Patrimônio Histórico
Através da resolução 37 de 30 de setembro
de 1987, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), tombou a Vila
de Paranapiacaba e entorno como patrimônio histórico. Atualmente a Vila está
em processo de reconhecimento municipal e nacional pelo Iphan (Instituto
Patrimônio Histórico Nacional) como patrimônio cultural.
Paranapiacaba está inserida em área de
mananciais e integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e do Cinturão
Verde do Estado de São Paulo.
O patrimônio de Paranapiacaba é
constituído de exemplares do final do século XIX que juntos, formam uma gama
de variedades de arquitetura, equipamentos ferroviários e, soluções urbanas
de grande relevância histórico-tecnológico.
Freqüente objeto de estudo de
pesquisadores, professores, alunos, Paranapiacaba tem a vocação de ser
modelo para preservação, justamente por suas diferentes situações, dando um
tom de valorização que vem sendo trazido à tona cada vez mais, enquanto
forma de conservação e reconhecimento do bem.
A peculiaridade urbana da vila deve ser
vista como parte do processo de soluções que o homem criou para facilitar e
trazer conforto à sua sobrevivência num espaço hostil que foi aberto para
que a tecnologia da Revolução Industrial mostrasse seus efeitos no Brasil.
Por vários motivos Paranapiacaba esteve à frente do país, como por exemplo,
foi o 1º local a ter iluminação elétrica, saneamento básico, a 1ª partida de
futebol e, o embrião do 1º sistema previdenciário do país.
Por ser a única Vila Ferroviária
conservada desde sua fundação no Brasil, pelos motivos apresentados,
Paranapiacaba garantiu seu nome na História.
Pátio
Ferroviário
A arquitetura ferroviária está presente
em Paranapiacaba com edifícios e equipamentos, como o Relógio da Estação,
galpões, depósitos, incluindo os remanescentes do Plano Inclinado.
A chamada "Serra Velha" inaugurada em
1867, foi o primeiro sistema funicular empregado para transpor a Serra do
Mar.
Desse equipamento férreo existente temos
a 4ª Máquina-Fixa fabricada pela William Fairbairn & Sons, de Manchester. No
4º patamar ainda se encontra o serra-breque ou carro freio estacionado sobre
trilhos assentados em dormentes do tipo " panela de ferro fundido", que é o
sistema Greave.
A Serra Nova, também chamada de segundo
sistema funicular, foi inaugurada em 1901 e, possui um conjunto de
equipamentos existentes que faz parte do patrimônio. No trecho
correspondente ao último plano inclinado, ou seja o 4º e 5º patamares, estão
a s 4ª e 5ª máquinas-fixas e respectivos edifícios, a casa das caldeiras e
seus equipamentos, o trecho da via permanente, incluindo o sistema de cabos
e polias, o sistema de comunicação e sinalização, iluminação e força.
São preservados como patrimônio
cultural-tecnológico, pois fazem parte de um complexo e raro exemplar de
mecanismo utilizado em regiões serranas.
Dentre os veículos ferroviários temos os
três Locobreques fabricados pela Kerr –Stuart Ltd. de 1900; os quatro
Locobreques fabricados pela Robert Stephenson & Co. em 1901, 1903 e 1921.
Os equipamentos rodantes utilizados pela
SPR Co. constituem acervo significativo para a memória ferroviária, tais
como a Locomotiva a vapor nº 15, bitola 1,60m fabricada pela Sharp, Stewart
& Co. Ltd., em 1862. A locomotiva a vapor tipo Decauville, bitola 0,60m, nº
de fabricação 1015, produzido pela Kerr & Stuart Co. de London/Stoke em
1907. O carro de Dom Pedro II fabricado pela São Paulo Railway Co. em 1879;
o vagão fúnebre nº 16, bitola 1,60m, fabricado pela SPR em 1907.
Os dois vagões de passageiros da 1ª
classe, nº 111 e 112 fabricados pela São Paulo Railway Co.; os dois vagões
para passageiros da 2ª nº 188 e 451 fabricados pela SPR.
Vila
Martin S
mith
(Vila Nova - Parte Baixa)
Também conhecida como Vila Nova é parte
do conjunto urbanístico que constitui um exemplar no Brasil de núcleo urbano
planejado com uso especializado, ou seja, Vila Ferroviária.
Moradias próximas a ferrovia para
facilitar a fiscalização, incorporando uma divisão hierárquica construída
como resultado dos conceitos da Revolução Industrial ocorrida na Europa.
