| CONSTRUÇÕES
BÍBLICAS
5. Águas de Siloé
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ÁGUAS
DE SILOÉ
Mais
do que ninguém o nordestino sabe o quanto a água é valiosa. Em tempos
de “el niño” (o aquecimento das águas do pacífico sul),
fortes chuvas devastadoras atacam o sul e o sudeste do Brasil e no
nordeste a mortífera e desumana seca humilha com fome e sede a milhões
de brasileiros que vivem longe das belas capitais turísticas banhadas o
ano inteiro pelo sol e pelo mar. Não tenho a menor dúvida de que um sistema de transposição a partir de Tocantins passando pelo rio São Francisco poderia atacar se não definitivamente, pelo menos substancialmente este problema. Além disso, acredito que o combate à fome e à miséria no nosso país passa por uma solução definitiva para o problema da seca no nordeste. Sabemos que há tecnologias disponíveis. Só falta a vontade política. Nos tempos bíblicos a preocupação com o abastecimento de água era assunto de grande preocupação. Embora a terra prometida “manasse leite e mel” em tempos de seca ou de guerra o abastecimento humano ficava ameaçado. Na iminência de uma guerra contra a Assíria do rei Senaqueribe o rei hebreu Ezequias deu ordens para a construção de uma adutora escavada na rocha, que levariam as águas da fonte de Giom até o reservatório de Siloé. Vejamos duas referências bíblicas que descrevem a atuação do rei Ezequias: (2
Reis 20:20) Quanto ao resto dos assuntos de Ezequias e toda a sua potência,
e como fez o reservatório de água e o aqueduto, e então trouxe água
à cidade, não estão escritos no livro dos assuntos dos dias dos reis
de Judá? (2
Crônicas 32:30) E foi Ezequias quem tapou a nascente superior das águas
de Giom e canalizou-as diretamente para baixo, para o oeste da Cidade de
Davi, e Ezequias continuou a mostrar-se bem sucedido em todo o seu
trabalho. Note o comentário extraído
do livro “A vida - Qual a sua origem? A evolução ou a criação,
1985” (Life - How did get here? By evolution ou by creation?): “Atualmente,
em Jerusalém, a pessoa pode caminhar através dum túnel de 533 metros,
escavado em rocha maciça, há mais de 2.700 anos. Foi escavado para
proteger o suprimento de água da cidade, por transportar a água da
oculta e extramural fonte de Giom, até o Reservatório de Siloé,
intramural. A Bíblia explica como Ezequias mandou construir esta
adutora para fornecer água à cidade, antecipando o vindouro sítio por
parte de Senaqueribe”. A enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras no verbete Giom comenta o seguinte: “Quando o ataque assírio se tornou iminente, no reinado de Ezequias (732 AC), o Rei Ezequias tomou medidas para assegurar que o suprimento de água de Jerusalém não caísse nas mãos do inimigo. (2Cr 32:2-4) Todavia, possivelmente com referência a outra época, o registro de 2 Crônicas 32:30 mostra que ele tapou o fluxo de Giom através do seu canal já existente e desviou as águas para o lado ocidental da “Cidade de Davi”, bem dentro das fortificações de Jerusalém. Evidência da maneira em que isto foi realizado veio a lume em 1880 AD, quando se encontrou uma inscrição gravada na parede de um túnel de águas que terminava no que atualmente é conhecido como o reservatório de água de Siloé, na parte O da antiga “Cidade de Davi”. A inscrição, na antiga escrita hebraica, considerada como sendo do oitavo século AC, descrevia a escavação do túnel através da rocha sólida por duas turmas de homens trabalhando das extremidades opostas para se encontrarem. Quando o túnel foi completamente desobstruído em 1910, verificou-se que tinha uns 533 m de extensão com a altura média de 1,8 m e estreitava-se às vezes para a largura de apenas 50 cm. Parece evidente que esta notável façanha de engenharia é o resultado das medidas adotadas por Ezequias para proteger e manter o suprimento de água procedente de Giom”. O reservatório de Siloé foi
certa vez palco de um dos milagres de Jesus. No local havia um cego de
nascença e quando o viram os discípulos de Jesus querendo saber o
porquê daquele homem nascer cego perguntaram-lhe o seguinte: (João
9:2) “Rabi, quem pecou, este homem ou os seus pais, de modo que nasceu
cego?”. O meste disse-lhes: (João 9:3) “Nem este homem pecou, nem os seus pais”. Com isto Jesus disse que o
infortúnio das doenças pode afligir a qualquer pessoa, quer seja ela
boa ou má. Em outras palavras é como diz o sábio em Eclesiastes
9:11: “porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles”. Vendo
a oportunidade de fazer o bem ao pobre homem Jesus fez o seguinte: (João
9:6,7,11) Depois de dizer estas coisas, cuspiu no chão e fez barro com
a saliva, e pôs este barro sobre os olhos [do homem] e lhe disse:
“Vai lavar-te no reservatório de água de Siloé” (que é traduzido
‘Enviado’). E ele foi então e lavou-se, e voltou vendo. Ele
respondeu: “O homem chamado Jesus fez barro e untou-me os olhos [com
ele], e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te.’ Portanto, fui e
lavei-me, e recebi visão.” Outra ocasião no relato bíblico onde Siloé é mencionado foi em Lucas 13:4. Vejamos o que Jesus falou: (Lucas
13:4) “Ou aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé,
matando-os, imaginais que eles se mostraram maiores devedores do que
todos os outros homens que habitam em Jerusalém?”. Aqui Jesus fala de um acidente durante a construção de uma torre que talvez fosse fazer parte de uma ampliação do complexo de transposição. Dezoito pessoas morreram, possivelmente durante a fase da construção. Houve erro de projeto? O problema foi de execução? Jamais saberemos. Mas o fato é que novamente Jesus fala que o tempo e o imprevisto sobrevêm a qualquer pessoa. Para sua infelicidade, estavam no lugar errado, na hora errada. O que aprendemos dos relatos bíblicos a respeito das águas de Siloé? Primeiro que um governante, o rei Ezequias preocupou-se com os recursos hídricos disponíveis e mandou construir um sistema de transposição para que o povo não ficasse sem água. Segundo, que ninguém nasce predestinado. O cego não estava predestinado a morrer cego, nem os dezoito a morrer num acidente. Estamos sujeitos ao tempo e ao imprevisto. Esta é uma realidade da vida. Por isto não podemos aceitar a idéia de que o nordeste brasileiro está predestinado a ser sempre seco e que seu povo sempre sofra com a falta d’água e com a fome decorrente da falta d’água. Sabemos que esta realidade pode ser modificada. Os relatos sobre as águas de Siloé nos ensinam isto. |