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Breve Histórico
A importância histórica deste local começa se desenhar ainda nos tempos do Império, a partir da segunda metade do século XIX, com a intensificação do transporte da produção agrícola do Porto de Santos para o Planalto Paulista. Transpor a Serra utilizando como único meio de transporte o lombo de burro transformou-se em um grande obstáculo para o desenvolvimento do Estado de São Paulo, tornando-se urgente a construção de uma ferrovia. A Vila de Paranapiacaba foi implantada na 2ª metade do século XIX, em decorrência da construção desta ferrovia que fazia a ligação do interior do Estado de São Paulo ao Porto de Santos. Para transpor os 800 metros de escarpa que separavam o planalto da baixada, foi necessária adoção de um sistema baseado em quatro planos inclinados interligados por patamares, onde foram instaladas as máquinas fixas que acionavam os cabos de aço que sustentavam a locomotiva e as composições na subida e descida da serra. Esse sistema foi denominado funicular e seu funcionamento exigiu um número expressivo de operários que se estabeleceram no primeiro núcleo de povoamento denominado Varanda Velha, mais tarde conhecido como Vila Velha. A crescente utilização da ferrovia para o transporte do café do interior até o porto, demandou a construção da segunda linha do Funicular. Esta duplicação requereu a permanência de um número significativo de operários, técnicos e engenheiros no local para atuarem na administração e manutenção das linhas e dos pátios. Por esta razão, a empresa São Paulo Railway Co., que obteve a concessão deste trecho da ferrovia por 90 anos, optou pela construção de uma vila para abrigar seus funcionários, nas proximidades das instalações ferroviárias. A implantação da Vila - denominada Vila Martim Smith - e a Vila Velha ocuparam uma trecho urbanizado de 323.000 m² dentro de uma área de 1.949.820 m² pertencente ao Império. Para justificar esta concessão, o poder público ressaltou os resultados positivos da implantação da ferrovia, como por exemplo a valorização das terras, a possibilidade de crescimento do trabalho livre, o incremento nos procedimentos industriais e a criação de novas cidades. O projeto de implantação urbanística e das edificações, elaborado na Inglaterra, constitui um modelo singular em relação às demais vilas ferroviárias existentes no Brasil. A proposta urbanística contava com passeios, ruas e vielas sanitárias. Além disso, as edificações foram executadas em madeira, segundo a tipologia da arquitetura Vitoriana. Paralelamente à implantação do conjunto, foi sendo construído, do outro lado da linha, o Morro ou Parte Alta, onde foram instaladas a Igreja Católica e o comércio, para abastecer aos moradores da Vila de Paranapiacaba. Posteriormente à construção destes setores, foi constituído um núcleo disperso de habitações paralelo à linha de trem denominado Rabique. A Parte Alta e o Rabique não estão contidos na área de propriedade da RFFSA. Com o fim da concessão da São Paulo Railwaiy Co., em 1946, a estrada de ferro e todo o seu acervo é encampado pela União e passa a se denominar Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Em 1957, a RFFSA passa a assumir os equipamentos e o controle da malha ferroviária da E.F. Santos- Jundiaí. Para aumentar a capacidade operacional do transporte ferroviário, em 1974 foi implantado o sistema de cremalheira e aderência, fundamentado na tração de duas engrenagens que se ajustam às locomotivas e de uma terceira engrenagem, no centro, ajustável à cremalheira. Em 1986, a Rede Ferroviária entregou, restaurados, o sistema funicular – máquina fixa a vapor que tracionava as composições através de cabos de aço -, entre o 4o e 5o patamar, e o Castelinho. No ano seguinte, o núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural de Paranapiacaba foram tombados pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. A Vila de Paranapiacaba, seu patrimônio tecnológico e seu entorno, composto por remanescentes da Mata Atlântica, foram tombados, em 1987 pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico , Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). Paranapiacaba, além de ter sido incluída entre os 100 monumentos mais importantes do mundo, pelo World Monuments Fund – organização não-governamental norte-americana que atua na área de preservação do patrimônio histórico -, é Núcleo da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo e integra Reserva da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO como de relevante valor para a humanidade.
Nota: A Vila foi tombada como patrimônio histórico para a humanidade, conforme reportagem que saiu no jornal "Diário do Grande ABC". Clique aqui. |