A hierarquização subdivide a implantação
da Vila Martin Smith em diversas escalas arquitetônicas e cria várias
tipologias utilizadas pelos funcionários de acordo com sua situação
trabalhista na ferrovia.
O chamado "Castelinho", residência
construída sobre uma elevação natural, em ponto estratégico do qual
visualiza-se toda a Vila, representa a escala maior e, isolava
engenheiro-residente do restante dos moradores, além de criar a
possibilidade da fiscalização propriamente dita.
Das tipologias existentes, temos as casas
isoladas de alto padrão, as geminadas de duas, três, quatro e cinco.
Inclui-se ainda as casas de solteiros que recebiam os ferroviários
recém-chegados e solitários.
Todas essas residências são resultados de
projetos bem elaborados e, tendo como material construtivo principal a
madeira, geralmente pinho de riga e a telha francesa, além do ferro, como os
trilhos utilizados como vigas.
Dentro do conjunto de edificações, temos
ainda exemplares de construções comerciais, como o Antigo Mercado que possui
um sistema de ventilação cruzada através de óculos em suas entradas e
venezianas em suas laterais.
Há edificações sociais como o Velho Lira, que reuniu associados sensíveis à
música e, que posteriormente uniu-se ao Clube de Futebol e juntos passaram a
funcionar na década de 30 no edifício do União Lira Serrano, projetado e
construído especialmente para ser clube.
O Clube também é bastante peculiar, pois
mantém em relação ao conjunto da Vila, as mesmas características originais
da outras edificações, mas com soluções espaciais bem diversificadas, como
por exemplo, a transformação do salão principal em sala de cinema e quadra
de esportes e salão de baile, com camarotes apropriados ao alto escalão da
SPR. Possui ainda outras dependências, como sala de jogos.
Dentro do planejamento da chamada Vila
Martin Smith, construída juntamente com a nova linha da estrada de ferro, é
resultado de um planejamento urbana que inclui ruas principais, secundárias
e, vielas sanitárias, formando quadras que vão sendo conciliadas com as
moradias próximas umas das outras, criando assim um meio de fiscalização
entre os ferroviários e seus familiares dentro desse grande tabuleiro de
xadrez.
Vila V
elha
(Parte Baixa)
É um conjunto que representa as
edificações mais antigas e, o local que ofereceu infra-estrutura à construção
da ferrovia propriamente dita, principalmente em relação a assistência
médica através da construção do Hospital do Alto da Serra.
Um verdadeiro complexo hospitalar
constituído de farmácia, necrotério, salas de cirurgia, consultas,
internação para o alto escalão, casa infecto-contagiosa, um espaço de
isolamento para doenças, além de dependências de funcionários e lavanderia.
A implantação da Vila é totalmente
irregular quanto a lotes e ruas, tendo todas suas edificações construídas
entorno do chamado Caminho do Hospital Velho. É o conjunto de edificações
mais antigas de toda a Vila.
Nessa área existe também a rua Direita,
considerada a 1ª rua construída na Vila, local onde estabeleceu-se o
comércio como farmácia, cooperativa, padaria, etc. No final da rua temos
exemplares das primeiras moradias geminadas.
Como era comum a todas edificações, as
instalações sanitárias eram externas, possuíam um sistema de esgoto
construído por canaletas em pedra que recebiam as águas vindas do Sistema de
Águas do que se denomina hoje Parque das Águas.
Pelas canaletas, que passavam por baixo
das pequenas edificações dos sanitários, tem-se o aumento de volume da água
que funcionava como uma espécie de descarga, havia uma pequena caixa
triangular em ferro, que era acionada por uma torneira que a enchia de água,
quando estivesse cheia, devido ao seu peso, derramava toda a água como uma
descarga aumentando assim o volume da corrente e, carregando os dejetos.
Morro (Parte
Alta)
Aqui ocorreu uma implantação de forma
espontânea, desenvolvida numa encosta natural e sendo voltada ao Pátio
Ferroviário. Nas cidades européias é comum encontrarmos implantações em
elevações voltadas ao mar.
Nesse núcleo são encontradas edificações
térreas e assobradadas, com sacadas, mostrando assim, influências
portuguesas, italianas e até espanholas.
Suas ruas são estreitas e sinuosas e,
como que para proteger e criar uma aproximação aumentando a segurança, as
edificações em alvenaria ou madeira e telhas de cerâmica, expressam a
tradição do sul da Europa e, associadas ainda ao emprego do material técnico
construtivo adotado pelos ingleses.
A Parte Alta formou uma área
concentradora das atividades comerciais de abastecimento da população local
e, constituindo portanto, parte integrante do universo urbano instalado no
Alto da Serra do Mar.
