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The sims 2:
Milhões de pessoas passaram os últimos quatro anos
e meio vivendo vidas duplas no ciberespaço, pagando contas virtuais com
salários digitais, vivendo romances imaginários e comprando bens de
consumo feitos de pixels. "The Sims" ainda é uma grande febre no mundo
inteiro, mas a tecnologia por detrás do game está ultrapassada há anos e
uma pilha de expansões não corrigiu o problema. Agora, quase cinco anos
depois, será que a continuação tem lenha para incendiar a mania pelo
simulador de pessoas?
"The Sims 2" marca o retorno das pessoas virtuais e seus lares digitais,
desta vez com uma apresentação completamente tridimensional. Como no
original, jogadores criam avatares escolhendo suas aparências e
personalidades, moldando seus lares com objetos comprados com dinheiro
ganho em seus empregos enquanto buscam a felicidade gerenciando
necessidades como fome, diversão e descanso, entre outros. Mas três
novos elementos importantes prometem grudar novamente as pessoas por
horas nesse espetáculo voyeurístico por horas a fio: narrativas, laços
familiares e a mecânica de ambições e memórias.
Essa é a minha história
A mudança mais imediatamente óbvia é o novo sistema gráfico 3D.
Jogadores contam com uma grande liberdade para movimentar a câmera - com
um sistema pouco prático e intuitivo, mas mesmo assim funcional. Essa
liberdade, somada à capacidade de tirar fotos e vídeos da ação, é
integrada a um sistema de diário virtual: jogadores criam seus filmes e
álbuns de fotos, podendo narrar as aventuras de cidades inteiras. Não é
difícil criar intrigas entre casais, desavenças entre vizinhos,
rivalidades entre irmãos e qualquer outra situação que se possa
imaginar.
O game também traz ferramentas que facilitam o compartilhamento dessas
histórias. Jogadores podem, com o toque de poucos botões, publicar blogs
virtuais no site oficial do game. Lá, é possível também compartilhar
personagens, objetos, bairros, casas - a estrutura modular do original
está de volta, mas dessa vez mais robusta. Com um sistema de criação de
casas muito mais poderoso e a opção de personalizar cores de mobília, o
game oferece ambientes elaborados. É possível personalizar desde a
trilha sonora até o game que os Sims jogam em seus videogames, entre
dezenas de outras opções para usuários avançados. Tendo em vista o
tamanho e paixão da comunidade, é questão de tempo até que centenas de
novos downloads comecem a pipocar semanalmente no site.
Aula de genética
Emprestando um pouco mais da vida real, os Sims agora são sujeitos à
ação do tempo. Você começa a partida com seu personagem no início da
vida adulta e o acompanha até a velhice e sua eventual morte. Mas o
esforço do jogador não é perdido: assim como os novos Sims têm rostos
extremamente detalhados, todos os seus traços genéticos foram mapeados -
e os filhos de casais de Sims herdam suas características. Eles podem
morrer, mas agora deixam verdadeiros herdeiros para o jogador.
Quando dois Sims fazem "Oba Oba" na tentativa de criar descendentes, a
mulher pode engravidar. Depois de alguns dias (durante os quais fica com
muito mais fome e vontade de ir ao banheiro, além de um humor bastante
ingrato), ela gera um novo Sim gerado a partir dos genes dos pais.
Durante os próximos dias, ele precisará ser alimentado, ensinado a usar
o banheiro, falar e andar, ter suas fraldas trocadas: é possível
contratar uma babá, mas o infante se apegará às pessoas que cuidaram
dele e isso pode resultar em crianças problemáticas.
O recém-nascido aos poucos vai crescendo, passado pela fase de bebê (no
qual o jogador tem pouco controle direto), criança (onde ganha pleno
controle) e adolescente. Essas fases também ajudam a definir seu caráter
- ele pode ganhar medos se passar por certas situações traumáticas. Mas
é quando ele se torna um adulto que entra a última grande inovação de
"The Sims 2": ambições.
Dando rumo à vida
Ao completar seus rituais de passagem, o Sim deve escolher uma ambição.
Ele pode almejar conhecimento, riqueza, popularidade, romance, família
etc. Cada um deles trazendo objetivos e medos. Um Sim em busca de
romance vai querer fazer "Oba Oba" em público ou ter três pessoas
diferentes apaixonadas por ele ou ela ao mesmo tempo, enquanto teme se
casar e ter filhos. Esses elementos adicionam o aspecto de objetivo que
muita gente pode ter sentido falta no game anterior.
