina determina o destino da mulher.”
“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora este produto intermediário entre macho e o castrado que qualificam de feminino.”  (Simone de Beauvoir, “O Segundo sexo”, 1949)
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