Funcionavam aqui os estabelecimentos
comerciais, hotéis e pensões que recebiam possíveis ferroviários a caminho
de uma contratação pela SPR. A concepção do local para escolha da construção
da Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba no cume do Morro, mantém a tradição
religiosa da Igreja Católica como foco principal e em situação de dominação
como podemos encontrar em outras cidades brasileiras.
Plano patrimônio da
Prefeitura de Santo André
O Plano é da Prefeitura Municipal de
Santo André, o que já demonstra o interesse relevante do projeto, afinal
foram anos de espera para poder realizar um sonho.
A partir deste ano Paranapiacaba faz
parte integralmente do município de Santo André e, nada mais justo do que
lançar o Plano de Desenvolvimento, um Plano de Negócios, em Santo André.
É um plano para marcar época, uma nova
história para Paranapiacaba, colocá-la no mercado turístico em seu merecido
lugar, buscar parceiros, investidores dispostos a ousar e ganhar muito,
enfim, pessoas que estejam dispostas não apenas a ser parte da história de
Paranapiacaba, mas ser a história de Paranapiacaba.
Tem-se uma visão de futuro como
Paranapiacaba é um lugar especial pela sua vila histórica ferroviária, pelas
suas trilhas de ecoturismo e muito especialmente pela qualidade de
atendimento das pessoas. Para isso se tem objetivos claros a serem
alcançados: turista satisfeito, retorno dos investimentos, mínimos impactos
ambientais e culturais, gerando assim um desenvolvimento turístico
sustentável.
Reportagem do Diário do
Grande ABC
""Sexta-feira, 23 de Agosto de 2002 -
Caderno Setecidades - Diário do Grande ABC."
"Paranapiacaba se torna patrimônio
nacional."
IPHAN confirma tombamento da vila ferroviária em Santo André
Por Márcia Pinna Raspanti
Paranapiacaba, em Santo André, tornou-se patrimônio
histórico federal ontem, depois de um longo processo que se estendeu por 17
anos. O tombamento da Vila foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do
IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em reunião
realizada no Rio de Janeiro.
O parecer do tombamento foi elaborado pelo sociólogo e
arquiteto Nestor Goulart Reis Filho, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo) da USP (Universidade de São Paulo), e os conselheiros não
apresentam qualquer alteração ao documento.
O tombamento contempla a parte baixa de Paranapiacaba
e um conjunto de edificações na parte alta, erguidas pela Rede Ferroviária na
década de 60. As construções que foram descaracterizadas ou foram construídas
posteriormente não foram tombadas, mesmo que estejam dentro do perímetro de
preservação. Um exemplo é o Bar da Zilda, um dos pontos comerciais mais
conhecidos do local, que ficou de fora.
Também estão incluídos o sistema funicular até o
quarto patamar, com a casa de máquinas, e os restos do viaduto da Grota Funda,
que fica depois do quarto patamar. Vagões, locomotivas, locobreques e outros
bens móveis não foram tombados, mas podem ser objetos de um estudo específico do
IPHAN. De qualquer forma, eles fazem parte do tombamento estadual, realizado
pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico,
Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo) em 1987.
O tombamento inclui também o entorno da Vila para
preservar a ambientação original da vila ferroviária. São trechos de Mata
Atlântica, sem entrar nos limites da Reserva Biológica do Alto de Paranapiacaba
e da Reserva Estadual do Serra do Mar. Além das residências de madeira, entram
no rol de bens preservados galpões ferroviários e o pátio, inclusive as máquinas
fixas remanescentes (que tracionavam os cabos do funicular) e as grandes caixas
d'água metálicas.
Construída no início do século passado pela São Paulo
Railway para abrigar os trabalhadores da ferrovia, a Vila foi considerada como
"de evidente valor histórico" por Reis Filho.
No parecer, Reis Filho afirmou que Paranapiacaba "é um
bem histórico excepcional, em cuja preservação devemos nos empenhar, preservando
inclusive a integridade da área envoltória, como parte do conjunto".
O primeiro pedido de tombamento federal foi
encaminhado em setembro de 1985. desde então, o processo se arrasta sem solução.
No ano passado, o parecer não pôde ser votado por falta de especificações
técnicas, por isso, o professor Reis Filho foi escolhido o novo relator do
processo.
O parecer anterior incluía a estação de Campo Grande e
a Igreja de São José dos Viajantes. Reis Filho entendeu que não seria possível
incluir estes imóveis na proposta, por pertencerem a um conjunto arquitetônico
diverso."