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CONSTRUÇÕES BÍBLICAS

1. O Templo

2. Babilônia

3. Estradas Romanas

4.Moradias do povo comum

5. Águas de Siloé

 

ÁGUAS DE SILOÉ

Mais do que ninguém o nordestino sabe o quanto a água é valiosa. Em tempos de “el niño” (o aquecimento das águas do pacífico sul), fortes chuvas devastadoras atacam o sul e o sudeste do Brasil e no nordeste a mortífera e desumana seca humilha com fome e sede a milhões de brasileiros que vivem longe das belas capitais turísticas banhadas o ano inteiro pelo sol e pelo mar.

Não tenho a menor dúvida de que um sistema de transposição a partir de Tocantins passando pelo rio São Francisco poderia atacar se não definitivamente, pelo menos substancialmente este problema. Além disso, acredito que o combate à fome e à miséria no nosso país passa por uma solução definitiva para o problema da seca no nordeste. Sabemos que há tecnologias disponíveis. Só falta a vontade política.

Nos tempos bíblicos a preocupação com o abastecimento de água era assunto de grande preocupação. Embora a terra prometida “manasse leite e mel” em tempos de seca ou de guerra o abastecimento humano ficava ameaçado.

Na iminência de uma guerra contra a Assíria do rei Senaqueribe o rei hebreu Ezequias deu ordens para a construção de uma adutora escavada na rocha, que levariam as águas da fonte de Giom até o reservatório de Siloé.

Vejamos duas referências bíblicas que descrevem a atuação do rei Ezequias:

(2 Reis 20:20) Quanto ao resto dos assuntos de Ezequias e toda a sua potência, e como fez o reservatório de água e o aqueduto, e então trouxe água à cidade, não estão escritos no livro dos assuntos dos dias dos reis de Judá?

(2 Crônicas 32:30) E foi Ezequias quem tapou a nascente superior das águas de Giom e canalizou-as diretamente para baixo, para o oeste da Cidade de Davi, e Ezequias continuou a mostrar-se bem sucedido em todo o seu trabalho.

Note o comentário extraído do livro “A vida - Qual a sua origem? A evolução ou a criação, 1985” (Life - How did get here? By evolution ou by creation?): “Atualmente, em Jerusalém, a pessoa pode caminhar através dum túnel de 533 metros, escavado em rocha maciça, há mais de 2.700 anos. Foi escavado para proteger o suprimento de água da cidade, por transportar a água da oculta e extramural fonte de Giom, até o Reservatório de Siloé, intramural. A Bíblia explica como Ezequias mandou construir esta adutora para fornecer água à cidade, antecipando o vindouro sítio por parte de Senaqueribe”.

A enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras no verbete Giom comenta o seguinte: “Quando o ataque assírio se tornou iminente, no reinado de Ezequias (732 AC), o Rei Ezequias tomou medidas para assegurar que o suprimento de água de Jerusalém não caísse nas mãos do inimigo. (2Cr 32:2-4) Todavia, possivelmente com referência a outra época, o registro de 2 Crônicas 32:30 mostra que ele tapou o fluxo de Giom através do seu canal já existente e desviou as águas para o lado ocidental da “Cidade de Davi”, bem dentro das fortificações de Jerusalém. Evidência da maneira em que isto foi realizado veio a lume em 1880 AD, quando se encontrou uma inscrição gravada na parede de um túnel de águas que terminava no que atualmente é conhecido como o reservatório de água de Siloé, na parte O da antiga “Cidade de Davi”. A inscrição, na antiga escrita hebraica, considerada como sendo do oitavo século AC, descrevia a escavação do túnel através da rocha sólida por duas turmas de homens trabalhando das extremidades opostas para se encontrarem. Quando o túnel foi completamente desobstruído em 1910, verificou-se que tinha uns 533 m de extensão com a altura média de 1,8 m e estreitava-se às vezes para a largura de apenas 50 cm. Parece evidente que esta notável façanha de engenharia é o resultado das medidas adotadas por Ezequias para proteger e manter o suprimento de água procedente de Giom”.

O reservatório de Siloé foi certa vez palco de um dos milagres de Jesus. No local havia um cego de nascença e quando o viram os discípulos de Jesus querendo saber o porquê daquele homem nascer cego perguntaram-lhe o seguinte: (João 9:2) “Rabi, quem pecou, este homem ou os seus pais, de modo que nasceu cego?”.

O meste disse-lhes: (João 9:3) “Nem este homem pecou, nem os seus pais”.

Com isto Jesus disse que o infortúnio das doenças pode afligir a qualquer pessoa, quer seja ela boa ou má. Em outras palavras é como diz o sábio em Eclesiastes 9:11: “porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles”.

Vendo a oportunidade de fazer o bem ao pobre homem Jesus fez o seguinte:

(João 9:6,7,11) Depois de dizer estas coisas, cuspiu no chão e fez barro com a saliva, e pôs este barro sobre os olhos [do homem]  e lhe disse: “Vai lavar-te no reservatório de água de Siloé” (que é traduzido ‘Enviado’). E ele foi então e lavou-se, e voltou vendo. Ele respondeu: “O homem chamado Jesus fez barro e untou-me os olhos [com ele], e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te.’ Portanto, fui e lavei-me, e recebi visão.”

Outra ocasião no relato bíblico onde Siloé é mencionado foi em Lucas 13:4. Vejamos o que Jesus falou:

(Lucas 13:4) “Ou aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, imaginais que eles se mostraram maiores devedores do que todos os outros homens que habitam em Jerusalém?”.

Aqui Jesus fala de um acidente durante a construção de uma torre que talvez fosse fazer parte de uma ampliação do complexo de transposição. Dezoito pessoas morreram, possivelmente durante a fase da construção. Houve erro de projeto? O problema foi de execução? Jamais saberemos. Mas o fato é que novamente Jesus fala que o tempo e o imprevisto sobrevêm a qualquer pessoa. Para sua infelicidade, estavam no lugar errado, na hora errada.

O que aprendemos dos relatos bíblicos a respeito das águas de Siloé? Primeiro que um governante, o rei Ezequias preocupou-se com os recursos hídricos disponíveis e mandou construir um sistema de transposição para que o povo não ficasse sem água. Segundo, que ninguém nasce predestinado. O cego não estava predestinado a morrer cego, nem os dezoito a morrer num acidente. Estamos sujeitos ao tempo e ao imprevisto. Esta é uma realidade da vida. Por isto não podemos aceitar a idéia de que o nordeste brasileiro está predestinado a ser sempre seco e que seu povo sempre sofra com a falta d’água e com a fome decorrente da falta d’água. Sabemos que esta realidade pode ser modificada. Os relatos sobre as águas de Siloé nos ensinam isto.

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