Sucessos e fracassos são computados em uma nova barra semelhante a de
necessidades básicas. Quando está positiva, o Sim fica mais confiante e
é capaz de ter desempenho melhor em certas funções. Mas se descer até o
fim de seu limite negativo, o personagem literalmente fica louco e
incapaz de ser controlado até que receba ajuda de um psicólogo que, por
sinal, literalmente cai do céu.
Os pontos ganhos ao completar aspirações podem ser usados para comprar
objetos exclusivos - parecidos com outros objetos mais raros das
expansões do primeiro game: eles trazem grandes efeitos positivos, mas
se usados sem a barra de aspirações cheia, podem resultar em pequenas
catástrofes. Da mesma forma, chegar ao topo de uma carreira também
destrava um objeto especial para cada uma. Além de tudo isso, um Sim que
completa suas aspirações vive mais tempo. Tudo isso adiciona um número
considerável de objetivos para quem achava o game original muito
desestruturado.
Virtualmente realista
Os criadores do game se esforçaram bastante na animação dos Sims. A
variedade de ações aumentou exponencialmente, trazendo mais de uma
dezena de possibilidades, muitas com divisões internas (por exemplo, os
beijos são divididos em beijoca, romântico, amasso, no braço, e por aí
vai.). Emprestando uma página das versões para consoles, essas opções
vão sendo liberadas à medida que o Sim vai ficando mais íntimo do outro.
As atitudes do Sim também variam de acordo com suas características
básicas e sucesso nas aspirações. Um Sim desleixado come feito um porco,
enquanto um fracassado senta em sofás com a coluna toda torta. Tudo isso
ajuda a estabelecer um elo ainda mais próximo entre criador e criatura -
é difícil não se apegar ao Sim. O idioma Simlish foi todo regravado com
palavras novas, e parece estar muito mais apoiado em línguas reais do
que antes. Independente disso, a expressividade aumentou bastante em
relação ao primeiro "The Sims".
Vizinhança agitada
À medida que sua família vai crescendo, você pode facilmente acompanhar
parentescos com uma árvore genealógica montada automaticamente pelo
game. Não se surpreenda quando esses familiares visitarem ou telefonarem
- eles farão isso se morarem na mesma vizinhança. O mesmo vale para
amigos.
"The Sims 2" empresta apenas alguns elementos das expansões do game
anterior, deixando espaço para uma nova série que certamente pintará nos
próximos anos. Os animais de estimação não estão presentes, mas é
possível visitar lotes comunitários com lojas e piscinas públicas
chamando um táxi. Não é possível sair de férias ou visitar outras
vizinhanças, mas é fácil programar uma festa com o telefone, escolhendo
inclusive o tipo de festa. Alguns fãs podem reclamar do retrocesso, mas
a combinação funciona muito bem para o lançamento.
É só uma fase!
Algumas mudanças nessa nova geração de "The Sims" merecem ser
mencionadas. Quem gostava da trilha sonora do primeiro game terá uma
terrível surpresa: as novas canções não são orquestradas e um pouco
menos dedicadas a certos estilos musicais, ficando com aquela cara
genérica de música de videogame. Felizmente, é possível implantar as
músicas antigas usando as opções de personalização do game.
"The Sims 2" roda relativamente bem em uma máquina média, mas apresenta
sérios problemas mesmo em máquinas rápidas durante duas situações:
festas com muitas pessoas e ao capturar vídeos de tamanhos aceitáveis.
Tendo em vista a importância dessas duas funções, fica um aviso para
quem temia problemas de desempenho.
O controle dos Sims ainda é um pouco problemático, muitas vezes
dificultando a realização de determinadas tarefas - mas ainda assim está
melhor do que no game anterior. O controle de câmera é um obstáculo
muito maior, apresentando respostas lentas e frustrantes. Isso não deve,
porém, impedir nenhum fã da série de curtir as novas possibilidades.
Alterações menores, como dias de folga nos empregos e a capacidade de
cumprimentar múltiplos Sims com um único comando ajudam a aliviar muitas
das frustrações do original.
Entre para o mundo virtual
"The Sims 2" é uma continuação merecida para uma série de sucesso. O
sistema do original já estava beirando ao arcaico, e as novas mudanças
são capazes de animar até o jogador mais aborrecido com as limitações.
Tendo em vista que o game só deve ficar mais interessante com as adições
de fãs e da Maxis, "The Sims 2" é altamente recomendado
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